Documentário legendado ‘Rainhas Sanguinárias: Elizabeth I e Maria Stuart (Bloody Queens: Mary and Elizabeth, 2016)’

 

Fiquei muito em dúvida sobre qual o próximo documentário que traria. Decidi por ser “Bloody Queens: Elizabeth e Mary”; traduzido diretamente como “Maria Sanguinárias: Elizabeth e Maria”. De 2016, esse documentário da BBC conta da relação dessas rainhas de forma diferente: todas as dramatizações feitas pelas atrizes contem falas que realmente foram escritas pela Rainha ou descrita por testemunhas oculares. Isso foi legal, mas o que achei muito dispensável foi a fala de alguns dos pesquisadores, assim como a indisfarçável falta de imparcialidade. De qualquer forma, eu gostei bastante dessa forma de ‘atuação’. Espero que gostem!

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“Agradecida e Obediente”: a misteriosa carta de Ana Bolena para Henrique VIII em 1526

É famosamente escrito que não existem respostas para as cartas amorosas que Henrique VIII escreveu para Ana Bolena. Isso criou um mito de que Ana Bolena estava se fazendo de difícil para o rei, quando na verdade não temos o menor registro de qual eram os seus sentimentos no final da década de 1520. No entanto, no século XIX, um livro foi publicado, contendo uma carta que Ana Bolena supostamente escreveu para Henrique VIII no verão de 1526. Algumas vezes, é dito que a carta foi escrita em 1527.

“Senhor,
Pertence apenas a uma mente augusta de um grande Rei, a quem a Natureza dotou de um coração cheio de generosidade em relação ao gênero, que retribuiu por favores tão extraordinários com curtas conversas com uma garota tão ignorante. Inesgotável como é o tesouro das recompensas de sua majestade, eu lhe rogo que considere que não pode ser suficiente por sua generosidade; pois, se você recompensa uma conversa são curta com presentes tão grandes, oque você poderá fazer or aqueles que estão prontos para consagrar toda a sua obediência aos seus desejos?
Pois mais que sejam grandes as recompensas que recebi, sinto mais alegria em ser amada por um rei que adoro e, com quem com prazer eu gostaria de sacrificar meu coração, se a fortuna o fizesse com que fosse merecedor de ser oferecido à ele, e a ele será infinitamente maior.
A indicação de dama de companhia para a rainha me induz apensar que Sua Majestade tem alguma consieração por mim, uma vez que me dá meios de vê-lo mais frequentemente e de garantir-lhe pelos meus próprios lábios (o que eu farei na primeira oportunidade) que eu sou,
A criada mais agradecida e obediente de Sua Majestade, sem qualquer reserva,
Anne Bulen.”

O livro em questão é “Letters of royal and illustrious ladies of Great Britain”, por Mary Anne Everett Wood, que cita como fonte o volume II do livro de Gregorio Leti “Historia overo Vita di Elisabetta”. Apesar da fonte, é provável que a carta não seja autêntica: Wood traduziu acarta do inglês para o italiano, e o livro original, de Leti, diz que a carta original havia sido perdida ou que não era mais acessível. Como John Guy, estudioso do período Tudor, apontou, Leti era conhecido por inventar histórias.

Tanto quanto existem os registros, não há provas primárias apontando a data que Ana Bolena se tornou dama de companhia de Catarina de Aragão, e a carta faz-se entender que ela foi nomeada para que o rei pudesse vê-la sem suspeitas. No entanto, já em 1522, Ana Bolena estava na corte, interpretando ‘Perseverança’ no “Château Vert”. Por isso, acho extremamente improvável que ela tenha começado como dama de companhia de Catarina de Aragão apenas em 1527.

De acordo com Rebecca Larson, é mais provável que a carta, se for verídica, tivesse sido escrita em 1522 – época em que ela teria iniciado sua vida na corte inglesa. Infelizmente também não existe nenhum especialista no assunto que afirme se era ou não necessário um pedido do Rei para que alguém fosse para a corte. Também é possível que, se a carta fosse posterior, como 1526, ela teria sido escrita como um pedido de Henrique para que Ana voltasse para a corte – depois dela ter sido afastada para Hever Castle por seu compromisso com Henry Percy.

Parte do mistério de Ana Bolena é que temos poucas evidências diretamente relacionadas com ela, de forma que é difícil tirar conclusões sobre como ela era como pessoas. Uma das principais questões que muitas vezes vem em relação a ela era se ela realmente amava o rei? Mais uma vez, não podemos saber (mesmo que tivéssemos centenas de cartas sobreviventes dela preenchidas com declarações de seu carinho, provavelmente ainda não saberíamos). Essa carta, embora seja mais provável que seja falsa, mostraria como ela transmite uma sensação de inocência sobre o fato do rei presenteá-la, ao mesmo tempo que reconhece um afeto mútuo entre eles. Só nos resta imaginar!

17 de Novembro de 1558 – A ascensão da Rainha Elizabeth I

O reinado de cinco anos de Maria Tudor, filha de Catarina de Aragão e Henrique VIII, chegou ao fim ás sete horas da manhã do dia 17 de novembro de 1558. A rainha tinha 42 anos e tinha ouvido a missa matutina, estando acamada há algum tempo, e se deitou para dormir. Doze horas depois, o Cardeal Reginald Pole, último arcebispo católico de Canterbury, morreu. As mortes da Rainha e do Arcebispo eliminaram dois grandes ícones do catolicismo na Inglaterra, abrindo espaço para a meia-irmã de Maria, Elizabeth, se instalar no trono.

De acordo com o Diário Papal, os franceses ficaram de olho na morte da Rainha da Inglaterra, “esperançosos de separar esse reino do Rei Filipe ou uní-lo com o da Escócia, e que o Papa deve declarar a rainha Elizabeth ilegítima por ter nascido de forma incestuosa, o que a deixará incapaz de triunfar no trono”.

Contaram a notícia da morte de Maria para Elizabeth em seu palácio em Hatfield. Os conselheiros chegaram lá na tarde do dia 17, encontrando-a, de acordo com a lenda popular, embaixo de um velho carvalho. Enquanto eles colocavam o anel em seu dedo, Elizabeth teria dito em latim: “Isto é um feito do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos”.

Elizabeth não estava sozinha no palácio de Hatfield. Desde as últimas semanas, diversos cortesãos começaram a migrar para lá, ansiosos para provar usa fidelidade à nova Rainha, mesmo antes que a antiga morresse – isso também se provaria vital para a formação de Elizabeth como Rainha, sabendo como os cortesãos eram voláteis com as ‘Rainhas antigas’ quando já se tinha um herdeiro confirmado. O embaixador espanhol, Faria, também a visitou e ficou alarmado com a confiança da princesa e a sua recusa em reconhecer uma aliança com a Espanha. Em vez disso, ela disser a Feria que governaria pela vontade de Deus e pelo amor do povo a ela, e não pela vontade da Espanha. “Ela está muito apegada as pessoas, e está muito confiante de que eles estão todos do seu lado, o que é verdade”, escreveu Faria.

Princesa Elizabeth em 1555. Artista desconhecido, em coleção privada.

Mais tarde, durante sua primeira reunião, Elizabeth disse algumas palavras gentis sobre sua falecida meia-irmã. Mas sua atitude não era surpreendente: com uma diferença de 17 anos de idade, as duas irmãs foram amigas durante muito tempo – essa amizade evaporou quando Maria se tornou rainha em 1553. Rebeliões faziam com que Maria suspeitasse que Elizabeth estivesse tramando para derrubá-la do trono, além de ser protestante.

Elizabeth era a imagem brilhante de uma princesa jovem e inteligente, libertando seus súditos da opressão religiosa do reinado anterior. Não seria tão simples, claro: embora Maria não fosse popular no momento de sua morte, haviam muitos que apoiaram a queima dos mais de 300 protestantes a seu comando. Elizabeth, assim, herdou um país cheio de tensão religiosa, política externa em ruínas, economia instável e nobreza dividida. Mas tanto ela quanto Feria estavam certos ao declarar que apesar das dificuldades, Elizabeth chegou ao trono em uma onda de popularidade.

Bibliografia:
RUSSEL, Gareth. 17th November, 1558: The accession of Elizabeth I. Acesso em 10/11/2017.
November 17, 1558: The Queen is Dead, Long Live the Queen. Acesso em 10/11/2017.

Documentário “Henrique VII: O Rei Invernal” (legendado, 2013)

Finalmente consegui trazer para vocês um dos únicos documentários feitos sobre Henrique VII, o primeiro Tudor e pai da monarquia. O documentário foi apresentado por Thomas Penn em 2013, que lançou um livro de mesmo nome (“Henry VII: Winter King”), que não foi traduzido para o português. No geral, gostei bastante: havia muitas coisas que eu não sabia, mas algumas que eu conhecia e que não entraram no roteiro. Não achei legal, por exemplo, ignorar as duas filhas de Henrique VII e sua importância dinástica, assim como faltou qualquer referência à influência de Margaret Beaufort no reinado de seu filho. Senti, também, a completa falta de referência a Edmund Tudor, o terceiro filho de Henrique VII, que também morreu e foi um outro grande golpe para a monarquia, assim como referências à doença do suor, que curiosamente chegou na Inglaterra junto do exército de Henrique VII… Além de qualquer menção às negociações com Isabela de Castela e Fernando de Aragão, que foi uma grande conquista para Henrique ao firmar a Dinastia Tudor no cenário das monarquias importantes na época, isso sem contar as negociações de casamento após a morte de Elizabeth de York.
De qualquer forma, vale a pena conferir.

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O funeral da rainha Jane Seymour

"Six wives with Lucy Worsley"

Em 12 de outubro de 1537, a amada esposa de Henrique VIII, deu à luz em Hampton Court Palace, ao seu único filho e herdeiro masculino, Eduardo. Doze dias depois, em 24 de outubro, a rainha morreu por conta de complicações. Henrique ficou devastado, e retirou-se para Windsor. No dia 1 de novembro, ele decidiu que Jane seria enterrada na Capela de Saint George em Windsor, e que o enterro aconteceria no dia 12. A corte foi ordenada a usar luto. Para se diferenciar, o rei usaria roxo ou branco como luto, e todos os outros vestiriam preto. Continuar lendo