Henrique VIII e sua mãe, a rainha Elizabeth de York

A relação de Henrique VIII com a morte de sua mãe, a rainha Elizabeth de York, levanta possíveis teorias psicológicas interessantes sobre seu comportamento em relação às seis mulheres que ele mais tarde teve. São teorias fascinantes, mas só permanecerão especulativas, especialmente porque sobre este assunto, o próprio rei ficou em silêncio. Embora sua mãe tenha morrido quando Henrique era apenas uma criança, a morte da rainha Elizabeth de York causou uma profunda e terrível ruptura no círculo familiar seguro e unido que existia entre as crianças reais e os primeiros anos da família “feminina” de Henrique, quando ele viveu com suas irmãs no ‘berçário real’ do Palácio Eltham. Tem sido sugerido que a história conjugal de Henrique VIII foi uma tentativa dele de “substituir” Elizabeth de York, e embora nenhuma prova real exista para isso, suas atitudes em relação às esposas sugerem que ele poderia ter desejado uma rainha com qualidades como a sua mãe possuía. Certamente, ele admirava as virtudes que ela demonstrava. Continuar lendo

Os vestidos como passagem do tempo em “Duas Rainhas”

Em dezembro de 2018, saiu em cartaz o filme Mary, Queen of Scots (‘Duas Rainhas’, no Brasil), em que a rainha principal seria interpretada por Saoirse Ronan e Elizabeth Tudor ficaria a cargo de Margot Robbie. O filme recebeu uma crítica razoável e foi indicado a dois Oscar: de Melhor Figurino e de Melhor Maquiagem e penteado. O figurino, que iremos discutir aqui, ficou a cargo de Alexandra Byrne, que já havia trabalhado nos filmes Elizabeth, de 1998 e Elizabeth: A Era de Ouro em 2007, em que a rainha foi interpretada por Cate Blanchett. No início do filme, Elizabeth usa um traje que remete muito ao estilo criado por Byrne para esses dois filmes, e é importante lembrar que em nenhum momento Elizabeth usa algum traje que realmente fosse inspirado em seus retratos, com exceção do final do filme ‘Duas Rainhas’, onde, em em curtas cenas no final do filme, Magot Robbie usa três vestidos que fazem uma alusão à passagem do tempo na Inglaterra enquanto Mary Stuart está na prisão. Continuar lendo

Eduardo VI: O Rei Menino

Depois de traduzir o documentário de David Starkey sobre as Seis Esposas de Henrique VIII, A Mente do Tirano e o documentário sobre Maria Tudor, não via a hora de trazer praticamente o último documentário de Starkey especificamente sobre os Tudor: Edward VI, The Boy King (2002). O documentário foi lançado junto do documentário sobre Maria Tudor e, por isso, temos vislumbres da atriz Rachel Jenkins novamente vestida de Maria. O documentário é ótimo, mas até pra mim teve algumas falhas.

A primeira é não dizer o nome de Thomas Seymour, chamando-o apenas de Lorde Sudeley, que é um título que praticamente nunca é usado para referir-se a ele. A segunda é sequer ter mencionado a tentativa de ‘assassinato’ que Eduardo sofreu pelas mãos de Thomas, quando este invadiu seu quarto, armado, em 1549. Foi inclusive por isso que ele foi preso, sobre acusações de traições – uma delas a de tentar se casar com a meia-irmã do Rei, Elizabeth. Leia mais em:
https://boullan.wordpress.com/2014/12/02/a-tentativa-de-assassinato-de-eduardo-vi/
Uma pena que ele também não tenha utilizado a belíssima Saskia Backwell para interpretar a jovem Elizabeth, que tinha sido utilizada no seu documentário “Elizabeth” um ano antes.
Outro problema sério foi ignorar completamente a figura de John Dudley, que agiu como sucessor de Edward Seymour ao controlar o Conselho Privado após sua morte. Como vimos no documentário de Castor sobre Jane Grey, Dudley teve um papel importantíssimo no final do reinado de Eduardo, e chega até ser cômico que Starkey não tenha mencionado que existe uma certa possibilidade de que Dudley tenha influenciado a decisão de Eduardo no Instrumento, embora Jane Grey fosse a decisão mais óbvia.

A Princesa Espanhola – The Spanish Princess, trailer legendado

Acabou de sair o teaser oficial da série A Princesa Espanhola, baseado no romance de Philippa Gregory sobre Catarina de Aragão, e trago com exclusividade para vocês o trailer legendado. Nota-se claramente que adulteraram a idade do príncipe Henrique (que tinha apenas 10 anos na época do casamento de Catarina com Arthur) em prol da liberdade poética para criarem romance entre Catarina e Henrique – o que não ficou de todo ruim.

~ Além disso, vamos nos lembrar que uma aliança com a Espanha era necessidade da Inglaterra contra a França, e não da Espanha.

“Duas Rainhas” é indicado a dois Oscar: Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Penteado

Nesta terça-feira foi divulgada a lista dos indicados ao Oscar 2019. O filme “Duas Rainhas” está concorrendo a duas estatuetas:
~ Melhor Figurino (junto de “A balada de Buster Scruggs”, “Pantera Negra”, “A favorita”, “O retorno de Mary Poppins”)
~ Melhor Maquiagem e penteado (junto de “Vice” e “Border”)

Chega a ser engraçado a nomeação da figurinista Alexandra Byrne para o Oscar, considerando que meses atrás ela deu o que falar ao declarar que foi fiel ao período elisabetano e incorporou materiais contemporâneos como jeans para fazer a história apelar para os telespectadores atuais. Em uma entrevista para o HollyWood Reporter Byrne declarou que “queria que os homens fossem sexy, e calças de abóbora elisabetanas não são sexy”, e que ” nada pode ser inteiramente preciso historicamente, porque o tecido é tecido de maneira diferente, os corantes são diferentes, os corpos são diferentes”. Byrne já havia sido aclamada quando fez os trajes elisabetanos para Elizabeth: A Era de Ouro, em 2007.

Quem ficou responsável pela maquiagem e penteados no filme foi a maquiadora britânica Jenny Shircore. Ela contou a Startribune que para alterar o belo rosto de Margott Robbie para Elizabeth I foi alterar sua pele, sobrancelhas, nariz e lábios. Shircore acreditava que um nariz protético daria à atriz uma aparência mais régia e antiquada.

A maquiagem de Robbie tem dois estágios: antes, ela é jovem e bela e, depois, contraí varíola, deixando seu rosto marcado por cicatrizes. “Quando Elizabeth estava perdendo sua beleza por causa da cicatriz da varíola, ela aproveitou o que sobrou com maquiagem. Ela começou a usar mais e mais”, disse Shircore.

Da mesma forma que a figurinista, Shircore já havia trabalhado com Cate Blanchett como Elizabeth I, mas em ambos os filmes, Elizabeth, de 1998, e A Era de Ouro, de 2007 – pelo primeiro, Shircore ganhou o Oscar.

Junto com os figurinos de Byrne, Shircore pretendia adicionar um toque modernista ao visual do filme. Por exemplo, o cabelo das rainhas é “mais estruturado”, diz Shircore. “Não muitos cachos e coisas extravagantes, nem tantos babados. Isso nos deu uma força e uma sensação mais moderna”.

A cerimônia do Oscar acontecerá no dia 24 de fevereiro.

Fonte: Hollywood Reporter, Startribune,