“A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones”: revisão e crítica

GuerraUm mês atrás, a editora brasileira M. Books me contatou perguntando se eu queria uma cópia do livro “A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones”, publicada recentemente pela editora, para fazer uma crítica no meu site. Logicamente aceitei a proposta: esse livro ficou extremamente popular por ser o primeiro livro de História a ser publicado no Brasil inteiramente dedicado à Guerra das Rosas, ao mesmo tempo em que é um dos primeiros livros de história publicados no Brasil a fazer referência as diversas histórias que inspiraram G.G. Martin a escrever sua popular série “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Publicado pela Amber Books em 2015 no estrangeiro, foi lançada em 2016 aqui no Brasil pela editora M. Books, com um total de 224 páginas e mais de 180 imagens. Como observa Dougherty sobre Game of Thrones no último capítulo de seu livro,

“Esta série não é uma tradução direta da Guerra das Rosas num ambiente de fantasia. Não faria sentido; essa história já foi contada em numerosos livros. No entanto, a obra apresenta casas nobres em gierra, com nomes que soam estranhamente familiares, além de personagens que parecem paralelos a pessoas históricas. O conceito básico é bastante simples: a luta pelo controle de um reino divido, na qual traição e dissimulação têm papel tão importante quanto as batalhas campais” (Martin J. Dougherty, pág. 217).

De fato, quem lê o Boullan já deve ter visto os artigos publicados aqui que fazem paralelo da história Tudor com os personagens de Game of Thrones: Elizabeth de York e sua influência em Sansa Stark, Ana Bolena e sua influência em Margaery Tyrell e Cersei Lannister e a influência de Elizabeth I e Henrique VII em Daenerys Targaryen. Mas não são só os personagens que são parecidos. Quem conhece o enredo da série e do livro também deve ter percebido a similaridade com esse evento histórico – embora a Guerra das Rosas não inclua nenhum dragão gigantes, zumbis ou pessoas que voltam da morte, mas sim seus rivais ao trono, uma sucessão de monarcas fracos ou maus, príncipes e princesas cujas vidas foram interrompidas antes do momento e diversos ‘protetores do reino’.

Mas se Game of Thrones também chama a atenção por sua fotografia e efeitos especiais, o livro de Dougherty chama a atenção por ser um dos livros sobre os Tudor que li que mais tem imagens (o que explica seu preço de quase R$80 reais): são figuras da casa de Lancaster e York, mapas de batalhas, xilogravuras, personagens importantes, fotografias de crânios, castelos, armas e diversas outras – praticamente todas as páginas do livro contém imagens.

livro

Algumas fotografias do livro.

O título do livro de Martin J. Dougherty claramente foi escrito com o intuito de capitalizar o interesse da série ‘Game of Thrones’, uma vez que R.R. Martin disse diversas vezes, em entrevistas, que sua série de livros foram baseadas em histórias reais. No entanto, o leitor que quer ler um livro sobre Game of Thrones provavelmente ficará desapontado com o livro de Dougherty, pois apesar da referência ao título, o autor só escreve mesmo sobre a série de livros ou sobre R.R. Martin no 9º e último capítulo. Antes de tudo, “A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones” é um livro sobre a Guerra das Rosas, e mais ainda, sobre a história militar. Além disso, para quem está acostumado a ler sobre esse período, a tradução dos nomes pode ser um pouco confusa – confesso que levei alguns segundos para lembrar quem era “João de Gante”, por exemplo, mas felizmente não há aquela confusão que sempre há entre William e Guilherme – para quem não sabe, a tradução portuguesa do nome William é Guilherme, por isso é muito comum vermos em livros Tudor um dos homens que foram condenados à morte por conta de Ana Bolena ser chamado de Guilherme Brereton ao invés de William Brereton; ou William o Conquistador ser chamado de Guilherme, o Conquistador. Tendo sido publicado no exterior recentemente, o livro ainda conta com uma inédita (no Brasil) análise da Guerra das Rosas em conjunto com a análise do esqueleto de Ricardo III, que foi descoberto em um estacionamento em 2012. Embora na Inglaterra tenha chovido livros sobre Ricardo III após essa excitante descoberta, pouco ou nada foi publicado aqui no Brasil.

Certamente o livro não é tedioso. Martin J. Dougherty é um autor freelancer, e é especializado em assuntos militares e históricos – procure fotos dele no Google, e encontrará diversas fotografias dele como esgrimista. Ele é, inclusive, faixa preta em Ju-Jutsu e outras três cateogiras de luta – ou seja, é muito diferente de qualquer outro autor que já tenha publicado livros sobre os Tudor ou sobre a Guerra das Rosas no Brasil, trazendo uma perspectiva muito diferente para o livro. No entanto, para quem já conhece a história da Guerra das Rosas de trás para a frente, eu não recomendo o livro: seu foco é, principalmente, aqueles que não tem nenhum conhecimento sobre esse período histórico, e embora trate de tudo com detalhes (principalmente quando as batalhas são discutidas), e quem conhece essa história pode achar o livro de pouco interesse.  Ainda sim, para quem gosta de colecionar livros sobre os Tudor ou gosta de ler sobre a Guerra das Rosas, essa obra é sem dúvida um item que todos precisam ter em suas prateleiras.

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2 comentários sobre ““A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones”: revisão e crítica

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