Saia perdida de Elizabeth I irá para exposição depois de ser encontrada em um altar

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Um pedaço de tecido de muita importância da história da moda se tornará uma das atrações do Palácio de Hampton Court depois de ser identificado como a única peça sobrevivente das roupas utilizadas por Elizabeth I. Os principais especialistas em roupas reais do país passaram o ano juntando pistas sobre a proveniência de um tecido lindamente bordado que há centenas de anos era usado e cortado como um pano de altar em uma igreja paroquial em Herefordshire.

Eleri Lynn, curadora dos vestidos históricos dos Historic Royal Palaces (HRP), descobriu uma referência do tecido por ele ter sido pendurado na parede de uma igreja em ST Faith, Bacton, no século 18. Ela disse:

“Quando eu vi pela primeira vez eu soube imediatamente que era algo especial. Ao examiná-lo, senti como se tivesse encontrado o Santo Graal, a Mona Lisa da moda. Acredita-se que nenhum dos vestidos de Elizabeth I sobreviveu, mas tudo o que conhecemos dele desde então aponta que ele foi usado por Elizabeth”.

saiaO bordado com temática botânica tem uma semelhança com um corpete usado por Elizabeth I no chamado Rainbow Portrait, de 1602, e Lynn acredita que pode ‘não ser impossível’ que o pano encontrado pode ser parte da mesma roupa. A história do tecido é quase tão fascinante quanto o próprio tecido: Lynn explicou que nos palácios existem 10 mil itens de vestuário, muitos de reis e rainhas, mas não há quase nada antes do reinado de Carlos II.

“Nos tempos Tudor, o vestuário era tão caro que era transmitido de uma geração para outra, ou desmontado e reutilizado para outra coisa, como cobertas de almofadas. Além disso, Oliver Cromwell vendeu todas as roupas reais, então as únicas coisas que temos, incluindo um chapéu que poderia ter sido usado por Henrique VIII, voltaram para Hampton Court depois de ter sido encontrado em outro lugar”.

Lynn estava pesquisando em um blog sobre conexões galesas com a corte Tudor quando encontrou o pano de altar de Bacton e fez uma visita à Igreja. O desenho bordado com rosas, narciosos e outras flores era típico do final do séuclo XVI, e percebeu imediatamente que era feito de tecido de prata, que sob a lei sumpturária Tudo só poderia ter sido usado pelo monarca ou membros imediatos da família real. A conexão feita por Lynn fez sentido também porque os paroquianos daquela igreja incluíam Blanche Perry, dama de companhia de Elizabeth, a quem é conhecida por ter dado itens de vestuário. Outros bordados como rãs, esquilos e lagartas foram adicionados mais tarde, e a equipe de Lynn descobriu uma ilustração de um urso em um livro publicado em 1594 que corresponde exatamente a uma figura de uso bordado no tecido.

Quando a igreja percebeu a importância do achado, emprestou o pano de altar à HRP, que está prestes a realizar uma restauração que levará 18 meses, retirando alguns pontos feitos no período eduardiano e recosturando-os edm um novo pano. Em seguida, ele será exibido em um palácio Tudor.

saiaApesar das afirmações de Lynn e sua equipe, a recepção da notícia na internet foi mista: apesar de reconhecerem a importância do achado, muitos acharam ‘ridículo’ sugerir que a saia pertencia a Elizabeth apenas por essas poucas evidências apresentadas – é de conhecimento comum que as leis suntuárias no período Tudor não funcionavam tão bem quanto deveriam, e podemos facilmente encontrar pinturas de homens e mulheres ‘comuns’ usando arminho (um tecido que, supostamente, apenas a família real poderia usar). Além disso, o artigo afirma que o tecido pode fazer parte de uma roupa que não aparece na pintura Rainbow, de Elizabeth, e que pode ter sido usada pelo artista como ‘inspiração’ – isso é mais provável, dado o fato de que durante anos diversos historiadores sugeriram que muitas das roupas que Elizabeth usou em seus retratos não existiam de fato – elas eram criações cheias de simbolismo criadas pelos artistas, Elizabeth e seu governo.

Fonte: The Telegraph

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