A influência da Grécia antiga no período Tudor

grecia

De acordo com muitos estudiosos do Renascimento, a onda de migração dos bizantinos no período seguinte da Cruzada, do saque de Constantinopla e o fim do Império Bizantino em 1483 é considerado como o renascimento dos estudos gregos e romanos que levaram o desenvolvimento do humanismo e da ciência renascentistas. Estes emigrantes eram gramáticos, poetas, escritores, professores, músicos, astrônomos, arquitetos, acadêmicos, artistas, filósofos, cientistas, políticos e teólogos, que trouxeram para a Europa ocidental um conhecimento muito maior que fora preservado e acumulado na sua própria civilização grega.

O principal papel no humanismo dos estudiosos gregos no Renascimento foram o ensino da língua grega em universidades ou para pessoas em particular, junto com a disseminação de textos antigos.

Embora as idéias da Roma antiga já desfrutavam de popularidade com os estudiosos do século 14 e sua importância para o Renascimento seja inegável, as lições do aprendizado grego trazido pelos intelectuais bizantinos mudou o curso do humanismo e do próprio Renascimento. Embora o aprendizado do grego tenha afetado todos os estudiosos do humanismo, a história e a filosofia em particular foram muito afetadas pelos textos e idéias trazidos de Bizâncio. A história foi mudada pela re-descoberta de textos de historiadores gregos e a História passou a ser um guia de uma vida virtuosa com base no estudo de eventos e pessoas passados.

A filosofia, não só de Aristóteles mas também de Platão afetou o Renascimento, criando debates sobre o lugar do homem no universo, a imortalidade da alma e a capacidade do homem de melhorar a si mesmo através da virtude. O florescimento de filósofos no século XVI revelou o impacto da filosofia grega e a ciência no Renascimento. Eram os professores de grego que introduziam não só Platão, mas também Aristóteles, e instrumentos essenciais à nova ciência, como Arquimedes. Esse saber renovador, mesmo que ensinado sob a insígnia do anrigo, começaram a ressonar novas direções exercidas indiretamente. Ensinar significava ler, comentar um autor: e há muito tempo o autor ensinado, no campo da lógica, da ética e da filosofia natural era Aristóteles. Em escolas baseadas em comentários de textos, especialistas em grego traduziam para o inglês ou latim tratados filosóficos, médicos e obras fundamentais antes desconhecidas.

Atena, por Fra Bartolomeo.

Atena, por Fra Bartolomeo.

A Grécia também influenciou fortemente as artes: artistas do renascimento atestavam seu interesse nos modos de representação do corpo humano gregos e romanos com objetos de arte antigos. O pintor florentino Fra Bartolomeo, por exemplo, tinha em seu estúdio 63 moldes de gesso de cabeças, pés e torsos da Grécia antiga. Insatisfeitos com a abordagem medieval da representação do corpo, os artistas do século XV se inspiram nas esculturas gregas e romanas, observando a representação da nudez e o uso da vestimenta como um meio de articular o corpo, ao mesmo tempo relvelando e escondendo o tronco e os membros. Com os conhecimentos clássicos de proporção, os sistemas gregos de modelagem se tornou um assunto de enorme fascínio para os artistas renascentistas.

Na Inglaterra, o humanismo veio de diversas inspirações, como da paixão dos italianos pelos clássicos, os ataques de Erasmo à escolástica, e a introdução dos textos gregos que vieram principalmente de William Grocyn e Thomas Lineacre. Já no início do reinado de Henrique VIII, as dúvidas religiosas fizeram com que pessoas como Tyndale consultassem a versão grega dos textos bíblicos. A retórica passou a ser um ideal da educação. Cícero era um dos que dominavam a educação no século XVI, sendo mais tarde substituído por Seneca e Tacitus. A combinação do ensino clássico com o cavaleiro medieval criou o cortesão ideal, que seria uma grande influência na civilização poderosa que a Inglaterra se tornaria nos próximos séculos.

Um dos maiores intelectuais da Inglaterra, sir John Cheke, foi o primeiro professor de grego em Cambridge, secretário de Estado da Inglaterra e tutor de Eduardo VI. Seu discípulo, Roger Ascham, seria reconhecido por ser um estudioso dos gregos, mas mais ainda por ser tutor de duas rainhas – Lady Jane Grey e Elizabeth Tudor. Outro tutor de Elizabeth, William Grindal, estudante de Cambridge de vinte e poucos anos, ensinaria a princesa grego de manhã, com foco nas leituras no Novo Testamento e nos clássicos gregos; às tardes eram dedicadas ao estudo do latim, com especial ênfase nas obras de Cícer oe Lívio, estudando também teologia, filosofia, matemática, geometria, história e literatura. Aos onze anos, Elizabeth era fluente em grego, latim, italiano e francês.

O ensinamento dos clássicos gregos e da língua grega continuou no reinado de Elizabeth I: em 1572, Sir Humphrey Gilbert descreveu uma escola ideal como uma escola em que se fosse ensinado as línguas modernas, matemática, direito, exercícios militares e o estudo do latim e do grego.

Bibliografia:
ELTON, G. R. England under the Tudors. Routledge, 2012.
GARIN, Eugenio. Ciência e vida civil no Renascimento italiano. UNESP, 1996.
HAOT, Giorgia. Elizabeth I’s Education. Acesso em 22 de Junho de 2015.
Greek scholars in the Renaissance. Acesso em 22 de Junho de 2015.
The Classical Treatment of the Body. Acesso em 22 de Junho de 2015.

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