Anna Boleyn – o filme alemão sobre Ana Bolena (1920)

Anna Boleyn, também lançado sob o título Deception, é um filme histórico alemão de 1920, dirigido por Ernst Lubitsch, estrelando Henny Porten como Ana Bolena e Emil Jannings como Henrique VIII. Grandioso em escala, é interessante pensar na produção do filme em uma época em que a Alemanha estava com sérios problemas econômicos, custando cerca de 8 milhões de marcos – mas arrecadando 14 milhões na venda para a exibição do filme nos Estados Unidos.

Uma das coisas que mais me agrada nos filmes antigos é ver a escala das coisas – os cenários enormes, a quantidade de figurantes e os trajes criados especificamente para o filme. Isso é difícil, atualmente – me parece que a maior parte do dinheiro é gasta com atores de renome, de forma que ficamos presos em sets pequenos e limitados a filmagens interiores/exteriores, poucos figurantes e a maioria dos trajes sendo recicladas de outras adaptações. Aqui não: quinhentos cavalos, quatro mil figurantes e 380 esculturas foram utilizadas no filme Anna Boleyn. Porten recebeu 16 figurinos e Jannings, 10. Na época, acredita-se que tenha sido o filme mais caro feito na Alemanha, com um elenco forte e reconhecido na época: Henny Porten, como Ana Bolena, mostra uma mulher que tenta se afirmar num mundo dominado por homens, poder e egoísmo – já Emil Jannings, interpretando Henrique VIII, é um homem de violência cegas que derrama lágrimas e mostra seu luto por não ter um herdeiro homem.

Com quase duas horas, esse é um dos poucos filmes em que vemos a vida de Ana Bolena antes de Henrique VIII, embora a maioria dessas cenas seja dedicada a mostrar Henry Norris como noivo e ex-namorado de Ana Bolena. A relação que é mostrada entre Ana Bolena e Catarina de Aragão também é quase única: aqui vemos Ana não como pivô da relação de ambos, mas sim já vemos o casal real bem afastado antes mesmo da chegada de Ana à corte. Também temos um retrato quase inédito de Jane Seymour declaradamente como vilã.

Anna Boleyn ostenta uma Henny Porten muito bonita – nobre, abnegada, amorosa. Este filme nos ajuda a entender por que Porten era a maior estrela de sua época na Alemanha: além de sua beleza, ela personificava ideais particulares de feminilidade: esta Ana Bolena é submissa, ama poesia, os prazeres rurais, sua pátria e sua filha.

Também há uma intriga na corte envolvendo um bobo da corte bem-intencionado (Paul Biensfeldt), o poeta Mark Smeaton (Ferdinand von Alten) e Sir Henry, que está em uma posição peculiar como ex-namorado de Anna. Enquanto a teia se aperta inextricavelmente em torno da pobre Ana, o bobo da corte tenta alertá-la e a Sir Henry para terem cuidado, mas na verdade não há nada que eles possam fazer. No final, está claro que Ana nunca foi nada além de um peão, servindo aos fins luxuriosos do rei ou aos objetivos políticos de seu tio.

É muito difícil não comparar o trabalho de Janning com o de Laughton, que seria feito 13 anos depois. Aqui, Henrique é mais uma vez um glutão cheio de luxúria, jogando cerveja na cara de um pagem, perseguindo Ana, fazendo birra quando não consegue o divórcio. E a primeira cena dele e de Ana dá um novo sentido a rabo de saia. Jannings foi uma figura um tanto controversa depois da Segunda Guerra Mundial, porque apostou no cavalo errado, por assim dizer, e desempenhou papéis em vários filmes de propaganda nazista. Ele teve muito trabalho em conseguir emprego depois desse período, mas, em Anna Boleyn, ele é magnífico como o Rei gorducho que nunca era feliz com apenas uma mulher.

Anna Boleyn é uma tentativa de Lubitsch e seus produtores de repetir o sucesso de Madame DuBarry (rebatizado de Passion nos EUA). Lotte Eisner historicamente situa ambos os filmes como parte do ciclo Kost ümfilme , uma ‘enxurrada de filmes históricos que inundou o cinema alemão de 1919 a 1923’. O filme certamente parece maravilhoso e deve ter parecido um espetáculo surpreendente em sua época: as barcaças do rio, o torneio de justas, os casamentos e coroações: tudo parece suntuoso.

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