Jane Seymour como um fator decisivo para a queda de Ana Bolena

Em 2013 a BBC lançou um documentário chamado The Last Days of Anne Boleyn, com debates entre historiadores e autores de ficções históricas, tentando explicar o que aconteceu para causar a queda de Ana Bolena e os acontecimentos de seus últimos dias. Enquanto você olha para os como, porquês e o quê desses eventos, aqueles que nele aparecem nunca parecem conversar realmente uns com os outros. O resultado foi interessante, embora talvez tenha sido mais curioso o rebaixamento total de Jane Seymour durante a queda de Ana.

O documentário, obviamente, menciona o famoso momento em que Jane devolveu a carta que Henrique VIII havia lhe mandado, junto do dinheiro. Ela não é mencionada novamente, e nenhum dos comentaristas é convidado a comentar sobre sua função ou posição. Isso teria sido interessante, uma vez que pelo menos dois dos historiadores convidados tinham publicações sobre Jane Seymour e a colocavam como parcialmente responsável pela queda de sua antecessora. David Starkey a descreve como a rainha “de companhia” de Henrique, enquanto Alison Weir alega que o caso de Henrique com Jane estava bem estabelecido, e que Ana tinha ficado tão violentamente enciumada que o casal real mal se falava.  Eles não dão a impressão de que Jane foi uma mera personagem. Jane, embora pudesse não ser uma grande jogadora para o trono em seu próprio direito, era uma força polarizadora para os católicos na esperança de derrubar Ana. Ela estava envolvida de alguma forma com uma facção liderada por Nicholas Carew e teve algum apoio de Thomas Cromwell, o que pode ser evidenciado por ele ter dado seus apartamentos privados para ela. Sem esse apoio, ela dificilmente teria tido a possibilidade de se  tornar rainha.

Elly Condron como Jane Seymour na série ‘Six Wives with Lucy Worsley’

O problema com isso é que ele remove qualquer traço de personalidade de Jane, que já é em grande parte perdida pela histórica, fica sempre sendo observada em relação a Ana como mulheres completamente diferentes. Nenhum filme sublima melhor isso do que Henry VIII and his Six Wives em 1972. A Ana interpretada por Charlotte Rampling não tem o tratamento simpático que nós nos acostumamos a ver na ficção moderna. Não há nenhum indício do afeto dela para Henrique – ela ostenta seu corpo para ele, assegurando-lhe que se ele não fosse casado, poderia ter ficado com ela. Como rainha, Henrique parece cansar-se dela facilmente e seu casamento logo se transforma em antipatia mútua.

Jane Seymour é introduzida durante a peça de teatro “Sending the Cardinal to Hell”, em que Ana interpreta um personagem e que Henrique não parece estar gostando. Seu rosto foi enegrecido com maquiagem e toda a corte e seus aliados é mostrado como um ar de corrupção. Henrique anda calmamente mas nervoso, a corte está escura mas revela um luz branca no meio deles: Jane. Não só Jane com seu cabelo louro, pele pálida e um vestido claro em constraste com o mundo decadente e desagradável em torno dela, mas ela olha para Henrique mostrando os mesmos sentimentos que ele. Já Henrique de Ray Winstone (na série Henry VIII em 2003) diz apenas que Jane é “tudo o que minha esposa não é”, mas não consegue transmitir o mundo de diferenças que existe entre as duas mulheres de forma tão eficaz quanto essa cena.

Há também uma sugestão, e é apenas uma sugestão, de que Jane pode estar sendo treinada para agradar o rei. Quando o rei vem para falar com Jane, vemos um homem sussurrando para ela, mas ele desaparece quando Henrique se aproxima. Essa curta cena fica em contraste com diversos aspectos da história sobre Jane: uma inocente noiva virginal, pronta para se contrastear com a queda escandalizada de sua sucessora. Mesmo Henry VIII que dá um dos retratos mais simpáticos de Ana Bolena ainda mostra Jane em uma luz mais positiva. Foi somente mais recentemente, na série The Tudors em 2007, que foi dada a Jane um pouco de ambição, sendo aconselhada em como agir de forma adequada para ser rainha – algo que inicialmente a choca, apesar de que evidentemente não foi tão chocante para que ela não conseguisse interpretar o seu papel. Na série Wolf Hall desde ano o mesmo foi mostrado, com a família de Jane mostrando como ela deveria agir e se comportar – embora desta vez Thomas Cromwell diga que não a apoiará enquanto a rainha de direito, Ana, estiver no trono. Aqui, Jane também não parece muito surpresa com o papel que lhe caberá como nova rainha.

Isso é o mais próximo do que já se mostrou da facção que se reuniu em torno de Jane. Caso contrário, ela aparece apenas lá, como uma oppção conveniente após o aborto de Ana. A Jane de Ana dos Mil Dias de 1969 tem apenas uma fala, aparecendo em apenas um cena em que ela dança até Henrique. O mesmo com A Outra de 2003 em que Jane aparee sentada no colo de Henrique, com o rei flertando, mas mantendo um ar de inocência. Embora com The Tudors e Wolf Hall começamos a ver pelo menos um pouco da ambição de Jane, sabemos que deve ter existido. Talvez estejamos caminhando para um retrato de Jane que se encaixa na descrição de David Starkey dela ter uma mão no assassinado de Ana, como cúmplice, bem como sua substituta, ao invés de observar passivamente e simplesmente aceitar a coroa quanto esta foi oferecida a ela.

Traduzido por mim do artigo “Sidelining Jane Seymour” escrito por Sarah.
Anúncios

2 comentários sobre “Jane Seymour como um fator decisivo para a queda de Ana Bolena

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s