Universal Pictures divulga novo trailer do filme “Duas Rainhas”

A Universal Pictures divulgou ontem, dia 4 de outubro, o novo trailer do filme sobre Maria Stuart chamado “Mary Stuart”, mas que aqui no Brasil será lançado sob o título “Duas Rainhas”. Essa é a sinopse oficial:

“Duas Rainhas” explora a vida turbulenta da carismática Mary Stuart (Ronan). Rainha da França aos 16 anos e viúva aos 18 anos, Mary desafia a pressão para se casar novamente. Em vez disso, ela retorna para a Escócia, sua terra natal, para recuperar seu trono legítimo. Mas a Escócia e a Inglaterra estão sob o domínio da poderosa Elizabeth I (Robbie). Cada jovem rainha enxerga sua “irmã” com medo e fascinação. Rivais no poder e no amor, e mulheres importantes em um mundo masculino, as duas devem decidir como jogar o jogo do casamento contra a independência. Determinada a governar muito mais do que ser uma figurante, Mary afirma sua reivindicação ao trono inglês, ameaçando a soberania de Elizabeth. Traição, rebelião e conspirações dentro de cada reinado colocam em perigo os dois tronos – e mudam o curso da história.

Embora baseado na biografia histórica de John Guy, “The True Life of Mary Stuart, o filme claramente terá algumas licenças históricas, como o tal encontro entre Elizabeth e Maria, que oficialmente nunca aconteceu, além de deixar claro na sinopse que a Escócia estava sob o domínio inglês, que nunca esteve. De qualquer forma, podemos ver alguns eventos históricos que geralmente não são retratados, como a influência de John Knox e o assassinato de David Rizzio.

Também temos um vislumbre de  Saoirse na execução como Maria Stuart em que ela (sem envelhecer um décimo desde o início de sua trajetória para Escócia, aparentemente) usa um vestido quase idêntico ao que foi usado por Samantha Morton no filme “Elizabeth: A Era de Ouro”, de 2007.

Se tem uma coisa que me deixa LOUCA em que determinados filmes, mesmo os que não são históricos, é que muitas vezes o tempo parece não passar para determinados personagens, enquanto outros envelhecem ‘décadas’. Isso já me incomodou bastante no trailer do filme Mary Stuart, onde podemos que ela ficou linda e plena desde sua ida da França para Escócia até o momento de sua execução, enquanto o rosto de Elizabeth esvaeceu ao longo desse mesmo período!
Apesar de tudo, essa é uma ótima representação de como o rosto de Elizabeth teria ficado nos últimos anos de sua vida, quando a quantidade de chumbo aplicada teria causado diversos efeitos em sua pele.

A Rainha Esquecida da Inglaterra: Vida e Morte de Lady Jane Grey (1/3)

Depois da série She Wolves da Helen Castor, decidi trazer seu mais novo documentário, dessa vez sobre Jane Grey. Devo dizer que não gostei da forma que as imagens dos ‘personagens’ foram mostradas. Apesar dos atores e dos trajes serem ótimos, parece que todo fundo foi feito digitalmente e com grande excesso de ‘efeitos especiais’ (nos 20 minutos, parece que Maria se escondeu no meio do mato). Assim como Starkey, Castor tem grande atenção aos detalhes biográficos e, até onde sei, não apresentou nenhuma informação errada – apesar que eu eu duvido muito que Jane não tivesse a menor idéia de que um dia seria Rainha. Diversos autores já mencionaram que pela educação que ela recebeu, esperava-se que ela se casasse com o próprio rei Eduardo.

No entanto, gostaria de chamar a atenção que Henrique não virou rei só porque era homem, mas sim porque suas duas irmãs seriam rainhas no futuro próximo: Margaret se tornaria Rainha da Escócia e, Maria, Rainha da França. Se só as duas tivessem sobrevivido, com certeza uma delas teria sido Rainha da Inglaterra.
Para não ter muita confusão, decidi deixar alguns nomes repetidos sem tradução, por isso alguns continuaram Mary. Eu também achei que faltaram muitas datas durante suas falas, por isso adicionei algumas para dar mais cronologia à história.

A vida musical das esposas de Henrique VIII: Ana de Cleves

Ana de Cleves,assim como Catarina de Aragão, era uma princesa de uma corte real estrangeira. Muito pouco foi escrito sobre o início da vida e educação de Ana. Como Jane, ela foi criada em uma casa extremamente religiosa que mais tarde influenciou seu caráter e comportamento na corte inglesa. Ela foi criada na corte de Julier-Cleves em Düsseldorf, filha de John III (1490-1539) e Maria (1491-1543), herdeira da área de Juliers. Evidência de suas crenças religiosas pode ser encontrada em seu envolvimento musical com membros da corte, participantes de cerimonias musical e até mesmo como um instrumentista. Continuar lendo

Tapeçaria perdida de Henrique VIII redescoberta na Espanha será exibida pela primeira vez

Uma magnífica tapeçaria encomendada por Henrique VIII foi redescoberta na Espanha, muito depois de ter sido considerada destruída.

Tecida em brilhantes fios de ouro e prata, a tapeçaria adornava as paredes de Hampton Court, a sede do poder do monarca Tudor.

Os principais especialistas em tapeçaria, Simon Franses e Thomas P Campbell, confirmaram que este era um dos bens mais valiosos de Henrique VIII. Henrique VIII era tão apaixonado por tapeçarias que se gabava de ter 2.500 exemplares, mas apenas uma pequena porcentagem deles sobreviveu, e este é um dos maiores.

Era uma demonstração luxuosa de riqueza e uma declaração política, encomendada na época do Ato de Supremacia, retratando em detalhes requintados uma fogueira dirigida por São Paulo com a queima de livros não religiosos.

Com quase 6 metros de largura, fazia parte de um conjunto agora perdido de nove tapeçarias que retratam a vida de São Paulo. Era uma mensagem gritante de um rei que estava afirmando sua autoridade religiosa durante a destrutiva fase da Reforma Inglesa.

As tapeçarias de São Paulo foram listadas como em Hampton Court em sua morte em 1547 e, na década de 1670, Charles II as reutilizou em sua redecoração do Castelo de Windsor, onde foram registradas pela última vez em 1770, antes de aparentemente desaparecerem sem deixar vestígios. Acredita-se que um comerciante espanhol comprou esta tapeçaria na década de 1960, vendendo-a para um colecionador de Barcelona. A peça foi vendida novamente para um comprador não identificado em Madri, que agora enviou a tapeçaria para a Grã-Bretanha para ser limpa e conservada.

A peça será exibida publicamente no mês que vem, como parte de uma exposição de tapeçarias emprestadas de coleções particulares chamada “Henry VIII: the unseen tapestries”, de 1 a 19 de Outubro de 2018 na S. Franses Gallery, em St. James’s em Londres.. Campbell, ex-diretor do Metropolitan Museum of Art e especialista em tapeçaria renascentista, falou de que teve “um sentimento de reverência” quando viu pela primeira vez essa “grande obra de arte”.

Em 2013, o proprietário espanhol suspeitou de uma possível ligação a Hampton Court e tentou em vão obter uma licença de exportação. Franses espera que a Espanha conceda uma licença para que essa obra possa fazer parte de uma coleção pública britânica, e que o Reino Unido possa comprá-la por menos de £5 milhões, que é seu preço de mercado.

Fonte: The Telegraph, DailyMail.

24 de Setembro de 1486: O Batismo de Arthur Tudor, primeiro herdeiro da Dinastia

No dia 20 de setembro de 1486, um mês prematuro de acordo com o casamento de Henrique VII e Elizabeth de York, nasceu o primeiro herdeiro da recém-criada Dinastia Tudor. De acordo com Bacon,

“Em setembro seguinte, a Rainha entregou seu primeiro filho, quem o Rei, em honra à raça britânica, da qual ele fazia parte, nomeou Arthur, de acordo com o nome daquele antigo e honorável Rei da Bretanha, cujos atos eram verdadeiramente suficiente para fazê-lo famoso. A criança era forte e inteligente apesar de ter nascido com oito meses”.

Já exploramos, em outro artigo, a relação do nome de Arthur com a lenda de Camelot.

A cerimônia de batizado estava programada para se realizar no mesmo dia do nascimento, mas isso não aconteceu porque o padrinho escolhido, John de Vere, 13º conde de Oxford, precisava de tempo para viajar de Suffolk para Winchester. A cerimônia então ocorreria quatro dias depois.

No dia 24 de Setembro, Cecily, a irmã mais velha de Elizabeth, segurou o Príncipe Arthur e levou-o até a pia batismal na Catedral de Winchester, sendo ajudada por seu meio-irmão, Thomas Grey, e por John de la Poe. John de Vere ainda não tinha chegado e foi substituído por Thomas Stanley. Arthur vestia um traje de ouro com aparas de arminho e sua capa foi segurada por outra irmã de Elizabeth.

Catherine Gibbs foi anunciada como ama de leite de Arthur. De acordo com a historiadora Amy Licence:

“A cidade acabou por ver a procissão solene, que foi capturada em uma gravura por um artista desconhecido, mostrando nada menos que cinco pessoas carregando o trem do bebê sob um dossel com franjas. Ele estava envolto em um pano vermelho de ouro peludo com arminho. A família de Elizabeth desempenhou papéis proeminentes em sua ausência, com sua mãe sendo um dos padrinhos nomeados. ”

Era comum que as mães não participassem do batizado, como aconteceu com Jane Seymour e Eduardo, filho de Henrique VIII. Mas Margaret Beaufort, mãe do rei, também estava ausente nas celebrações, provavelmente porque não queria ofuscar a família de sua nora – é um mito de que a família de Elizabeth tenha sido tratada com hostilidade durante o reinado de Henrique VII, embora Margaret Beaufort certamente fazia muita coisa para concorrer com a Rainha Elizabeth como figura proeminente na corte.

O bebê foi dado a John Alcock, Bispo de Worcester, que imergiu a testa do bebê na bacia de água benta. Sua tia, Anne de York, colocou um pano em sua testa e ele foi entregue a sua avó materna, Elizabeth de Wooville. Presentes foram trazidos, oferendas foram feitas, e então Cecily levou o bebê e o trouxe de volta para sua mãe.

A festa aconteceu no Santuário de St. Swithun, onde hinos foram cantados e os convidados apreciaram especiarias.

Arthur era a encarnação das ambições de seu pai e foi visto como a verdadeira representação da união dos Lancaster com os York.

Bibliografia:
BREVERTON, Terry. Henry VII: The Maligned Tudor King. Amberley Publishing Limited, 2016.
CASAS, Carolina. The Christening of Prince Arthur. Acesso em 31/07/2018.
RIDGWAY, Claire. 24 September 1486 – Christening of Arthur, Prince of Wales. Acesso em 31/07/2018.

Música e Monarquia: Coroa e Coral (Thomas Tallis e William Byrd)

Em 2013, David Starkey lançou a série ‘Music & Monarchy’, contendo quatro episódios de 59 minutos que contariam a história da música britânica foi moldada pela monarquia. Neste primeiro episódio, ele começa com reis que também eram compositores – Henrique V e Henrique VIII – e a idade de ouro da música inglesa que eles presidiram. Como o foco de nosso canal são os Tudor, eu cortei quase os primeiro vinte minutos que falavam sobre Henrique V, pulando direto para Henrique VIII e os dois compositores mais famosos do períoto Tudor, Thomas Tallis e William Byrd.

As músicas foram gravadas especialmente pela King’s College Cambridge, o coral da Catedral de Canterbury e do Eton College.