As Seis Rainhas de Henrique VIII: Catarina de Aragão (1/6)

Nessa série, Suzannah Lipscomb e Dan Jones disseram que iriam contar a história das seis ‘Rainhas’ de Henrique VIII: não apenas seis ‘Mulheres’, mas Rainhas com ações, pensamentos e vidas próprias. A idéia era contar suas vidas sobre duas perspectivas: Lipscomb contaria a das mulheres, e Dan a de Henrique. Mas devo dizer que ambas falharam miseravelmente.

De tudo que gostei na outra série de Lipscomb, ‘Henrique e Ana: os Amantes que mudaram a História’, aqui está tudo infinitamente pior: Catarina foi, sim, muito importante como Rainha de Henrique, mas nem de longe o ‘ensinou’ a ser Rei: essa é uma besteira tão totalizante quanto foi ‘Dentro da Corte de Henrique VIII’, que o mostra como um rei totalmente controlado por Wolsey, depois Cromwell e Ana – note, por exemplo, que em nenhum momento o rei parece pensar por si próprio nas séries, sendo sempre controlado por alguém. De qualquer forma, além de um figurino rivalizando quase com Reign em exatidão histórica, Catarina de Aragão não tinha nem de longe esses traços estereotipados de espanhola, e a série comete diversos erros e anacronismos. Um dos principais (além de Henrique ameaçá-la como uma faca?!) é Catarina ter ‘pedido’ por uma audiência pública. A tal audiência, que na verdade foi o tribunal de Blackfriars, foi um julgamento encomendado pelo próprio Papa em que Catarina e Ana foram pedidos a comparecer para que seu caso fosse julgado. E pelo amor de Deus, em que momento a não consumação do casamento com Arthur foi uma surpresa?! A não consumação foi a BASE do casamento de Catarina com Henrique e um dos motivos pelo qual seu casamento demorou tanto: foram necessárias licenças e vários depoimentos de pessoas que estiveram presentes afirmando que o casamento não tinha sido consumado. A passagem de Leviticus já tinha sido levantada logo no início de seu casamento, pois havia uma outra passagem bíblica que dizia justamente o contrário: que no caso da morte, o irmão do noivo deveria se casar com a viúva. Isso sem contar a falta completa do elemento mais importante de todos: CONTEXTO. Conceder um divórcio não era nem de longe tão inédito nas famílias reais: o problema é que Catarina era tia de Carlos V, Imperador Romano, que tinha o Papa comendo em suas mãos. Como Weir falou tão bem, a causa da Reforma protestante não tinha de longe Ana Bolena como ÚNICO motivo.

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3 comentários sobre “As Seis Rainhas de Henrique VIII: Catarina de Aragão (1/6)

  1. É realmente uma pena que sejam cometidos tantos erros em um documentário que afinal, deveria mostra-se fiel à história contada.Que bom que você postou um texto aqui mostrando os erros e falhas!

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