Como Henrique VIII foi influenciado pelas mulheres de sua vida

Todos sabemos que aos 10 anos de idade as crianças já mostram suas personalidades, embora eles possam ser moldados por eventos. Neste ponto de sua vida, Henrique estava em uma família que tinha ganhado o trono da Inglaterra pela força, ao invés de direito. Seus pais sentiam que sua nova monarquia era precária, pois ainda tinham inimigos que queriam derrubá-lo do trono. Apesar de que Henrique tenha sido protegido e mimado – embora não tanto quanto seu irmão mais velho e herdeiro, o Príncipe Arthur – ele pode ter sentido o desconforto de seus pais, sempre ameaçados em sua dinastia.

Elizabeth de York, mãe de Henrique, também teve muitas tragédias na sua infância e, sem dúvida, transmitiu uma certa cautela para seus filhos. Após a morte de seu pai, sua família foi prisioneira, e seus irmãos provavelmente foram assassinados. Elizabeth também tinha perdido dois filhos precocemente. Sobre Henrique, ela pode ter derramado afeto, mas provavelmente temperado com tristeza e um comportamento nervoso. Tendo um irmão mais velho, ao contrário da maioria dos príncipes modernos, Henrique foi criado em uma casa majoritariamente feminina, com suas duas irmãs, e quase certamente aprendeu a ler e a escrever com sua mãe.

Logicamente, era dever da rainha produzir herdeiros reais para ajudar a solidificar a nova monarquia. Após a morte de Arthur, o mundo de Henrique, de dez anos foi virado de cabeça para baixo. Ele passou para a condição de herdeiro para a noite para o dia, e começou a ser muito melhor tratado pelos nobres e seu pai. Se foi aí que Henrique aprendeu como um rei precisa de herdeiros do sexo masculino, não se sabe.

Talvez porque seus pais temessem perder seu segundo filho, como acontecera com o mais velho, a juventude de Henrique Tudor foi altamente regulada. Então, o jovem príncipe não foi enviado para as fronteiras de Gales para aprender a arte de governar assim como Artur, mas foi mantido na corte, de onde não era autorizado a sair a não ser por uma porta que levava ao jardim. Ele também não podia falar em público, e passou a morar num quarto que  tinha ligação com a do rei, de modo que ninguém poderia ir à ele sem antes passar por Henrique VII. O novo príncipe  também passou a ser proibido de praticar atividades perigosas, como caça e luta – que eram seus esportes favoritos.

Sua mãe, Elizabeth, e a avó paterna, Margaret Beaufort, tinham vigilância direta sobre a criação de Henrique, tanto que a influência delas foi decisiva e incluía uma forte ênfase na reconciliação entre os Tudor e as antigas famílias nobres York, que tinham sido proscritas durante a Guerra das Rosas. Elas se esmeraram em ensinar também a piedade e a devoção religiosa, preocupações que se tornaram bastante significativas para a formação de Henrique.

Logo no início de seu reinado, Henrique VIII buscou reinstalar na corte os membros de sua família com ligação York. Sua mãe e avó eram patronesses da Ordem dos Observantes Franciscanos e dos Cartusianos, devotas do culto ao Sagrado Nome de Jesus e, mostrando a influência que tinha de sua família, isso serviu para estimular o interesse de Henrique pela teologia. Mais tarde, quando nem seus antigos parentes York nem os Cartusianos o ajudaram na época do processo pela anulação de seu casamento com Catarina de Aragão, Henrique os perseguiu com extrema vingança, o que traduzia sua crença de que havia sido traído por sua própria família e dependentes.

A autora Julian Hamilton trouxe à tona um ponto interessante em seu romance “Ana de Cleves” quando nota que até mesmo a religião de Henrique VIII era fortemente influenciada pelas mulheres de sua vida: quando estava casado com a católica Catarina de Aragão, Henrique era fervorosamente católico. Depois, quando casou-se com a protestante Ana Bolena, tornou-se protestante; quando casou-se com Jane Seymour, começou a voltar-se um pouco mais para os ritos e tradições católicas; depois para os protestantes novamente com Ana de Cleves e Catarina Parr.

Para David Starkey, estudioso do período Tudor, as cartas e registros sobreviventes indicam que sua mãe, Elizabeth, foi a maior influência em sua educação e personalidade. Ele foi criado por ela até 1503, e foi um menino que se tornou emocionalmente dependente das mulheres à sua volta: ele nunca poderia ficar sem uma mulher em sua vida, e estava sempre se ‘apaixonando’. Ele se casou, pelo menos com a maioria de suas esposas, por amor.

Bibliografia:
HARPER, Karen. How Henry VIII Was Shaped By His Family. Acesso em 6 de Março de 2013.
DWYER, Frank.  Os Grandes Líderes: Henrique VIII. Nova Cultural, 1988.
MOORE, Matthew. Henry VIII ‘emotionally dependent on women’. Acesso em 6 de Abril de 2017.

Anúncios

2 comentários sobre “Como Henrique VIII foi influenciado pelas mulheres de sua vida

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s