Deixe um comentário

O gentil William Carey e suas representações na literatura ficcional


Ana Bolena não teria necessariamente passado muito tempo com o seu cunhado, William Carey, e ele morreu alguns anos antes do que pode ser chamado da parte ‘principal’ da história da esposa mais retratada de Henrique VIII. Como resultado, suas aparições ficcionais – com a exceção óbvias dos romances centrados em Maria – são geralmente centrados em torno de seu casamento (muitas vezes ligada com a sua tolerância com o caso de Maria com o rei) e sua morte. Quando ao seu comportamento, é representado em grande parte como ele provavelmente teria desejado: gracioso.

Em suas representações, William Carey foi de um jovem bom comportamento, promissor cortesão, com boas perspectivas e o par perfeito para a filha de Thomas Bolena – para um jovem cortesão tão falido quanto bonito, cujo casamento é considerado inferior e uma prequela o segundo marido de Maria, William Stafford. Muitas vezes, isso é atribuído ao fato de Maria ter supostamente tido um caso com Francisco I (ou até mesmo Henrique VIII, embora, na realidade, seu caso com o rei inglês mal havia começado) e Thomas Bolena estaria furioso com o desperdício de potencial de Maria. No livro ‘Anne Boleyn’ (1932) de E. Barrington, somos informados que:

‘Maria, a incorrigível, tinha se comprometido com o jovem George [sic] Carey’. George Carey! Sem um tostão! Apenas um enfeita na Corte, e apenas porque ele tinha alguma coloração do próprio sangue de Henrique…’

Da mesma forma, em ‘The Tudor Sisters’ (1971), ‘Will Carey’ é descrito simplesmenteWilliam Cary como ‘o filho mais novo se expectativas’, mas como ele está disposto a se casar e Catarina de Aragão apóia a escolha, o casamento acontece mesmo com as objeções de Thomas Bolena e William é promovido a Cavaleiro da Câmara Privada apressadamente ‘pois se ele for mantido plenamente ocupado lá, sua esposa de necessidade não estaria longe, e acessível’. O Carey de ‘The Boleyn Wife’ (2007) se casa com Maria quando ela está grávida do filho do rei e é ‘um cavaleiro alegre de meios modestos que estava feliz em realizar este serviço para o rei’. Depois de sua morte, Maria diz a Jane Bolena que enquanto sua filha definitivamente era do rei, ela espera que seu filho seja de William, porque eles tinham uma grande afeição pelo outro. O ‘bem-apessoado e gentil’ Carey de Blood Royal (1988) é descrito como vindo de uma modesta família de Devonshire, que também recebe sua esposa grávida ‘e pensou que estava com sorte de ter conseguido uma esposa jovem gentil e bem-relacionada com a aprovação especial do rei, e que estava com uma criança cujas origens ele não questionaria’.

Todos esses Carey têm almas amáveis, genuinamente gentis – quando não completamente apaixonados – por Maria Bolena. No entanto, aqueles que não são de títulos imprecisamente baixos, têm uma ligeira tendência para a incompetência. Em ‘A Rainha sem Cabeça’, de Paul Lorenz é escrito que casaram Maria ‘com um homem obscuro, porque convinha proporcionar-lhe marido pouco incômodo’ (LORENZ, pág. 7), e que ele era simplesmente um homem ‘com quem casou para garantir eventualmente um pai aos bastardos reais’ (LORENZ, pág. 7). Scarlett Johansson como Maria Bolena e Benedict Cumberbatch como William Carey no filme 'A Outra' em 2008.O rei Henrique de ‘Queen Anne Boleyn’ (1939) ‘tinha dado ao marido passível de Maria uma sinecura ou duas’ em troca de sua cooperação, e em ‘Assassinato Real’ (1949) Henrique diz a Deus que ele é um homem de ‘penas capacidade’, e em uma conversa com Maria Ana diz que ‘o casamento foi arranjado, e ele recebeu uma posição na corte para que você possa sempre estar a postos para o prazer do rei, e para colocar uma cobertura de propriedade muito fina sobre sua imoralidade’ (PLAIDY, 2000, pág. 48). O Carey de ‘O Diário Secreto de Ana Bolena’ (1997) deixa o caso de Maria e Henrique acontecer sem tirar a vantagem esperada, segue abaixo o trecho em que Ana e George Bolena discutem:

 E William Carey? Como suporta o nosso cunhado o papel de cornudo?
– Como se fosse uma coisa vulgar a nossa mulher ser a rameira do rei… Seria esperto se se aproveitasse, conseguindo favores em troca de Maria. Mas não faz nada.
– Mas que pena – comentei, pensando no destino de minha irmã.
– Nem por isso – replicou George. – Por intermédio de Maria já recebi eu alguns favores do rei.  []

Em Mademoiselle Boleyn (2007), temos um breve comentário sobre ele no Campo do Pano de Ouro: ‘ele é bem feito, mas mais baixo do que o sangue masculino de nossa família. O olhar em seus olhos é realmente amável’. Ele e Maria obviamente se amam. Infelizmente o idílio dura pouco, pois Thomas Bolena ordena que Maria seduza Henrique para que os Bolenas possam subir alguns degraus na Corte.

A ordem da família também separa Maria de Carey em ‘The Other Boleyn Girl’ (2001) no qual a improvavelmente jovem Maria é notada e flerta com o rei, enquanto seu pai e tio Norfolk lhe dão a ordem de se separar com seu marido e fazer o melhor para entreter Henrique e, se possível, ter um filho com ele. Carey não reage bem a essas notícias, apesar de Ana dizer a ele que ‘Nenhum de nós sofrerá se Maria for favorecida’.

‘Estou triste por você. E estou triste por mim. Quando for mandada de volta para mim, daqui a um mês, talvez um anim tentarei recordar este dia e sua aparência infantil, um tanto perdida no meio de todas estas roupas. Tentarei me lembrar de que você era inocente nesta trama, de que hoje, pelo menos, era mais uma garota do que uma Bolena’.

(GREGORY, 2009, pág. 28-29)

Quando chega o ano de sua morte, fica claro que o caso de Maria e o rei está acabado e ela fica presa a uma consciência culpada e tenta fazer as pazes com ele. A doença do suor vem junto com o casamento essencialmente reiniciado, deixando Maria desolada por sua perda, e não só porque ela fica falida.

Mesmo o Carey de ‘The Last Boleyn’ (1983) gera um pouco de bons sentimentos no final. Enquanto é de longe o mais simpático dos Careys ficcionais, ele ainda tem um bom caráter; é ambicioso como o real Carey provavelmente era e está bastante preocupado com a restauração das fortunas da família para beneficiar ele mesmo e sua irmã Eleanor. ‘Se eu pareço concordar com suas táticas, é somente porque os Carey irão se beneficiar também’. Ele fica feliz e constrangido quando Maria se torna notória na Corte, e a situação não melhora quando Maria fica obviamente inclinada pelo recém-chegado William Stafford. Quando ele fica doente, Maria se sente culpada, pensando em quão miserável ela deve ter feito ele se sentir, e cuida dele enquanto ele grita por sua irmã e febrilmente imagina que estão na Corte; ele pede a Maria que na próxima vez que veja o rei ela fale bem dele.
'A Outra' 2008.Pouco antes do fim ele recupera sua consciência e ambos se desculpam.

O veredicto mais sucinto sobre o William Carey ficcional é em ‘Wolf Hall’ (2009), no qual Maria diz sobre seu falecido marido: ‘Ele era gentil. Dadas as circunstâncias’. Essas seis palavras medem o homem imaginário, mas quanto ao real, nunca poderemos saber.

Bibliografia:
William Carey: He Begs You To Be Gracious‘. Acesso em 4 de Fevereiro de 2014.
LORENZ, Paul. A Rainha sem Cabeça. O século, 1959.
GREGORY, Philippa. A irmã de Ana Bolena. Tradução de Ana Luiza Borges – 3º Edição – Rio de Janeiro: Record, 2009.
PLAIDY, Jean. Assassinato Real. Tradução de Sylvio Gonçalves. Rio de Janeiro: Record, 2000.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: