Os anos celibatários de Henrique VIII

Henrique e Ana

A menopausa de Catarina de Aragão ocorreu por volta de 1525, depois de sete anos sem filhos. Por volta de 1527, Ana tinha ganhado a atenção do rei Henrique VIII, recusando-se em se tornar usa amante. No ano seguinte, o rei disse ao Cardeal Campeggio que ele não tinha tido relações sexuais com Catarina há dois anos, embora eles partilhavam a cama para manter as aparências.

Henrique VIII sempre se apresentou como ‘Sir Coração Leal’, um amante da cavalaria. A devoção de Henrique com Ana antes de seu casamento é inquestionável. Mas teria Henrique passado desde 1526 até o final de 1532 como um homem celibatário? Henrique estava obviamente encantado com Ana, sendo suas cartas as testemunhas de sa paixão. No entanto, qualquer sugestão de abstinência sexual parece difícil de acreditar, uma vez que mal passado alguns meses depois que Ana estava grávida, e disse a era para segurar sua língua sobre assunto, assim como outra mulher superior a ela o tinha feito. o rei foi buscar outras mulheres. Pela parte de Ana, ela escreveu que o rei não tinham “nem vigor, nem habilidade” em seu desempenho sexual.

O rei era cinco anos mais novo que sua primeira esposa, e já havia tido casos extra-conjugais, o mais famoso com ‘Bessie’ Blount, que lhe deu um filho; e com Maria Bolena, que pode ter concebido filhos do rei, embora as evidências são inconclusivas. Tal comportamento era esperado naquela época, embora na maioria das vezes os homens da corte procurassem satisfação em outros lugares. Homens de classe alta não seriam condenados por buscarem satisfação sexual com mulheres de classe mais baixa, vistas como fisicamente mais agradáveis do que suas mulheres aristocráticas. Os homens da corte do rei teriam pouca dificuldade em encontrar mulheres disponíveis, fosse nos corredores de Westminster, Greenwich ou Whitehall, ou então nos bordéis. Cortesãos do rei, como Sir William Compton, ajudava a facilitar os negócios, possivelmente organizando reuniões em sua casa, em Londres. Obviamente, as inúmeras casas de caça e de campo reais proporcionavam oportunidades em outros lugares. O rei também poderia contat com a discrição dos envolvidos.

O comportamento de Thomas Culpeper também é explicado neste contexto. Como primo e possivelmente amante da quinta esposa de Henrique, Catarina Howard, Culpeper encontrou a morte no final de 1541. No entanto, ele já havia cometido crimes piores do que adultério. Quando jovem, ele havia desejado uma mulher que ele encontrou casualmente, e depois a estuprou quando ela o recusou, e assassinou seu marido. Ele foi perdoado pelo rei, o que parece inexplicável para nós agora. No entanto, no contexto de relações sexuais entre as classes, as ações de Culpeper indicam um sentimento de direito de possuir as mulheres de classes baixas. Felizmente, essa não parece ter sido a regra. Teria então o rei, com sua reputação de vida lasciva e seu amor pelas mulheres realmente se absteve de encontros casuais, uma vez que já se esperava que homens aristocráticos tivessem encontros com mulheres de classes baixas para encontrar alívio? É sem dúvida improvável.

Um episódio, no final de 1537, depois que Jane Seymour, sua terceira esposa, entrou em confinamento por causa do trabalho de parto, ilustra como Henrique estava preparado para iniciar relacionamento com outras mulheres: um tal de William Webe tinha saído para caminhar com sua amante, quando o rei os viu, beijou a mulher e levou-a para “viver com ele em adultério”. Desse modo, a devoção pura e romântica que Henrique tinha para com Ana, a mulher que ele esperava fazer a sua segunda esposa, não necessariamente impedia esse tipo de comportamento.

Existe um grande rumores de que o rei era sexualmente ativo, e relatos de que ele teve filhos ilegítimos chamados Thomas Stucley, Richard Edwardes e Ethelreda, todos nascidos no final da década de 1520. Como sabemos, entre 1526 e 1532 Ana negou a Henrique a consumação do seu amor. Nas cartas, é possível ver um certo grau de intimidade física, mas é claro que ato não ia até o final, aumentando o desejo e frustração do rei.

Desde os 17 anos, Henrique estava seguro de ter a afeição da mulher que queria: afinal de contas, ele era o rei, e não importasse quanto tempo pudessem resistir, poucos poderiam negar os benefícios de uma associação com o rei, fosse de uma amante a curto prazo ou de uma fixação mais permanente. Na prática, a honra e a vantagem financeira superaram qualquer estigma social de ser a amante do rei, e ter um filho do soberano, mesmo que ilegítimo, poderia ser uma chance única para uma mulher sua família.

Durante o casamento com Catarina de Aragão, Henrique era um católico devoto e tradicional. A linha da pré-reforma rigorosa sobre adultéri oe ilegitidade não poderia ser mais claro – fornicação, o sexo fora do casamento ou apenas por prazer, era contra o ensino religioso. A relação sexual dentro do casamento era aceitável apenas para a procriação de filhos, e as penalidades pela transgressão dessas regras deveriam ser duras e pública: multa e punição física.

Mas isto não se encaixava com a realidade do casamento no momento. A maior parte da aristocracia Tudor procurava o romance e a satisfação sexual em ouros lugares. Dentro da intensa corte dos Tudor, a atração física ilícita era inevitável. Cada mulher rica era cercada de jovens para atendê-las, muitas vezes belas e bem-nascidas, com as quais era posível flertar nos jardins do palácio ou durante alguma festa.

Embora Henrique estivesse em busca de um filho ilegítimo, esses seis anos representaram uma diminuição significativa da sua fertilidade. Em 1527, o rei não poderia saber quanto tempo o processo levaria, mas com o passar dos anos, ele realmente seria um cavalheiro romântico o suficiente para permanecer celibatário por tanto tempo? Considerando que ele usava o lema “Coração Leal” com sua esposa enquanto desfrutava de outras mulheres, não parece que a devoção romântica necessariamente impedia encontros com outras mulheres. Henrique famosamente declarou que era “um homem como qualquer outro”.

Claramente, essas possibilidades podem dissipar a imagem da corte romântica de Henrique, mas não deve prejudicar a reputação do rei ou seu desejo genuíno por Ana. Devemos nos limitar a redefinir os conceitos de lealdade e romance com os padrões do século XVI, e não XXI.

Bibliografia:
LICENCE, Amy. “Henry VIII: the Celibate Years ?“. Acesso em 5 de Janeiro de 2015.
WARREN, Jane. “What really went on in Henry VIII’s bedroom?“. Acesso em 5 de Janeiro de 2015.

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