O romance entre Elizabeth de York e Thomas Stafford, e a tentativa de assassinato de Henrique VII

henrique e elizabeth

No romance The Tudor Rose, de Margare Campbell Barnes, Henrique Stafford, Duque de Buckingham tem um filho chamado Thomas Stafford, que tem um flerte com Elizabeth de York em 1483. No livro “A Favorita do rei”, de Susan Worth, acontece a mesma história: depois que seu pai, Eduardo IV, morre inesperadamente, Elizabeth Woodville pega seus filhos e vai para o santuário na Abadia de Westminster. Lá, ela encontra um homem chamado Thomas Stafford, mas eles perdem contato assim que ela vai para a corte de Ricardo III. Mais tarde no livro, descobrimos que Elizabeth Woodville sabia que os dois estavam apaixonados, mas para não correr riscos de sua filha desobedecê-la sobre o casamento com Henrique Tudor, Woodville queima as cartas de Thomas. Neste artigo, descobriremos se alguma faceta dessas histórias são verdadeiras.

Nesses mesmos romances, Thomas e seu irmão, Humphrey, se revoltam durante a ascenção de Henrique VII e tentam assassiná-lo: isso realmente aconteceu. Na Páscoa de 1486, Francis, Lorde Lovell, junto de Humphrey e Thomas Stafford, filhos de Humphrey Stafford de Grafton, entraram no Santuário de Colchester, onde Henrique VII estava, e proclamaram rebelião. Eles perderam, é claro, mas depois disso Henrique ficou tão preocupado com a possibilidade de conspirações contra ele que criou um Ato de Parlamento que investigava pessoas da Casa Real que haviam tido participações em qualquer conspiração, feita ou imaginária, que tivesse como objetivo destruir ou assassinar o Rei. Sobre os irmãos Stafford, Humphrey foi executado, mas Lovell desapareceu e Thomas foi perdoado.

De acordo com os romances, Thomas Stafford foi perdoado apenas porque Elizabeth pediu a Henrique que o perdoasse. No entanto, não há provas de que isso seja verdadeiro. Outra situação em que não há provas e que foi alvo de grandes discussões online é que o Thomas Stafford do livro tecnicamente não existe, apesar de aparecer em inúmeros livros, quase sempre ligado à Elizabeth de York. Embora realmente houvessem os irmãos Thomas e Humphrey Stafford, eles eram apenas parentes distantes do Duque de Buckingham, e não filhos dele: Buckingham teve apenas um único filho, chamado Eduardo; embora na época do suposto romance (início da década de 1480) ele tivesse vários filhos, tendo o mais velho deles apenas 5 anos. Também não há registros de nenhum tipo de contato que Thomas Stafford pode ter tido com Elizabeth. Sabe-se, no entanto, que o verdadeiro Thomas Stafford, parente distante do Duque de Buckingham, ter sido perdoado, ele permaneceu um devoto e leal súdito dos Tudor.

Embora seja interessante imaginarmos Elizabeth de York tendo um outro romance além do tão comentado com seu tio, Ricardo III, pode ser muito estressante quando um autor simplesmente inventa pessoas e eventos em seus livros – principalmente se os livros não tem nenhuma explicação da autora sobre suas mudanças radicais na história.

Bibliografia:
PENDRILL, Colin. The Wars of the Roses and Henry VII: Turbulence, Tyranny and Tradition in England 1459-c.1513. Heinemann, 2004.
WORTH, Sandra. The King’s Daughter (Rose of York) Kindle Edition.
Thomas Stafford“.

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