“Elizabeth I: Uma Biografia”: novo livro sobre a última rainha Tudor é lançado pela Editora Zahar (Revisão e crítica)

novoPublicado originalmente em 2014 com o título “Elizabeth: Renaissance Prince”, o livro “Elizabeth: uma biografia” (Editora Zahar, 2016) foi traduzido por Paulo Geiger e tem, em sua capa, um recorte da obra “Old Elizabeth”, de 1610, feito posteriormente após a morte da Rainha. A própria escolha da imagem é uma afirmação da idéia da autora: enquanto viveu, Elizabeth proibiu a publicação e distribuição de imagens suas que a mostravam como uma mulher velha e mortal; enquanto Lisa Hilton explora, em seu livro, que Elizabeth efetivamente governou como um príncipe renascentista, surgindo como uma política talentosa e complexa, rápida em adotar novos princípios para proteger o seu país.

 “Quase toda biografia da rainha começa com a premissa de que seu governo foi cheio de anomalias em virtude de ela ser mulher. Muitas vezes se tem utilizado a feminilidade biológica de Elizabeth como base de interpretação para quase todos os aspectos de sua governança. A meu ver, isso é simplesmente errado”. (HILTON, 2016, pág. 13)

Embora eu não concorde nem um pouco com a legenda que a Editora Zahar deu para o livro em seu site (“Um retrato original e definitivo da Rainha Virgem” – para mim, nada na História é original e muito menos definitivo), o livro explora aspectos menos conhecimentos do reinado de Elizabeth, como seu envolvimento na política da Europa Oriental, sendo uma obra que pode agradar até quem já tem conhecimento sobre o período.  Também adorei a exploração que a autora faz dos retratos de Elizabeth, principalmente do “Elizabeth I e as três deusas” e o seu retrato de coroação. Lisa também inova ao observar que os três homens mais importantes de sua vida eram Robert Cecil, Robert Dudley e Filipe II da Espanha – aparentemente, ela mantinha uma pintura de Filipe em seu quarto.

Eu também fiquei com a impressão, ao ler o livro, que a autora exagera um pouco demais na concepção de que seu livro é o único (ou um dos únicos) a ver que Elizabeth gostava de jogar com as convenções relativas ao seu gênero; e que “quase toda biografia da rainha começa com a premissa de que seu governo foi cheio de anomalias” – é só ler o livro de Mary Dunn, “Elizabeth e Mary: primas, rivais, rainhas” (Rocco, 2004); ou “As Rainhas Tudor – o poder no feminino em Inglaterra (séculos XV – XVII)” de David Loades (Caleidoscópio, 2010), entre diversos outros livros, e podemos perceber que isso não é bem verdade. Outra crítica, publicada por Linda Porter ao HistoryToday, conta que uma das maiores fraquezas do livro é que Hilton precisaria pesquisar um pouco mais sobre as avaliações políticas do período – ela acredita, por exemplo, que Maria Tudor era uma irmã feia que odiava Elizabeth desde o nascimento – uma visão saída direto do século 19. A autora ainda mostra pouca familiaridade com os personagens de Maria Stuart e Francis Walsingham, figuras proeminentes no reinado de Elizabeth.

Porter ficou, então, com uma sensação de “oportunidade perdida” ao ler o livro – possivelmente o mesmo sentimento que Oliver Poole teve ao escrever para o jornal Independent, em que ela menciona que, ao mesmo tempo em que Lisa é convincente ao mostrar como era a mentalidade da época sobre o gênero e sexo, é pouco convincente ao insistir sobre como o Renascimento moldou o reinado de Elizabeth – ela não só criava sua imagem, mas também aprendia e copiava com autoridade os costumes da época.

“Por várias razões, Elizabeth foi muito menos uma figura “do Renascimento” que seu pai […] , ao contrário de Henrique VIII, ela não foi uma inovadora nas artes. Não construiu palácios, patrocinou poucos pintores expressivos, manteve uma corte adequada, mas não extraordinária para os padrões da época. Seu legado artístico não é impactante, mas de forma alguma tão pobre quanto parece à primeira vista. Todavia, Elizabeth realizou seu objetivo primordial, a proteção do Estado […]” (HILTON, 2016, pág. 19).

Apesar disso, o livro de Lisa ainda é uma oportunidade única para os leitores brasileiros, cujos únicos livros acadêmicos publicados sobre Elizabeth são: “Grandes Líderes“, de Catherine Bush (1988); “A vida de Elizabeth I de Inglaterra“, de Jacques Chastenet (1976), “Elizabeth e Mary“, de Jane Dunn (2004) e “Inglaterra, A vida no reino de Elizabeth“, de Norman Jones (2007). Com 416 páginas, um caderno de imagens coloridas e de outras figuras de sua época, o livro está sendo vendido por R$69,90 pela Editora e por R$39,90 se comprada como e-book.

Anúncios

Um comentário sobre ““Elizabeth I: Uma Biografia”: novo livro sobre a última rainha Tudor é lançado pela Editora Zahar (Revisão e crítica)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s