Conversão de moedas e valores Tudor para atualmente

dinheiro tudor

Que dinheiro era usado durante o reinado dos Tudor? Qual era o seu valor em relação ao dinheiro atualmente? Quanto eles recebiam de salário? Tentarei responder essas perguntas nesse artigo. Primeiramente, precisamos saber que o dinheiro Tudor era baseado em moedas – não havia papel-moeda na Inglaterra nessa época. As moedas eram cunhadas em ouro ou prata: o peso da prata ou do ouro contido no dinheiro Tudor determinavam o valor da moeda. As moedas eram dividades principalmente em:

Pence

Pence, ou pennies (ou “centavos”) eram a unidade monetária básica da moeda Tudor. 240 centavos eram iguais a 1 libra (ou seja, em valores atuais, 240 centavos Tudor seriam iguais a R$3,92 reais – cotação de Janeiro de 2017). O desenho da moeda de um centavo mudava frequentemente, pois sempre retratava a face do governante. Também existiam “halfpenny” (no valor de metade do valor de um centavo) e “farthing” (no valor de um quarto de um centavo). O pence era expresso com a letra “d” – uma abreviatura ‘denário’, que era uma moeda de prata romana.

Xelins

xelinsOs shillings (ou xelins) eram uma unidade de moeda Tudor. 20 shillings eram iguais a 1 libra (ou seja, 20 shillings = R$3,92 reais). O xelin era expresso com a letra “s” – uma abreviatura para “sestertius”, que era um moeda romana de prata.

O xelim foi cunhado pela primeira vez no reinado de Henrique VII entre 1503 ou 1504 e era conhecido como testoon, sendo nomeado “shilling” em algum momento na metade do século XVI. O testoon foi uma das primeiras moedas inglesas a mostrar um retrato real de seu monarca. Entre 1544 e 1551 a cunhagem teve uma degradação em seu valor por causa da tentativa de gerar mais dinheiro para as guerras no exterior – as moedas produzidas tiveram um 1/5 do valor total da prata das moedas antigas, e consequentemente seu valor caiu de 12 para 6d (ou seja, de 12 centavos para 6). No reinado de Elizabeth, a moeda foi cunhada novamente com um teor de prata maior, recuperando seu valor.

Libra

uma libraA libra inglesa, também conhecida como “pounds”, era expressa com a letra “L”, que significa literalmente “libra”, que é a versão latina da palavra “pounds”. Com essas três medidas principais, uma combinação de dinheiro Tudor seria £5..2s..6d – ou seja5 libras, 2 xelins e 6 pence.

Como foi dito, a libra, assim como as outras moedas Tudor, variaram muito durante o reinado dos Tudor. Mas em 1540, £1 compraria a mesma quantidade de bens e serviços que  £406 libras comprariam hoje (R$1.591 reais). Isso porque os preços eram muito mais elevados no início da década de 1540. Se uma pessoa ganhasse uma pensão de £100 libras por ano, ela receberia então um total de £47.550 (R$186.414 reais). No entanto, ela seria capaz de comprar poucos produtos e serviços com essa quantia.

No final da década de 1530, o Bispo Sherburne instruiu o pintor Lambert Barnard que ele ganharia anualmente £14 8s (ou seja, 14 libras e 8 xelins) para trabalhar como pintor na Catedral de Chichester. Em comparação, um trabalhador rural ganhava até 5 libras por ano. Na mesma época, Eduardo Seymour encomendou de Hans Holbein um retrato de sua irmã, Jane Seymour, pela quantia “principesca” de 10 xelins – um pintor da corte de Henrique VIII receberia até de 6 a 14 xelins por dia.

Groat, Coroa, Anjo e Soberano

Para nos confundir ainda mais, outras quatro moedas eram usadas no período Tudor. Também é necessário levar em conta que em todos os casos haviam versões de prata e ouro (cujo valor era diferente). Abaixo, estão os preços dessas moedas em prata:
groat, coroa e soberano

Groat era igual a 4 pennies (ou seja, 4 centavos); também existia o halfgroat que era igual a 2 pennies (2 centavos).

– Coroa (crown) era equivalente a 60 pennies, ou seja, 60 centavos. Também existia a halfcrown, que era equivalente então a 30 pennies/60 centavos.

–  Anjo (angel) era equivalente a 120 pennies, ou seja, 120 centavos. Existia também o halfangel, que era equivalente a 60 pennies/centavos; e o quarter angel, que era igual a 30 pennies/centavos.

– Por fim, existia o Soberano, ou Fine Sovereign, que era equivalente a 360 pence, ou seja, valia 1 libra e 10 xelins (£1 10s). Foi Henrique VII que “inventou” o Soberano, assim chamado porque o rei é retratado na moeda sentado em um trono, enquanto o reverso mostra o brasão real sobre uma cruz. Isso foi visto como a divisão entre as moedas da Idade Média e do Renascimento na Inglaterra.

Assim como hoje, o quanto alguém recebia de salário era puramente dependente de seu emprego ou ocupação. Os camponeses e pobres Tudor só ganhariam em moedas de centavos por mês – ganhar uma libra por mês estaria fora de seu alcance. Uma média de salários mostra que:

Um nobre ganharia entre £1500 to £3000 por ano (R$5.880 a R$11.761)
Um comerciante ganharia até £100 por ano (R$392)
Um pároco receberia até £20 por ano (R$78)
Um carpinteiro ganharia até £13 por ano (R$50)
Um trabalhador comum ganharia de £5 a £10 por ano (R$19 a R$39)

Apesar dessa contagem, o período Tudor foi de rápida inflação, de modo que esses valores de cunhagem mudavam significativamente de um ano para o outro. Por exemplo, em referência à Maria Bolena, após a morte de seu marido William Carey em 1528, ela recebia uma pensão anual de £100 (R$392), que na época foi considerada “insignificante”. Mas a mesma quantidade foi dada para Jane Bolena/Parker após a execução de seu marido, George Bolena, em 1536, e tal montante foi descrito “substancial”.

Também devemos levar em consideração que para uma mulher como Maria Bolena uma pensão de 100 libras seria pouco, considerando que seu marido tinha sido um cortesão próximo de Henrique VIII e tinha cargos. Seu filho, Henry, herdou suas propriedades e, portanto, a renda proveniente delas, mas como Ana Bolena tinha sua tutela, o dinheiro iria para ela e não para Maria Bolena. Já Jane estava em desgraça e sua família sem o favor real mesmo antes da execução de seu marido em 1536. Pelos padrões da época, Jane teria de ser deixada a própria sorte, mas ela foi capaz de conseguir uma pensão apelando para Cromwell e ainda voltar para a Corte. Considerando sua história de desfavor, 100 libras parece mesmo “substancial”, enquanto a quantidade dada a Maria realmente parece pouca.

Por isso, quando pensamos em valorização das moedas Tudor, precisamos pensar em termos de seu poder de compra. Por exemplo, quando John Dudley precisou levantar um exército contra Maria Tudor em julho de 1553, ele ofereceu aos homens de Londres 10 pence por dia para servir em sua infantaria, o que foi comentado na época como uma tava anormalmente alta. Esses 10 pences por dia seriam iguais a 300 pences por dia ou 1 libra e 5 xelins por mês (assumindo que os homens trabalhariam 7 dias por semana), o que igualaria a £15 por ano. Ou seja, uma renda de 15 libras por ano era considerado muito alta para um soldado comum em 1553. Podemos comprar isso com o fato de que um salário médio anual de um soldado americano em 2008 era U$16, 200 por ano.

Também pode parecer um pouco chocante que um homem, trabalhador rural, poderia viver com 10 libras por ano; no entanto, também devemos levar em consideração que muitos comiam o que plantavam em suas fazendas e muito do comércio ainda era feito por troca. De qualquer forma, algumas figuras incríveis foram produzidas pela editora , mostrando que entre 1500 5 libras podiam comprar 6 1/4 de bois, enquanto em 1600 poderiam comprar apenas 3/4 de boi. Na lateral, também é possível ver quanto um penny e um goat poderiam comprar em 1525:

figura

A variação gigantesca entre valores tem diversas explicações: em 1500, fazia apenas 15 anos que Henrique VII havia assumido como rei da Inglaterra, cuja economia estava em ruínas por conta da Guerra das Rosas e de outros conflitos internos. Através de uma série de tratados comerciais, o rei conseguiu enriquecer a nação, da mesma forma em que se esforçava para conseguir uma gestão prudente das finanças, com maior eficácia na administração e aumento das receitas para lhe permitir independência do Parlamento. No entanto, assim que Henrique VIII assumiu, além de suas seis esposas, foram feitas diversas ações imprudentes e que gastaram muito dinheiro, como guerras com a França e com a Escócia; além de muito dinheiro gasto com bailes e reformas em palácios. A coroa foi novamente enriquecida no final de seu reinado com o confisco dos bens da Igreja; no entanto, o reinado de Eduardo VI foi marcado por mais uma guerra na Escócia; e a disputa pela Coroa de Jane Grey também gastou dinheiro com exército e compras de aliados. O reinado de Maria I também foi notado por uma guerra que conduziu à perda de Calais; e como já mencionamos, o reinado de Elizabeth conseguiu lentamente restaurar o valor da moeda inglesa, mas nunca chegaria aos mesmos valores de como era com Henrique VII.

Bibliografia:

MIDDLETON, Haydn. O Cotidiano Europeu no século XVI. São Paulo: Editora Melhoramentos, 1995.
Money in Stewart & Tudor Times. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
Tudor Money. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
Tudor Coinage. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
House of Tudor. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
Currency conversion and value. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
History of the English penny (1485–1603). Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
Shilling (British coin). Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
Pictures of Coins of the UK. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.
Chichester Cathedral’s Tudor Paintings – by Lambert Barnard. Acesso em 22 de Janeiro de 2016.

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