O bordado na Era Tudor (1485 – 1603)

bordado

Os séculos XVI e XVII viram o florescimento da arte de bordar, particularmente na Inglaterra. Durante a Idade Média, os artesãos ingleses eram famosos por toda a Europa pelo seu bordado, mas a partir do momento em que Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e estabeleceu a Igreja da Inglaterra, a necessidade de enfeites e mobiliários para o culto religioso elaborado diminuiu muito. Mas, ao mesmo tempo, o gosto por roupas ricas e decoradas aumentou muito, e uma grande porção da sociedade poderia se dar ao luxo de comprar ou fazer ricos bordados durante o final do reinado de Henrique VIII e de Elizabeth I.

Os bordados de alta qualidade eram produzidos por um grupo diversificado de pessoas. Enquanto essa habilidade é tradicionalmente associado à feminilidade, o bordado era praticado por homens e mulheres, crianças e adultos, sendo eles profissionais pagos ou armadores talentosos. Uma vez que todos os produtos têxteis eram decorados à mão, a habilidade de bordar era necessária em todos os níveis da sociedade. É altamente provável que quase todos os jovens eram ensinados a manejar uma agulha. O tipo de trabalho que era ensinado à uma jovem era em grande parte dependente de seu status socioeconômico: as mulheres jovens e simples teriam que produzir seu próprio vestuário, e ganhar a vida, então aprendiam técnicas de costuras simples e práticas. As mulheres jovens da aristocracia aprendiam técnicas de bordado decorativos e elaborados.

Livro com capa bordada do século XVI.

Livro com capa bordada do século XVI.

Bordadeiros profissionais do sexo masculino eram membros da Companhia de Bordadeiros de Worshipful, durante o reinado de Elizabeth I. Apesar da adesão à guilda ser restrita a homens, é evidente que mulheres também desempenhavam um papel importante nas oficinas de bordados. Dois tipos de bordado predominavam nesse período: os baseados na flora e na fauna e desenhos que ilustravam narrativas da Bíblia. O aumento da produção e popularidade dos bordados se deu em grande parte por causa de livros de bordados impressos no final do século XVI e XVII, e o bordado decorativo se tornou um passatempo entre aqueles que podiam comprar os livros e terem recursos para se destacarem na agulha. Os primeiros livros com receitas de bordado foram impressos no continente e importados para a Inglaterra em 1554, e o primeiro livro inglês foi publicado na década de 1590 – os livros anteriores eram quase inteiramente copiados de obras alemãs ou italianas.

O único problema foi que, com as publicações, os bordadeiros profissionais tiveram que enfrentar a concorrência de inúmeros bordadeiros entusiastas amadores. A propagação do bordado atingiu todas as áreas imagináveis: lençóis, colchas, toalhas de mesa, tapetes, almofadas, luvas, lenços, corpetes, saias, bolsas, capas de livros, marcadores de livros, sapatos, chapéus, e inúmeros outros itens do dia-a-dia.

Fundada em 1565, a Royal Exchange, em Londres, popularizou acessórios da moda feitos “em massa” – uma variedade de produtos importados de luxo agora poderiam ser comprados neste centro de atividades comerciais, como chapéus, lenços e bolsas bordadas, sendo utilizadas para carregar ervas aromáticas ou embrulho como presente. Além disso, as luvas eram o objeto mais evocativo de um indivíduo, fortemente associados com devoções românticas, e muitas vezes decorados com símbolos de devoção, como corações.

Luvas elisabetanas bordadas.

Luvas elisabetanas bordadas.

Mas não eram só os pequenos acessórios que eram enfeitados com bordados: roupas inteiras do século XVI e XVII eram bordadas, e poderiam ser alto luxo, com inclusão de fios de ouro e prata, pérolas e pedras preciosas. Um dos locais que eram mais utilizados bordados, que podemos ver nos retratos Tudor, são em mangas e golas das chemises – as camisas longas que eram usadas por baixo dos vestidos das mulheres e dos trajes dos homens.

No período Tudor, os bordados eram feitos principalmente em dois tipos de tecido: seda branca em cetim e linho não tingido (como as chemises). A técnica de bordar determinava a escolha do tecido: os pontos denominados Tent, Cross e Gobelin eram trabalhados no linho, cuja trama continha de 15 a 16 fios por tecido, sendo adequado para o trabalho de bordar.  Nas chemises, o tipo de bordado mais usado era a técnica de blackwork – usando apenas o fios pretos. Os pontos mais utilizados eram o Double Running ou BackStitch, e às vezes o Stem Stitch.

chemis

Os bordadeiros usavam fios de seda, tanto em cores naturais quanto tingidos. Não se sabe se por razões de economia ou para facilitar a aplicação, as bordadeiras até o século XVI restringiam o uso de fios metálicos apenas nas superfícies visíveis do trabalho. Na segunda metade do século XVI, a expansão do comércio levou a um aumento na disponibilidade de ouro, prata e seda, e obras bordadas nesse momento (de 1550 a 1600) se destacam pela sua expressividade e alto nível de perícia na combinação de fios de seda com de metais de espessuras, larguras e formas diferentes.

mangas

Bibliografia:
WATT, Melinda. “English Embroidery of the Late Tudor and Stuart Eras“. Acesso em 29 de Junho de 2016.
CARR, Cristina Balloffet. “The Materials and Techniques of English Embroidery of the Late Tudor and Stuart Eras“. Acesso em 29 de Junho de 2016.
Introduction to English Embroidery“. Acesso em 29 de Junho de 2016.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s