17 de Novembro de 1558 – A ascensão da Rainha Elizabeth I

O reinado de cinco anos de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão e Henrique VIII, chegou ao fim ás sete horas da manhã do dia 17 de novembro de 1558. A rainha tinha 42 anos e tinha ouvido a missa matutina, estando acamada há algum tempo, e se deitou para dormir. Doze horas depois, o Cardeal Reginald Pole, último arcebispo católico de Canterbury, morreu. As mortes da Rainha e do Arcebispo eliminaram dois grandes ícones do catolicismo na Inglaterra, abrindo espaço para a meia-irmã de Maria, Elizabeth, se instalar no trono.

De acordo com o Diário Papal, os franceses ficaram de olho na morte da Rainha da Inglaterra, “esperançosos de separar esse reino do Rei Filipe ou uní-lo com o da Escócia, e que o Papa deve declarar a rainha Elizabeth ilegítima por ter nascido de forma incestuosa, o que a deixará incapaz de triunfar no trono”.

Contaram a notícia da morte de Maria para Elizabeth em seu palácio em Hatfield. Os conselheiros chegaram lá na tarde do dia 17, encontrando-a, de acordo com a lenda popular, embaixo de um velho carvalho. Enquanto eles colocavam o anel em seu dedo, Elizabeth teria dito em latim: “Isto é um feito do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos”.

Elizabeth não estava sozinha no palácio de Hatfield. Desde as últimas semanas, diversos cortesãos começaram a migrar para lá, ansiosos para provar usa fidelidade à nova Rainha, mesmo antes que a antiga morresse – isso também se provaria vital para a formação de Elizabeth como Rainha, sabendo como os cortesãos eram voláteis com as ‘Rainhas antigas’ quando já se tinha um herdeiro confirmado. O embaixador espanhol, Faria, também a visitou e ficou alarmado com a confiança da princesa e a sua recusa em reconhecer uma aliança com a Espanha. Em vez disso, ela disser a Feria que governaria pela vontade de Deus e pelo amor do povo a ela, e não pela vontade da Espanha. “Ela está muito apegada as pessoas, e está muito confiante de que eles estão todos do seu lado, o que é verdade”, escreveu Faria.

Princesa Elizabeth em 1555. Artista desconhecido, em coleção privada.

Mais tarde, durante sua primeira reunião, Elizabeth disse algumas palavras gentis sobre sua falecida meia-irmã. Mas sua atitude não era surpreendente: com uma diferença de 17 anos de idade, as duas irmãs foram amigas durante muito tempo – essa amizade evaporou quando Maria se tornou rainha em 1553. Rebeliões faziam com que Maria suspeitasse que Elizabeth estivesse tramando para derrubá-la do trono, além de ser protestante.

Elizabeth era a imagem brilhante de uma princesa jovem e inteligente, libertando seus súditos da opressão religiosa do reinado anterior. Não seria tão simples, claro: embora Maria não fosse popular no momento de sua morte, haviam muitos que apoiaram a queima dos mais de 300 protestantes a seu comando. Elizabeth, assim, herdou um país cheio de tensão religiosa, política externa em ruínas, economia instável e nobreza dividida. Mas tanto ela quanto Feria estavam certos ao declarar que apesar das dificuldades, Elizabeth chegou ao trono em uma onda de popularidade.

Bibliografia:
RUSSEL, Gareth. 17th November, 1558: The accession of Elizabeth I. Acesso em 10/11/2017.
November 17, 1558: The Queen is Dead, Long Live the Queen. Acesso em 10/11/2017.

Anúncios

O funeral da rainha Jane Seymour

"Six wives with Lucy Worsley"

Em 12 de outubro de 1537, a amada esposa de Henrique VIII, deu à luz em Hampton Court Palace, ao seu único filho e herdeiro masculino, Eduardo. Doze dias depois, em 24 de outubro, a rainha morreu por conta de complicações. Henrique ficou devastado, e retirou-se para Windsor. No dia 1 de novembro, ele decidiu que Jane seria enterrada na Capela de Saint George em Windsor, e que o enterro aconteceria no dia 12. A corte foi ordenada a usar luto. Para se diferenciar, o rei usaria roxo ou branco como luto, e todos os outros vestiriam preto. Continuar lendo

30 de Outubro de 1485: A coroação de Henrique VII

henrique

Apesar de Henrique VII ter vencido na Batalha de Bosworth, havia pouca garantia de que ele permanecia como rei da Inglaterra, pois muitos da Casa de York tinham reivindicações ao trono. Henrique e sua mãe eram astutos, e sabiam que haveriam aqueles que questionariam sua legitimidade, então ele se casou com Elizabeth de York, para unir ambas as casas; datou o seu reinado um dia antes da Batalha de Bosworth, de modo que todos aqueles que haviam apoiado Ricardo III poderiam se classificados como traidores e, depois, arranjou que sua coroação fosse feita antes da primeira sessão do Parlamento após Bosworth. Henrique foi coroado no dia 30 de Outubro, e o Parlamento foi reunido no dia 7 de Novembro. Isso foi feito para que Henrique pudesse afirmar publicamente que não precisava de que o Parlamento o proclamasse rei. Continuar lendo

Estaria a verdadeira face de Ana Bolena em um retrato de Van Cleve?

A verdadeira face de Ana Bolena tem sido um mistério para todos os fãs da Dinastia Tudor há inúmeras décadas. Uma das maiores curiosidades em relação a isso é sobre o conhecido “Retrato Lumley”. Lord Lumley tinha um retrato que foi descrito como sendo de corpo inteiro de Ana Bolena em 1590 – a última notícia que se teve do retrato foi em 1773. Em uma nova pesquisa, o novelista Richard Masefield fez algumas considerações sobre o Retrato Lumley, quem o poderia ter pintado e como ele poderia ter sido – e se poderia ele ser um retrato original de Ana Bolena. Continuar lendo

O fumo e o tabaco na Inglaterra Tudor

Xilogravura de uma taverna Tudor

Os espanhóis foram os primeiros europeus a serem introduzidos ao tabaco. Rodrigo de Jerez e Luis de Torresm que viajaram junto de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo, geralmente ganham o crédito por terem experimentado primeiro. Uma vez que a maioria dos espanhóis desprezava os índios, eles também desprezavam o uso do tabaco. Gonzalo Fernándes de Oviedo, o governador militar de Hispaniola, disse que ‘a ingestão de um determinado tipo de fumo, que eles [os índios] chamam de tabaco (…) é uma prática especialmente prejudicial’. O ódio espanhol para o tabaco, entretanto, não se limitou aos consumidores índios da planta, mas também ao seus concidadãos europeus que o consumiam, em parte por causa de suas propriedades viciantes. De acordo com Iain Gately, para eles a ‘indulgência excessiva ou obsessiva em qualquer coisa venal é classificada pura e simplesmente como um pecado’. Continuar lendo

A rainha viúva realmente estava envolvida com os avanços de Seymour em Elizabeth Tudor?

Muitas pessoas estranham porque Catarina Parr, uma mulher viúva três vezes, inteligente e religiosa, teria feito parte dos avanços que Thomas Seymour, seu marido, tinha feito com Elizabeth Tudor. Rasgar seu vestido em pedaços enquanto a Rainha segurava Elizabeth, visitar a jovem em seu quarto usando apenas uma camisa são apenas dois dos escândalos rodeando a jovem princesa e Seymour. Mas teria a Rainha realmente participado de tais eventos? Continuar lendo