Quem encomendou o espadachim francês para Ana Bolena?

Existem diversas histórias sobre como Ana Bolena acabou sendo executada por um homem francês. Alguns acreditam que foi ela mesma quem havia pedido um, em um último sinal de orgulho pelo tempo que havia passado na França. Outros acreditam que foi Henrique VIII quem encomendou o executor, em um último ato de misericórdia, sabendo que os carrascos ingleses nem sempre conseguiam matar uma pessoa com um só golpe. Já alguns historiadores acreditam que a morte por um francês foi um ato irônico por parte de Henrique   – a espada era um símbolo de Camelot, de um rei legítimo, e de masculinidade. Continuar lendo

A vida musical das esposas de Henrique VIII: Catarina Parr

Catarina Parr, filha de Sir Thomas e Lady Maude Parr, nasceu em 1512. Embora a localização exata de seu nascimento não possa ser determinada, os biógrafos acreditam que ela nasceu nas proximidades de Londres. Embora a educação de Catarina, como outras jovens de sua posição, fosse particularmente centrada em habilidades domésticas, a música tornou-se uma parte pungente do treinamento de Catarina. Além de aulas de música vocal, onde Catarina se apresentava em vários idiomas, ela também era bem versada em música instrumental. De acordo com C. Fenno Hoffman Jr., Katherine demonstrava-se: “… hábil tocando em três instrumentos; violão, alaúde e virginals”. As habilidades que Catarina recebeu em sua educação a teriam preparado para uma vida na corte, servindo a rainha em seus aposentos particulares.

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A Rainha Esquecida da Inglaterra: Vida e Morte de Lady Jane Grey (3/3)

No terceiro e último episódio da série de Helen Castor sobre Jane Grey, reitero o que disse da última vez – para uma série que se diz tratar da “Vida e Morte” de Jane, confesso que vi pouco ou quase nada da vida de Jane em si, mas praticamente tudo gira em torno de seu reinado e morte.

Aqui, vemos apenas um vislumbre da infância de Jane com Catarina Parr e Thomas Seymour e, pior ainda, pouquíssima coisa sobre a Rebelião de Wyatt, que teve mais cobertura no documentário de 45 minutos de David Starkey sobre a ‘vida e morte’ de Maria Tudor. Com tudo o que vimos nesses três episódios, acredito que tudo poderia ter sido facilmente resumido em dois episódios de 45 minutos como os outros documentários Tudor – com certeza vocês notaram que a mesma cena se repete várias vezes, assim como diversos comentários nesse episódios já havia sido feitos nos dois primeiros, dando a impressão que não havia mais o que se dizer até completar os 59 minutos. Apesar de Castor ter explorado o impacto vitoriano na percepção que temos de Jane (que eu gostei), achei que faltou muito, muito mesmo, informações sobre sua infância e juventude – como sua mãe, seus tutores e sua vida ‘antes de Rainha’. Além disso, sequer foram mencionadas suas irmãs (apenas outra historiadora fala sobre elas no primeiro episódio), que foram também importantes durante esse momento e para quem ela também deixou cartas, que mais tarde contribuíram para seu culto como mártir. Enfim, me pareceu que Castor falou mais sobre Jane na primeira meia hora do documentário ‘She Wolves’ do que ela falou aqui em três episódios – notem, ainda, que ela disse coisas em She Wolves que não foram sequer mencionadas aqui. Enfim, gostei de ter legendado para vocês, mas eu esperava muito mais.

A vida musical das esposas de Henrique VIII: Catarina Howard

O retrato do século XVI, Mary Magdalene Playing A Lute, mostra uma renascentista finamente vestida tocando alaúde e lendo a notação musical retratada com ela na pintura. A canção, em francês, é Jouissance Vous Donneray e foi composta por Claudin de Sermisy (1490-1562). O basse danse, Jouissance Vous Donneray, foi uma dança popular em muitas das cortes da Borgonha no norte da Europa, e também na Inglaterra. A pintura também alude à natureza dicotômica do envolvimento musical feminino no Renascimento. Por um lado, a imagem declara a beleza intrigante da mulher, mas, por outro lado, como o título sugere, a natureza sedutora da mulher é comparada à de Maria Madalena, uma prostituta bíblica. Continuar lendo

A Rainha Esquecida da Inglaterra: Vida e Morte de Lady Jane Grey (2/3)

No segundo episódio da série de Castor sobre a vida de Lady Jane Grey vemos a queda da base de aliança de Jane e a ascensão de Maria Tudor, e começamos a ter um vislumbre de como o apoio popular foi importante para Maria que, nesse momento, unia católicos e protestantes. No entanto, acho que aqui Castor comete um erro. Já que a série claramente se diz tratar da “Vida e Morte” de Jane, confesso que vi pouco ou quase nada da vida de Jane em si. Nesse episódios vemos mais sobre a infância e vida de Maria do que de Jane, e isso dá a impressão que a série deveria ser nomeada ‘Os nove dias do reinado de Jane Grey’, já que claramente a série se dirige para esse único foco. Confesso que também achei desnecessária a participação de alguns ‘comentaristas’, que foram chamados apenas para isso mesmo, comentar os pedaços de história de Jane.

Fazendo comparações (de novo) com Starkey, acho que seria necessário chamar apenas especialistas para comentar alguns detalhes da história (como a parte do armamento, com um historiador especializado em história militar) mas não contar a história de fato, que a própria Helen poderia ter contado.
Mas uma vez, não concordo com John Guy (22:46) – não acredito que Jane fosse Rainha somente em título. Se fosse, ela não teria influencia nenhuma em exigir que seu pai não fosse para o campo de batalha e que Northumberland fosse enviado em seu lugar. Se ela realmente não tivesse poder, não teria influência alguma nessas decisões.
1:43: Erro grotesco de gramática logo no começo do vídeo! Sorry. Eu traduzo, sincronizo, assisto o vídeo umas três vezes e ainda escapam algumas coisas.

Outubro de 1532: Ana Bolena e Henrique VIII visitam Francisco I

O Encontro retratado na série The Tudors

No dia 11 de Outubro de 1532 Henrique VIII e sua segunda esposa, Ana Bolena, deixaram a Inglaterra para Calais, onde Ana seria tratada pela primeira vez como Rainha e consorte de Henrique. A visita foi tratada como uma versão menor do Campo do Pano de Ouro, ocorrida anos antes em Calais. A idéia do encontro era ter o apoio de Francisco I no reconhecimento de Ana como sua consorte, obtendo assim apoio da França, que ajudaria a neutralizar a hostilidade de Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano e sobrinho de Catarina de Aragão. Continuar lendo