Hilary Mantel: escritoras devem parar de empoderar falsamente mulheres na história

Os escritores devem parar de reescrever a história para tornar suas personagens femininas falsamente ‘empoderadas‘, disse Hilary Mantel. Romancista vencedora promênio Man Booker, disse que escrever sobre as mulheres na história tem sido uma dificuldade persistente para seus contemporâneos, que não conseguem resistir em tornar mulheres na história fortes e independentes. “Qualquer um que exagere sobre a diferença entre o papel dos homens e das mulheres em certos períodos históricos deve“, ela disse,“tentar procurar outro emprego”.

Mantel questionou se os escritores devem ‘retrabalhar a história para que as vítimas sejam as vencedoras’:

“Muitos escritores de ficção histórica se sentem atraídas para as ‘histórias não contadas’. Eles querem dar uma voz para aqueles que foram silenciados. A ficção pode fazer isso, porque se concentra no que não está nos registros. Mas devemos ter cuidado quando falamos pelos outros. Se escrevemos sobre as vítimas da história, estamos reforçando seu status ao detalhá-lo? Ou devemos retrabalhar a história para que as vítimas sejam as vencedoras? Esta é uma dificuldade persistente para as mulheres escritoras, que querem escrever sobre as mulheres no passado, mas não conseguem resistir em empoderá-las. O que é falso. Se você fica afrontado pela diferença, então deve tentar outro emprego”

Ela acrescentou: ‘um bom romancista terá seus personagens operando dento do quadro ético de seus dias – mesmo que choque seus leitores‘.

“A outra garota na história”. Uma matéria de jornal conta que Gregory chegou a enviar um e-mail para Mantel, mas não recebeu uma resposta.

Ela não indicou nenhuma escritora nessa crítica – mas é impossível não pensar em Philippa Gregory, reconhecida por suas personagens femininas fortes. Em uma entrevista de 2013, a autora afirmou que quanto mais pesquisa fazia, mais achava que havia ‘história não contada‘ das mulheres na história.

‘Elas eram mulheres fortes e poderosas que lutaram por seus próprios interesses e pelos interesses de sua família. Eu acho que muitas vezes as imaginamos menos poderosas do que foram porque dependemos muito das descrições escritas por homens na época que enfatizavam suas virtudes – que incluiam obediência, dever e sofrimento’.

Essa foi a segunda controvérsia que Mantel se meteu esse ano. Em uma aparição no Festival de Literatura de Oxford, ela criticou romancistas históricas que ‘tentam criar credenciais ao afixiarem a bibliografia’ – ou seja, criar uma história ignorando deliberadamente fatos históricos.

Em sua palestra em Reith, transmitida pela Radio 4 no final de maio, Mantel disse que a ficção pode ficar lado a lado do trabalho de verdadeiros historiadores. Os leitores, ela argumenta, não são ‘vítimas que precisam de proteção’, mas são capazes de lerem romances históricos e sem precisar destruir a história.

Fonte: The Telegraph

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74 comentários sobre “Hilary Mantel: escritoras devem parar de empoderar falsamente mulheres na história

  1. Concordo muito. Tudo tem limites, se quer escrever uma história sobre “empoderamento”, escreva um contemporâneo. Precisão histórica em primeiro lugar!

  2. Isso é uma grande verdade. É triste! Mas as mulheres foram “silenciadas” por séculos. Claro que sempre temos as exceções como exemplo cito Heloísa de Argenteuil (erudita medieval, que foi casada com Abelardo, constituindo um dos romances mais lindos e trágicos de toda história)
    – p.s: o romance deles foi retratado no filme “Em Nome de Deus de 1988. Clássico.

  3. Eu concordo, em parte. Existiram sempre mulheres à frente do seu tempo, independente da era. Escrever alguém assim não trm problema ao meu ver. O problema é escrever como se isso fosse normal ou rotineiro e totalmente aceitável. Vejo às vezes mulheres bravas pq no livro a mulher foi vítima de violência ou preconceito, sendo que naquela época era comum certos acontecimentos. Se vc não tem estômago para aceitar esses fatos, melhor não ler. Não se trata de romantizar a violência e sim, algumas escritoras tratam do tema de forma condizente com a época.

  4. Se a gente aceita elfos e gigantes em história medieval por que não uma mulher que pensa? Precisão histórica na ficção acho válido em alguns momentos e dispensável em textos de fantasia, por exemplo. Vale lembrar que Elizabeth Bennet é super empoderada e ninguém reclama de Jane Austen não ser historicamente correta

    • Elfos não existem na vida real e os livros de austen se passam no período dela, ou seja, são contemporâneos. A autora faz referência a autores de hoje que escrevem sobre mulheres do passado.

      • A Jane não deixa de ser correta historicamente pq ela viveu naquela época. Escrever personagens que pensam não é ser historicamente incorreta. Agora escrever personagens que fazem atos extraordinários de empoderamento dentro de um contexto limitado é impensável e é o que a autora da matéria diz em “qualquer um que exagere sobre a diferença entre o papel do homem e da mulher em certos períodos históricos”.

    • Elizabeth Bennett é uma personagem, não é uma figura histórica. O mesmo vale para a Sansa. E não se engane: nenhuma das duas é feminista. São poderosas à sua maneira, de acordo com a época em que a história se passa. Aliás, essa forçada de mão no feminismo é desnecessário. Catarina de Médici, Eleanor de Aquitânia e Isabel de Castela foram mulheres fortes e de muito poder. Nenhuma delas era feminista.

  5. eu acho essa questão muito complicada lembro da cena da sansa sendo estuprada em game of thrones no seriado não no livro, muita gente não gostou, sei lá acho que se for ficção não vejo problemas em mudanças

    • Quando é ficção dentro de ficção eu não vejo problemas. A questão é “reescrever” a história de mulheres colocando elas em um protagonismo que não existiu :/

  6. se for um livro que conta algo que aconteceu lógico que não fará sentido dependendo da história, agora em ficção eu jogo fora um livro que a mocinha fica sofrendo do começo ao fim, ou não tem protagonismo nenhum

  7. Amei a matéria e o que Mantel defende. Já está chato essas personagens irreais e um tanto chatas.

  8. Ai gente que escrota e que mulher amarga. Deixem as escritores escreverem com enpoderamento ( até pq é REESCREVER, nnão ta dizendo que foi assim). Bem escrota dizendoq ue essas esscritoras devem parar de escrever. 😷

  9. Antes de qualquer coisa, precisamos definir entre o trabalho do historiador, e o do literato. Ficção não tem obrigação com o historicismo.

      • Entendi o que quis dizer. Inclusive concordo com o fato de que personagens reais, como Ana Bolena, se retratados de acordo com sua temporalidade, nos trazem uma riqueza de consciência sem tamanho.No entanto, tecnicamente falando, acho que apenas o literato não deve se preocupar com o anacronismo, porque a arte é inteiramente livre. Mas como uma apaixonada pela História, acho que a arte é muito mais rica, quando contextualizada. Não há como dissociar história e tempo, porém, se tratando de arte…..

        Adoro essa página.

  10. 👏 Existem uns escritores que querem criar personagens do modo deles, mesmo sabendo que era uma pessoa que já existiu e que não tem nada haver com suas descrições..

  11. Concordo com ela. A questão é compreender que foram mulheres de suas respectivas épocas, sendo, portanto, fruto dos pensamentos delas. O que teria sido o feminismo? Um movimento que busca por direitos iguais. Rainhas como Eleanor de Aquitaine, Isabella da França, Margaret d’Anjou, Mary I e até mesmo Elizabeth I nunca quiseram isso. Pelo contrário, usaram de seu sexo para conseguir muita coisa, é verdade, mas jamais levantaram a bandeira de uma mulher igual ao homem, ou não teriam se “masculinizado” enquanto seguraram o poder. É totalmente errado impor uma visão contemporânea na figura delas. Embora seja natural observar que essas mulheres citadas se levantaram em um mundo predominante masculino, desafiando o senso comum, o que compreensivelmente traz respeito, é errado atribuir o movimento feminista a elas porque reproduziam conceitos que as moldaram enquanto atores sociais, mulheres dentro de seus contextos que dificilmente ajudariam outras de seu sexo a fazer o que fizeram. Na verdade, a própria Elizabeth I afirmava que era dever de uma mulher servir o marido, e a ele dever obediência. Margaret d’Anjou jamais questionou as ordens das coisas, nem sequer Elizabeth Woodville assim o fez. Ambas ressaltavam, ao contrário, o dever da mulher como esposa e mãe, cientes das expectativas sociais que cercavam seu sexo. Essa questão de “empoderar” um personagem porque se sobressaiu a uma sociedade masculinizada é, a meu ver, errado porque induz à falsa ideia de que as mulheres tinham uma consciência de si como nós temos hoje. É impôr um conceito contemporâneo, volto a dizer, numa sociedade de hábitos, pensamentos, cultura diferentes de nossas. O problema está na “vitimização” que fazem de personagens como a Anne Boleyn, e esquecem-se que foram seres humanos que tinham suas falhas e qualidades. Claro que essa é minha opinião e ninguém é obrigado a concordar com ela, mas há que se refletir essa vontade de querer exaltar uma personagem histórico, seja de que época for, para embasar um movimento que nada tem a ver com o contexto vivido.

  12. Que cacetada !! Nem sei o que pensar. ..pq com certeza tem coisas exageradas mas também teve mulheres fortes e independentes

    • O grande lance é tentar empoderar uma personagem feminina que na verdade não era tão empoderada assim, passando por cima de fatos e documentos históricos pra “enriquecer” o próprio livro.

      • O texto é curto e um pouco vago, mas colocou em xeque a escrita de algumas autoras! Quando o livro e 100% ficção, com personagens fictícios é uma coisa, mas quando se baseia em fatos históricos, são raros os que são fieis. Até mesmo a descrição física dos personagens chega a ser por demais fantasiosa! As vezes prefiro ler livros 100% fictícios para não me decepcionar com o livro e com o autor!

  13. Se fosse um livro histórico, em que retratasse uma personalidade real, até entendo. Mas porque a mulher não pode ser a frente do seu tempo em romance histórico ? É um livro de fantasia, onde a imaginação rola a solta. Acho ela arrogante, não conheço o trabalho dela, mas acho que se ela está infeliz, ela que deveria parar de escrever. Se for assim, tem que parar de escrever livros com bruxos, elfos, vampiros, lobisomens e milionários gostosões, que não existem. Tantos trabalhos e artigos com falsos históricos, e ela me vem falar merda.

    • Aline, romance histórico se inspira em personagens e fatos reais, vc está confundindo com romance de época ;)

      • Exatamente. Quando se cria histórias,,até “inspirado” em personagens históricos (como game of thrones) não vejo problema. Mas a questão é usar de pessoas que realmente existiram e tiveram suas palavras e ações registradas, e querer ignorar isso pra criar sua própria versao da história sobre essa pessoa. Um dos pontos que tem sido muito levantado é a utilização do “feminismo” em mulheres e rainhas que nada tinham a ver com esse conceito na época.

        • Pois é… Não adianta querer distorcer a história de um personagem real, pq acha que a história de vida dele não é tão interessante assim… Já vi cada absurdo, e olha, a Philippa Gregory é uma das que mais deturpam a história… Vide o que ela fez com a Margaret Beaufort e a Ana Bolena.

          • Sim! Eu tenho uma relação de amor e ódio com Gregory. Eu acredito que se não fossem os erros históricos-temporais escrotos, eu adoraria os romances. Adoro, por exemplo, a idéia de que Catarina possa realmente ter dormido com Artur e escondido esse fato durante o processo de divórcio – essa sempre foi uma dúvida, e nunca pode ser provada. E também… adoro a Ana ‘má’ de Gregory. Diversos registros mostram que ela era, digamos, ‘má’ (em relação aos espanhóis, seu tio, Charles Brandon, etc) – e eu não acho que isso fosse necessariamente ruim. Mas enfim, acho quase impossível aproveitar as personagens que ela criou em história tão cheias de erros….

            • Eu não cheguei a ler nada da Gregory, mas vi The Other Boleyn Girl (odiei) e The White Queen, achei vários erros. E tenho acompanhado comentários de The White Princess que parece que tá ainda pior. Ou seja, não gasto meu dinheiro com livros dela pq sei que vou passar nervoso.

              • Eu raramente assisto séries, tenho problemas com figurinos – fiquei traumatizada com The Tudors, mal consegui ver Reign. Mas gosto muito ler, sempre tento comprar os romances que são publicados sobre os Tudor. Já li quase todos de Gregory, principalmente a saga Tudor. E na verdade, o livro da ‘A irmã’ não é TÃO horrível (ainda é, mas não tanto quanto o filme). Tem bem menos erros de tempo histórico (quando Ana chega, Maria já estava na Inglaterra – nada daquela palhaçada de ir pra França no meio da história), mas enfim, o que detesto é como deixam Henrique como se fosse um joguete nas mãos das mulheres :/

  14. Ficção não é biografia. Quem quiser fatos que leia biografia. Eu quero boas narrativas ficcionais mesmo que fora do contexto factual histórico.

    • Mas se você faz ficção em cima da vida de alguém não deveria respeitar no mínimo o contexto histórico e o que essa pessoa fez ou deixou de fazer? Acredito que essa é uma das principais questões, ignorar a história para que o seu personagem tenha mais poder do que realmente teve.

      • Maria Helena vejo da seguinte forma, é preciso haver distinção na função de cada uma, biografia tem caráter informativo, descritivo, factual. Ficção tem liberdade de abordar versões diferentes, independente de se prender a fatos. O objetivo da ficção não é informar, é entreter. Leio biografia e ficção e tenho a função de ambas bem distintas na minha mente quando leio.

        • Diana AG Se você for escrever um livro baseado em um personagem histórico e escrever coisas que ele não fez, não disse e nem teve a mínima influência para decidir, então acho que você não deveria escrever sobre alguém que de fato existiu para começo de conversa – coloque-o num novo mundo ficcional, como GG Martin fez com Game of Thrones. Sou historiadora e simplesmente não consigo concordar em colocar palavras e ações falsas em uma pessoa que de fato existiu e se tem registro do que a pessoa fez ou deixou de fazer :/ Inclusive, acho um desrespeito com a pessoa. É diferente de querer abordar ‘outra versão da história’ (que é super válido, e que foi exatamente isso que Mantel fez, ao criar uma história para Cromwell). Ao criar fatos e pessoas, na verdade você está criando outra história.

          • Maria Helena acredito que isso é da opinião de cada um, como leitora gosto de ler histórias que traçam outros destinos para personagens que realmente existiram. Faz parte da fantasia, daquela pontinha de curiosidade que temos em relação a alguns personagens históricos e imaginamos “e se…”

            • Diana AG Sim, eu concordo! Haha. É aquela questão, não tenho nada contra, até conheço gente que gosta kkk Eu gosto muito de romances, e me ‘especializei’ na compra de livros do período Tudor (publicados em português), então já li praticamente todos publicados aqui ou em portugal. E adoro quando fazem romances- mas quando fazem da ‘maneira correta’. Por exemplo, existe um livro fantástico chamado ‘ Sempre no meu coração’ (tem no Estante) que conta exatamente a história da dinastia Tudor SE Artur tivesse vivido. Como seria a vida de Henrique Tudor, de Catarina de Aragão, enfim! Foi ótimo.

  15. Finalmente alguém falou!!!!
    Eu concordo. Não adianta contarmos uma estória se passando por história.
    E os leitores deveriam questionar mais as fontes das obras ficcionais que lêem e assistem. Vejo muita gente que acha que se é “de época” é baseado em fatos reais.

    • A maioria não sabe a diferença de Romance de época, histórico e clássico aí ficam nessa de achar que no histórico o personagem tem que ter idéias do nosso tempo.

  16. Até pq romance histórico é diferente de romance de época.
    Eu prefiro o de época pq gosto de ver essas mulheres empoderadas enquanto eu acho que no histórico tem que segurar isso.

    • Vdd n faz sentido, se for um romance atual, amo ver mulheres empoderadas, agora se é de época, n tem como, era repressão total, tem q pegar leve…

  17. Apesar do texto não possuir maiores informações, há algumas informações com as quais eu concordo e se refere a forma como o personagem é mostrado e a reação dos leitores. Creio que em muitas situações nos livros, autores optam por contemporizar para que seus leitores sintam-se mais confortáveis. No caso de personagens femininas, uma abordagem realista tende a causar indignação nas leitoras diante da injustiça e da complacência das personagens. É aí que entra o falso empoderamento. É muito difícil a alguns leitores ler os livros no contexto em que estão inseridos. Então é por isso que algumas liberdades são tomadas e isso prejudica a compreensão de histórias que contam fatos históricos. Podemos ver isso na novela das seis atual: eu ouço de diversas pessoas como está sendo bom conhecer nossa história, quando sabemos que alí, embasamento teórico é tudo que não se tem ali.

  18. Concordo plenamente. As vezes chega a ser incômodo seguir com a história. Mesmo apelando para a “supressão da descrença”.

  19. Concordo um pouco. Quero estar inserida em uma leitura de acordo com a época. Ter uma personagem ou outra mais pra frente é OK e interessante dependendo do livro e na medida certa, sem exageros. Qto a personalidades que existiram é bom que seja o mais fiel possível, algumas vezes tb ta OK fazer uma mudança ou outra dependendo do que se quer abordar no livro, a gente tem que ter o cuidado pra não achar que a tal pessoa era assim de verdade.

  20. E é sempre bom esclarecer que romance histórico ou ficção histórica é uma narrativa que se passa em um contexto histórico real (que deve ser respeitado, sim, mesmo que não seja “agradável aos olhos”), com personagens que podem também ser fictícios, isso significa que, mesmo que você crie uma personagem (fictícia) forte, essa sua característica deve estar muito bem misturada ao contexto, o que só fará bem à história. Verossimilhança e coerência são características essenciais nesse tipo de narrativa. Se não se sente à vontade para fazê-lo, se não é capaz de entrar no personagem e olhar através dele para sua época, sua realidade e ali encontrar elementos para contar uma boa história, escreva um romance (mas não o chame de histórico), crie seu mundo, sua realidade alternativa, mas não chame de histórico. ;)

  21. Eu não concordo. Nem toda história de época procura fidelidade histórica, mesmo quando usampersonagens reais. Pode ser um erro escreve-te dizer “esta era a pessoa que não conhecemos na realidade, a biografia não contada”, mas não fazendo essa afirmação, o escritor tem total liberdade na hora de escrever. Restringir essa liberdade é tentar dizer qual a função da literatura. É ser um registro histórico? É ser informativa? O escritor deve sempre se ater a realidade? O leitor não pode ler um livro simplesmente por prazer? O escritor não pode escrever simplesmente por prazer? As razões de uma obra literária são diversas, tendo variadas recepções para diferentes tipos de pessoas. Falar “um escritor não deve…” é a única coisa que um verdadeiro escritor não deve fazer.

  22. Não aguento históricos em que pegam em figuras reais e colocam romances, revoluções e mudam a personalidade dos personagens, principalmente as femininas. Pelo fato de hoje em dia as mulheres estarem no mercado de trabalho, tem umas autoras que acham que vão escrever todas as personagens delas como uma Joana Dark. Talvez se elas se focassem em ter personagens satisfeitos com a sua vida, e não personagens que só façam sexo e sejam empoderados por isso, os livros históricos fossem melhor. Tem um drama coreano, goblin, que o principalmente virou imortal, com 38 anos e virgem, pois era um general. Os comentários das pessoas eram o porquê dele ser virgem, o que faz sentido, um general, sempre em guerra e querendo agradar o seu rei, porque não podia querer viver sem sexo? É prioridade para ele sair vivo da batalha, ter vitórias. Me parece realista, principalmente quando falamos de tempos antigos em que cada pessoa tinha um papel na sociedade e tinha de fazer o seu papel, pois eram tempos de guerra.

  23. Eu acho isso estúpido. Um romance de época por definição não tem obrigação histórica (diferente dos romances históricos), o lugar e período não passam de cenários para que o romance seja contado. Além do mais, a história já aconteceu, nada vai muda-la, mas isso não impede que autores e autoras possam reescrever pessoas e situações com uma visão mais otimista uma vez que sua obra é ficcional. Não existem os robôs do Isaac Asimov ou as viagens intergaláticas do Douglas Adams, mas isso não os impediu de escrever possibilidades.

  24. Sabe, acho que é por isso que eu sempre dou preferência aos históricos ante os de época. Tem coisas que me deixam meio passada, por exemplo, o excesso de educação formal de algumas personagens, quando se sabe que a mulher não tinha essa abertura toda. Concordo, porém, que autoras estão distorcendo a história para compor suas heroínas. Um exemplo tosco, mas atual, e nem de livros é, é de novela, é o que a Globo está fazendo com Leopoldina e Domitila. Já vi gente xingando a marquesa de todos os nomes sem tentar nem ler sua verdadeira história, bem como vi pessoas acreditando que a Leopoldina era uma sonsa, quando a verdade é bem diferente disso.
    Nos seriados eu odiei o que fizeram com a Mary em Reign, transformando-a em uma adolescente periguete.
    Claro que para ler história pura eu aconselharia biografias ou livros de História, mas a pessoa pode dar um tom de romance sem precisar pirar.

  25. como historiadora e romancista histórica, concordo. Se me proponho a escrever sobre uma época, tenho de me ater aos costumes e realidade do período histórico, pois assim como eu, os leitores desse tipo de literatura gostam de ler sobre aquela sociedade e os costumes do período. Estou escrevendo um livro no ano de 1359 na Escócia e Mhairí, casada com Niall entende que seu casamento foi arranjado para unir os clãs e que ela tem o dever de propiciar o herdeiro ao marido. É essa a realidade medieval para as mulheres,.. Acredito que se o autor necessitar modificar algo para que sua trama encaixe na história, ele poderá deixar uma nota aos seus leitores, explicando o que modificou. No entanto, colocar pensamentos atuais em personagens que não são de nossa época, em minha opinião faz com que o livro seja classificado de pura e simplesmente ficção. Quando dava aulas, cansei de ouvir minhas alunas comentarem: se fosse eu não obedecia, se fosse eu, não casava somente porque meu pai mandou, ao que eu sempre respondia, a mulher daquela época não era como vc,..

  26. Romance histórico e romance de época é a mesma coisa. Em inglês tudo é Historical romance. O difere é o tema.

  27. Concordo discordando. Primeiro, porque quem impõe sua verdade sobre todo e QQ tipo de escrita, generalizando, é de um arrogância absurda. E isso não contribui em nada para o discurso que ela propõe abordar, e que possui uma série de contrapontos, um deles, como já posto aqui, é o fato de que existe uma diferença entre Romance Histórico e Romance de Época, e se pensarmos mais um pouco, existem alguns que transitam entre os dois. Polarizar as coisas desta forma só traz crítica pela crítica. Não traz aprimoramento. Autor (a) que escreve os gêneros geralmente pesquisam muito para escrever, eu já cheguei a procurar plantas e mapa de terrenos. Tenho certeza de que a maioria dos colegas têm esse mesmo carinho por suas histórias. O tema é interessante de ser discutido, mas não nesse tom. Até pq não somos donos da verdade.
    Sejamos honestos, caso todo autor escrevesse literalmente a realidade da época, em se tratando dos séculos passados, de quinze em quinze livros haveria apenas uma mocinha digna de admiração pela ótica de hj.
    Qto a novela, todos temos ressalvas, eu nem assisto pq sei que foi deturpada em quase todos seus pontos, mas se vc pensar que a maioria dos telespectadores do horário são mais jovens, o tema abordado maçante p muitos, se vc não adequar discurso e pegada, dá adeus aos patrocinadores. E TV não é ONG, conteúdo sempre foi o menos valorizado. Tem que vender.
    E esse é o tipo de análise que tem que ser feita sob a proposta da Hillary em cada livro, cada narrativa. Não apenas apontar o erro.
    Tem que se primar pela contextualização, mas tem se tb que olhar caso a caso para se tecer crítica.

  28. Joana D’arc, Anita Garibaldi, Hipacia, Ada Lovelace entre outras reviraram no túmulo. Antes de escrever sobre a fraqueza das mulheres, essa aí precisava ler um pouco de história.

    • Acho que você está perdendo o ponto da coisa. A questão é colocar mulheres (que foram ou não poderosas pra época) fazendo coisas nas quais seriam impossíveis estar, fazer ou ter influência, e ignorar a bibliografia histórica que prova isso. Ou seja, ignorar os fatos e as convenções sociais da época para deixar uma personagem histórica mais ‘poderosa’.

      • A questão é que a literatura também foi escrita por homens que colocaram todas as mulheres na sombra, você acha que hoje em dia as mulheres têm voz ativa porque algo mudou na genética? Não, é a natureza humana, antes de o Cristianismo ser o centro das religiões na Europa, haviam sacerdotisas que dominaram povos, houve um grande massacre a força das mulheres, mas isso não quer dizer que você não possa colocar uma mulher forte naquela época, sempre existiram e sempre existirão mulheres que não se abaixam.

        • Então, acho que você está pegando 4 exemplos bons em milhares de mulheres…Mesmo as que citou, fora a pobre Joana, tinham uma liberdade incomum. Anita era casada desde os 14 anos por decisão da mãe dela, e trabalhava para sustentar a família, Hipacia viveu em uma época em que, apesar de muito “inferiores” socialmente aos homens, as mulheres poderiam, dependendo de suas famílias, ter acesso a algum tipo de educação e Ada era filha do super progressista, libertino e piradão Byron…e foi incentivada por sua mãe a ser uma pessoa lógica para evitar que seguisse os passos do pai. Acredito que mesmo elas tinham muitas limitações, tanto que Ada e Anita só se sobressairam depois dos casamentos (no caso de Anita pior, depois de um abandono e um casamento).

          • Isso é relativo. Falo sobre os Tudor porque são deles que eu entendo – mas nesse período, as mulheres dessa época, por mais poderosa que fossem, sabiam ‘seu lugar’ na hierarquia. Elizabeth I, Eleanor de Aquitaine, Isabella da França, Margaret d’Anjou, que ás vezes chegam a ser chamada de feministsa, nunca lutaram pela educação das mulheres e coisas afins. Elas conseguiram se destacar em um mundo masculino, mas foram dentro do seus contextos e sempre afirmaram que era dever da mulher servir o marido, ser mãe e esposa.

            • Gata o pensamento sempre existiu, você acha que usa calças ou escolhe o seu namorado porque no século XX os homens nos reprogamaram? Não, sempre houve mulheres na luta, algumas viraram fogueira, outras eram párias, afinal quem quer uma mulher que pensa? Esse texto é a sintaxe perfeita que mantém os homens como entendedores até hoje, o cristianismo massacrou as mulheres em seus primeiros séculos, mas não pense que calou e silenciou todas.

              • Acho que ainda estamos saindo do ponto. O que está em questão para mim não é a conquista das mulheres ao longo dos séculos, e sim escritoras que colocam ações e palavras em mulheres da história – mulheres essa que reconhecidamente não eram feministas e não fizeram nada para mudar a situação das mulheres do seu período.

  29. O que está em questão é determinar a personalidade de todas as mulheres de acordo com os tempos, há sim mulheres fortes e fracas em todas as questões, dizer que um romance deixa de ser histórico só porque a mulher era forte, é uma das maiores idiotices que já vi.

    • Acho que novamente está saindo do ponto da discussão iniciada por Mantel. A questão não é dizer que as mulheres na história foram fracas ou fortes. E sim ignorar FATOS históricos para fazer com que uma mulher PAREÇA mais forte para os leitores, colocando ações que ela não fez e eventos dos quais ela não participou.

      • Barbara, você leu o texto e nao entendeu. O problema é distorcer um texto histórico para ter “empoderamento”, não respeitando a sociedade da época.

        • Só terminando minha participação nessa resposta, acho o feminismo da forma que está hoje um saco. Os princípios de igualdade de direitos e deveres virou só superioridade de direitos. Esse mimimi da lutar e para o que é a mulher tenha o direito de usar calças” não entra na minha cabeça. A luta deveria para a mulher ter mesmo peso na hora de tomar uma decisão e colher seus ônus e bônus na mesma proporção de todos e ponto final.

  30. Eu li toda a série da Guerra dos Primos da Philippa Gregory e gostei muito, não acho que ela “empodere” as personagens, acho que por ela escrever sob o ponto de vista dessas personagens pode dar essa impressão. Mas sempre ficou claro pra mim os limites que essas mulheres tinham, mostra que elas eram mulheres fortes por suportar um casamento sem amor, quase morrer nos partos, acabar perdendo seus filhos no nascimento ou vê-los morrer de qualquer outra forma. Pra mim, mulher forte não é só a influente, a guerreira, a rebelde, também existe força naquela mulher submissa que passou por todo sofrimento sem enlouquecer, porque ela não tinha escolha a não ser suportar tudo aquilo, que desde criança ela já era educada para ser e fazer.

    • É claro. O maior problema que se vê em Gregory é que ela deliberadamente ignora fatos históricos para fazer com que seus personagens pareçam mais fortes (as mulheres). Concordo totalmente com você – existem diversos tipos de mulheres fortes, desde a rainha até a lavadeira da corte. Não é seu status que define isso, e nem nós podemos julgar se elas foram ou não fortes.

    • Acho um problema ignorar fatos para ‘enriquecer’ a história de outro personagem histórico, e não estou falando apenas de mulheres.

  31. Na verdade é historical novel, Aldir Saraiva, ou historical fiction. Mas tem diferença entre eles sim, e não é só tema, e a estrutura do livro em si. Um romance histórico é baseado em fatos ou pessoas que realmente existiram e tem sim um compromisso com fidelidade histórica, mesmo quando o personagem principal é fictício. Se o personagem vivencia os momentos históricos e convive com personagens históricos, esse é um romance histórico. O romance histórico não tem necessariamente um vínculo com uma história de amor em si, embora a maioria tenha. Enquanto que um romance de época é uma história de amor que se passa numa época passada, que pode citar um personagem ou outro real, algum contexto histórico, mas não se aprofunda muito nisso, o foco é mesmo o casal principal e suas dificuldades pra encontrar seu final feliz.

    • Não está errado dizer que um romance de época é um romance histórico. Em um romance de época voce também encontra hábitos e costumes de outras época. O que difere é que existe o romance histórico ficção e não ficção. Nos Estados Unidos eles chamam tudo de histórical romance. No caso desses romances históricos que agente gosta de ler ele tem um sub gênero que é o romance historical novel.

  32. Me lembrei do retrato de Margarete d’Anjou pintado por Conn Igulden na série Guerra das Rosas. Por mais que o caráter forte da personagens femininas seja destacado, os escritores parecem nunca perder de vista que os homens comandavam os exércitos e nada se conseguia sem aliados fortes. Considero o ambiente histórico de Mantel bastante eficiente para suportar a trama, sobretudo mostrando que, homem ou mulher, não havia “indivíduos” naqueles séculos, sem os laços familiares ou de grupo. Creio que a autora quis mesmo declarar que certas escritoras teriam de parar de “emponderar” a si mesmas forçando a barra da história para promover identificação das leitoras feministas do hemisfério norte com as personagens femininas. Devem existir interesses editoriais por trás disso também; se vc pensar que JK Rowling tinha uma grande ideia nas mãos mas não usou um nome feminino de autora, para não espantar os “meninos” das suas estórias. Pelo menos foi o q ouvi falar. Se foi, acho irritante não saber se é homem ou mulher que escreve, mas o q importa no final é a qualidade da ficção ou fantasia, embora a questão do emponderamento esteja em tudo hoje em dia, inclusive na tv e em temas difíceis como escravidão. A maioria está retratando seu pp tempo.

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