Hilary Mantel: escritoras devem parar de empoderar falsamente mulheres na história

Os escritores devem parar de reescrever a história para tornar suas personagens femininas falsamente ‘empoderadas‘, disse Hilary Mantel. Romancista vencedora promênio Man Booker, disse que escrever sobre as mulheres na história tem sido uma dificuldade persistente para seus contemporâneos, que não conseguem resistir em tornar mulheres na história fortes e independentes. “Qualquer um que exagere sobre a diferença entre o papel dos homens e das mulheres em certos períodos históricos deve“, ela disse,“tentar procurar outro emprego”.

Mantel questionou se os escritores devem ‘retrabalhar a história para que as vítimas sejam as vencedoras’:

“Muitos escritores de ficção histórica se sentem atraídas para as ‘histórias não contadas’. Eles querem dar uma voz para aqueles que foram silenciados. A ficção pode fazer isso, porque se concentra no que não está nos registros. Mas devemos ter cuidado quando falamos pelos outros. Se escrevemos sobre as vítimas da história, estamos reforçando seu status ao detalhá-lo? Ou devemos retrabalhar a história para que as vítimas sejam as vencedoras? Esta é uma dificuldade persistente para as mulheres escritoras, que querem escrever sobre as mulheres no passado, mas não conseguem resistir em empoderá-las. O que é falso. Se você fica afrontado pela diferença, então deve tentar outro emprego”

Ela acrescentou: ‘um bom romancista terá seus personagens operando dento do quadro ético de seus dias – mesmo que choque seus leitores‘.

“A outra garota na história”. Uma matéria de jornal conta que Gregory chegou a enviar um e-mail para Mantel, mas não recebeu uma resposta.

Ela não indicou nenhuma escritora nessa crítica – mas é impossível não pensar em Philippa Gregory, reconhecida por suas personagens femininas fortes. Em uma entrevista de 2013, a autora afirmou que quanto mais pesquisa fazia, mais achava que havia ‘história não contada‘ das mulheres na história.

‘Elas eram mulheres fortes e poderosas que lutaram por seus próprios interesses e pelos interesses de sua família. Eu acho que muitas vezes as imaginamos menos poderosas do que foram porque dependemos muito das descrições escritas por homens na época que enfatizavam suas virtudes – que incluiam obediência, dever e sofrimento’.

Essa foi a segunda controvérsia que Mantel se meteu esse ano. Em uma aparição no Festival de Literatura de Oxford, ela criticou romancistas históricas que ‘tentam criar credenciais ao afixiarem a bibliografia’ – ou seja, criar uma história ignorando deliberadamente fatos históricos.

Em sua palestra em Reith, transmitida pela Radio 4 no final de maio, Mantel disse que a ficção pode ficar lado a lado do trabalho de verdadeiros historiadores. Os leitores, ela argumenta, não são ‘vítimas que precisam de proteção’, mas são capazes de lerem romances históricos e sem precisar destruir a história.

Fonte: The Telegraph

Thomas More: Inquisidor, Torturador e Santo

santo thomas more

Centenas de Igrejas Católicas levam o nome de Sir Thomas More, o advogado do século 16, estadista e executor da ortodoxia. Católicos reverenciam Sir Thomas como um mártir porque ele foi decapitado por se recusa a dizer que a autoridade do rei Henrique VIII substituía a do Papa. Mesmo nos círculos seculares e humanistas, More muitas vezes recebe grande respeito, principalmente por suas colaborações com o humanista holandês Desiderius Erasmus, também conhecido como Erasmo de Hotterdan, e parte também por conta da forma com que ele foi famosamente retratado no filme O Homem que Não Perdeu sua Alma – um fervoroso católico que preferiu morrer a trair suas convicções. Continuar lendo