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O rei e suas cinco esposas: Os Amores de Henrique VIII (1933)

posterUm dos filmes mais conhecidos sobre o rei Tudor, “The Private Life of Henry VIII” é curioso pois começa com a execução de Ana Bolena, sua segunda esposa. Alexander Korda, o diretor, estava à procura de um projeto que fosse apropriado para o ator Charles Laughton e sua esposa, Elsa Lanchester e originalmente, a história iria se concentrar exclusivamente no quarto casamento do rei com Ana de Cleves, mas o projeto cresceu para incluir as cinco últimas esposas de Henrique: a primeira, Catarina de Aragão, foi omitida porque os envolvidos no projeto não tinham nenhum interesse em mostrá-la, descrevendo-a apenas como uma ‘senhora respeitável’ em um dos interlúdios do filme.

Merle Oberon, que se tornaria uma das atrizes mais belas de Hollywood nas décadas de 1930 e 1940 teve um papel relativamente pequeno no filme como Ana Bolena. No entanto, foi uma aparição memorável, e a atriz tornou-se fascinada pelo seu personagem, pendurando até um retrato de Ana em seu apartamento. Sua frase mais marcante durante o filme foi, “Não é uma pena perder uma cabeça como essa?”

“Minha primeira mulher era inteligente, a minha segunda era ambiciosa. Thomas, se você quer ser feliz, casa-se com alguém como a minha doce Jane, uma mulher estúpida!”, diz Henrique sobre sua terceira esposa, Jane, que é aqui tratada como uma “cabeça de vento”. A produção faz questão de manter um tom agradável para enfatizar os caprichos impertinentes de Henrique, ao invés de sua brutalidade, iluminado por uma simpatia por parte do ator. O filme zomba do homem cujo temperamento era facilmente influenciado, bem como sua ingenuidade para com o amor.

Ana de Cleves e seu amanteElsa Lanchester também foi a primeira Ana de Cleves dos cinemas. Mostrada no filme como tendo um amante, interpretado por John Loder, Ana foi interpretada como sendo inteligente e astuta, deliberadamente fazendo-se de feia a fim de livrar-se do casamento com o perigoso Henrique.

Everley Gregg foi a primeira Catarina Parr a aparecer nos cinemas. Com o seu estereótipo clássico, a última e sexta esposa do rei foi interpretada como uma enfermeira mandona, mas que protegeu seu marido no seus últimos anos. Com Parr, Henrique observa que “o melhor é também o pior” – ela se irrita com o mais ínfimo pormenor de alimentos.

Embora o título original do filme seja “A Vida Privada de Henrique VIII”, é possível que o título brasileiro, “Os Amores de Henrique VIII”, seja mais preciso, pois o filme não dá realmente muita atenção à relação do rei com suas esposas. Afinal, o filme exclui Catarina de Aragão, que deu origem a ruptura da Inglaterra com Roma. A Reforma, a Guerra Civil com a Escócia, as vitórias e derrotas militares de Henrique são completamente ignoradas.

O filme tem um grande senso de nacionalismo britânico através das falas de Henrique VIII: “Diplomacia, diplomacia”; “Eu sou um inglês, não posso dizer uma coisa e fazer outra!”. Embora entremeado com imprecisões históricas, “A Vida Privada..” carrega o seu tom de fofoca por trás de cenas de ação Tudor: há humor na justaposição do início do filme da decapitação de Ana e no mesmo dia com o terceiro casamento do rei.

Korda incentivou alguns momentos cinematográficos exclusivos para a época. Por exemplo, Laughton quebra “a quarta parede” em duas ocasiões dramáticas, flaando diretamente para a lente da câmera: a primeira vem no momento em que descobre que Jane morreu ao dar à luz a um filho. Ele interpreta a emoção de toda sua importância política, proferindo a obrigatória “Deus cuide de sua doce alma”, antes de se jogar para seu príncipe Eduardo. Outra cena famosa mostra Laughton comendo em uma cena que define claramente o caráter de Henrique como um homem comilão que devorava tudo que era colocado na frente dele.

Tendo sido um grande sucesso comercial, o filme fez com que Alexander Korda se tornasse uma figura proeminente na indústria cinematográfica e avalancou a carreira de Charles Laughton e Merle Oberon. “The Private Life of Henry VIII” estreou com número recorde de público nos cinemas de Nova York e Londres, tendo sido o 12º filme mais bem sucedido nas bilheterias do Estados Unidos daquele ano. A produção também entrou para a história como sendo o primeiro filme não-Hollywoodiano a ganhar um Oscar – Charles Laughton ganhou como Melhor Ator. A atuação de Laughton é hoje considerada emblemática, pois ajudou a consagrar a imagem do Rei mulherengo, enchendo-se com coxas de galinhas em banquetes.

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