30 de Outubro de 1485: A coroação de Henrique VII

henrique

Apesar de Henrique VII ter vencido na Batalha de Bosworth, havia pouca garantia de que ele permanecia como rei da Inglaterra, pois muitos da Casa de York tinham reivindicações ao trono. Henrique e sua mãe eram astutos, e sabiam que haveriam aqueles que questionariam sua legitimidade, então ele se casou com Elizabeth de York, para unir ambas as casas; datou o seu reinado um dia antes da Batalha de Bosworth, de modo que todos aqueles que haviam apoiado Ricardo III poderiam se classificados como traidores e, depois, arranjou que sua coroação fosse feita antes da primeira sessão do Parlamento após Bosworth. Henrique foi coroado no dia 30 de Outubro, e o Parlamento foi reunido no dia 7 de Novembro. Isso foi feito para que Henrique pudesse afirmar publicamente que não precisava de que o Parlamento o proclamasse rei.

Para assegurar a manutenção das cerimônias e rituais tradicionais, nenhuma despesa seria poupada. No dia 27 de Outubro, Henrique jantou no Palácio de Lambeth com o Arcebispo de Canterybury, Thomas Bourchier, que havia sido bispo por trinta anos e estava na coroação de Eduardo IV e Ricardo III. Depois, ocorreu a procissão para a Torre de Londres, onde Henrique permaneceria até o dia de sua coroação.

No domingo, 30 de Outubro de 1485, Henrique Tudor foi coroado rei da Inglaterra na Abadia de Westminster. Para a celebração, foi utilizado o mesmo texto de Ricardo III, com exceção de que foram retiradas todas as menções à uma rainha, uma vez que Anne Neville e Ricardo foram coroados juntos. A substituição do nome de Ricardo pelo de Henrique pode ter sido feita porque, de certa forma, a legitimidade de Henrique derivava da sua semelhança com Ricardo III: o nome do rei deposto deveria ser substituído pelo novo, legitimado. Na ocasião, cheia de ‘glória e triunfo’ na Abadia de Westminster, Lady Margaret Beaufort, ‘chorou maravilhosamente’ de acordo com uma testemunha.

No entanto, suas lágrimas poderiam ser mais de apreensão do que de alegria: o trono de Henrique era precário, ele não tinha nenhuma experiência de governo e dependia muito da aliança de grupos da casa de York que contavam com o casamento dele com Elizabeth de York. Além disso, até mesmo o inglês de Henrique Tudor era precário: ele vinha de Gales, e passou a maior parte de sua vida no estrangeiro.

Em diferentes níveis, a coroação de Henrique VII legitimava seu reinado através de um desejo divino e aceitação popular. Ele foi coroado rei com todas as costumeiras cerimônias, e foi assistido por todos das Câmaras dos Comuns e da nobreza. De acordo com Edward Hall, um advogado inglês e membro do Parlamento, nascido dez anos após a coroação, escreveu que as palavras utilizados na coroação era de que Henrique via “obtido o reino e o aproveu como algo provido e elegido por Deus, e por Seu favor especial e gracioso aspecto alcançou”. Através dessas palavras, era claro que Henrique havia conquistado o reino por conta da providência divina.

O advogado e humanista Sir Thomas More, que seria Chanceler da Inglaterra no reinado de Henrique VIII, escreveu em latim um poema para o coroação do novo rei:

“Esse é o dia em que acaba a nossa escravidão, a fonte de nossa liberdade, o fim da tristeza, o começo da alegria”.

Era uma condenação pública do antigo regime e claramente ganhou a aprovação dos homens do novo regime. More ainda deu para Henrique um presente especial: uma cópia de seu poema, decorado com rosas brancas e vermelhas. Ele ainda clamava que o antigo reinado havia visto a opressão da nobreza e do povo, através de uma grande taxação de impostos.

Após a consagração e a coroação, Henrique, agora rei, foi acompanhado da Abadia de Westminster em procissão para a Torre de Londres, onde aconteceria um banquete.

Bibliografia:
HUNT, Alice. The Drama of Coronation: Medieval Ceremony in Early Modern England. Cambridge University Press, 2008.
CHRIMES, S. B. Henry VIII. Yale University Press, 1999.
Securing the Throne“.
PENDRILL, Colin. The Wars of the Roses and Henry VII: Turbulence, Tyranny and Tradition in England 1459-c.1513. Heinemann, 2004.
PENN, THomas. Winter King: Henry VII and the Dawn of Tudor England. Simon and Schuster, 2013.

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