Os anos celibatários de Henrique VIII

Henrique e Ana

A menopausa de Catarina de Aragão ocorreu por volta de 1525, depois de sete anos sem filhos. Por volta de 1527, Ana tinha ganhado a atenção do rei Henrique VIII, recusando-se em se tornar usa amante. No ano seguinte, o rei disse ao Cardeal Campeggio que ele não tinha tido relações sexuais com Catarina há dois anos, embora eles partilhavam a cama para manter as aparências. Continuar lendo

Margaret Skipwith de Ormsby: a última amante de Henrique VIII

A vida amorosa de Henrique VIII foi notoriamente complicada, embora, ao contrário da maioria de seus contemporâneos reais, ele tendia a se casar com mulheres que poderiam ter sido somente suas amantes. A morte de Jane Seymour em 1537 o deixou sem uma candidata imediata para uma quarta esposa. Por alguns breves meses em 1538, parecia que sua escolha tinha caído sobre a quase desconhecida Margaret Skipwith de Ormsby.

A primeira tentativa de sugerir Margaret como uma possível amante de Henrique VIII foi na década de 1980, mas nunca foi considerada detalhadamente antes, pois evidências diretas do caso de Margaret com Henrique VIII são escassas. Em uma carta de 3 de Janeiro de 1538 a seu empregador, Lorde Lisle, John Husee, que morava na Corte, comentou que:

‘A eleição jaz entre a Sra. Mary Shelton e Sra. Mary Skipwith. Rezo a Jesus para enviar uma para que possa ser para o conforto de Sua Majestade e da riqueza do reino. Aqui não duvido mas vosso senhor irá manter silêncio até que a questão seja certamente conhecida’.

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O relacionamento de Maria Bolena e Francisco I

Maria Bolena era a irmã mais velha de Ana Bolena, segunda esposa de Henrique VIII e rainha consorte da Inglaterra. Maria nasceu por volta de 1500, em Blicking Hall, sendo a primeira filha de Thomas Bolena e Elizabeth Howard. A infância de Maria é relativamente desconhecida, mas supõe-se que ela foi educada com as qualidades e habilidades necessárias para uma jovem mulher da época, e que foi criada na fé católica.

Em 1514, com a idade de 14 anos, Maria obteve uma posição como dama de companhia de Maria Tudor, que viria a se tornar a rainha da França. Maria viajou de Dover para a França como parte da comitiva da rainha, e provavelmente estava presente no seu casamento com o rei Luis XII. No entanto, o tempo de Maria como dama de companhia supostamente era curto, pois apenas alguns meses Luis XII morreu. Após a morte do rei francês, a Princesa Maria casou-se com Charles Brandon, Duque de Suffolk, antes de voltar para a Inglaterra. Há várias teorias sobre o paradeiro de Maria entre este momento e 1520, quando foi registrado que ela estava na Inglaterra. Alguns historiadores sugerem que Maria também voltou com Maria Tudor para a Inglaterra e tornou-se dama de companhia de Catarina de Aragão, enquanto outros propõem que Maria, assim como sua irmã Ana, ficou na França para servir a esposa do novo rei, a Rainha Claude. Em seu livro ‘Mary Boleyn: The Mistress of Kings’ Alison Weir propõe que Maria não estava na corte da Inglaterra e nem estava com Maria Tudor quando esta voltou para a Inglaterra. Weir sugere que o pai de Maria, Thomas, mandou-a para Brie-sous-Forges (conhecido hoje como Fontenay-les-Briss), uma propriedade do novo rei Francisco I. Na França, Maria poderia acabar com a sua educação e as necessidades de uma nobre dama.

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Henrique VIII teve um caso com Anne Hastings?

Henrique VIII em 1520.Em maio de 1510, Henrique VIII supostamente teve um desvio do leito conjugal de Catarina de Aragão, tendo um caso com Anne, Lady Hastings, uma irmã de Eduardo Stafford, Duque de Buckingham. Na verdade, livro após livro afirma categoricamente que Anne foi amante de Henrique, pelo menos por um curto período de tempo.

Anne era a filha mais velha de Henrique Stafford, Duque de Buckingham (executado em novembro de 1483 por ter se rebelado contra Ricardo III) e Katherine Woodville, a irmã mais nova de Elizabeth Woodville, rainha consorte de Eduardo IV. O marido de Anne, George Hastings, tornou-se o primeiro Conde de Huntingdon em 1529. Seu avô William, Lord Hastings, também havia sido executado por Ricardo III.

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Elizabeth Blount

Elizabeth Blount, mais conhecida como “Bessie” Blount, foi a primeira amante reconhecida de Henrique VIII. Ela nasceu em 1502 em Kient, Shropshire. Ela era filha de Sir. John Blount e Catarina Pershall. Seu pai era um fiel servo da Família Real, que acompanhou o Rei Henrique a França em 1513, quando ele travou guerra contra Luís XII de França.
Sabemos pouco sobre os primeiros anos da vida de Elizabeth, exceto por seu romance com o monarca inglês. Ela é reconhecida pela sua beleza, embora não exista nenhum retrato conhecido dela. Em 1513 (ou 1512), ela foi à corte para servir como dama de companhia da rainha Catarina de Aragão.Foi lá que ela chamou a atenção do rei inglês.Eles diziam que Bessie era uma jovem mulher ágil e atrante, que dançava e cantava muito bem, além de ser a par favorita de dança de Henrique.
Não se sabe quando Elizabeth se tornou amante de Henrique. Alguns sugerem que eles só puderam ficar juntos após 1514, pois a rainha soubre do caso. Outros acreditam que Bessie era muito tímida e só dormiu com o rei em julho de 1515.
Bessie nunca ocupou nenhuma posição privilegiada ou reconhecida na corte inglesa. Logo ela anunciou que estava grávida de Henrique O cardeal Wolsey logo fez com que Elizabeth fosse viver em Jericó Priory em Blackmore, Essex. O rei visitou tantas vezes a ela e seu filho bebê que se tornou uma piada entre os cortesãos dizer que o rei tinha “ido para Jericó”.
Em 15 de junho de 1519, Bessie deu à luz a um filho ilegítimo do rei. Após o nascimento de seu filho, Henrique talvez tivesse pensado que a falta de um herdeiro do sexo masculino fosse uma afronta a sua masculinidade, de modo que ele abandonou todos os modos discretos e reconheceu abertamente o menino. Ele foi chamado de Henry Fitzroy, sendo que ess último nome significa “filho do rei”, e o primeiro nome era o nome de seu pai, apontando o parentesco com o bastardo de um modo orgulhoso. Henrique se sentiu muito animado e satisfeito com seu filho. Fitzroy foi feito Duque de Nottingham e Duque de Richmond e Somerset em 16 de junho de 1525.
Pouco depois de Bessie ter engravidado, a rainha Catarina, que estava esperando um bebê, teve um natimorto pouco depois. Apesar de sua triste experiência, a rainha manteve a compostura e não fez qualquer comentário sobre isso. Em vez disso, ela participou, assim como o resto da corte, em uma festa que o rei decidiu fazer para celebrar o nascimento do filho de Bessie que, ironicamente, era um homem saudável.
Henrique tinha planos para o seu filho, mas não para a mãe dele. Wolsey foi padrinho de batismo de Fitzroy e então, responsável pelos cuidados. Parece que durante os primeiros anos, a criança permaneceu com a sua mãe. Elizabeth Blount, doravante chamada de “a mãe do filho do rei”, não voltou à corte, e nem, aparentemente, retomou o seu romance com Henrique.
O cardeal Wolsey foi responsável pela organização do casamento de Bessie, em 1522. Ela se casou com Gilbert Tailboys, de boa família, embora não fosse nobre. Além do mais, tinha rumores entre os cortesãos que havia antecedentes de loucura na famíla. Gilbert foi nomeado barão de Talboys de Kyme e Xerife de Lincolnshire. Em 1525, Gilbert e Elizabeth foram ordenados a viver em Lindolnshire, e se mudaram para o castelo de Sul Kyme, que fora construído pela ancestral de Gilbert, Gilbert de Umfraville, conde de Angus, em meados do século 14. Após a mudança, Blount não apareceu muito nos assuntos da monarquia Tudor ou nos registos oficiais.
No mesmo ano, Elizabeth foi substituída por Maria Bolena, que tinha acabado de voltar da França. Assim como Bessie, Maria nunca foi reconhecida pelo monarca como uma amante oficial. A única que recebeu uma proposta neste sentido foi Ana Bolena, que a recusou imediatamente.
Em 1530 Gilbert morreu de um surto do suor, deixando Elizabeth viúva e com uma situação financeira confortável, além de três filhos: George, Robert e Elizabeth.
Entre 1533 e 1535, Elizabeth se casou novamente com Edward Fiennes de Clinton, 9º Barão de Clinton, que era cerca de 14 anos mais jovem do que ela. Esta união produziu três filhos: Bridget, Catherine e Margaret.
Em 1536, Henrique Fitzroy morreu inesperadamente. Sua promissora carreira foi interrompida por uma doença grave, provavelmente tuberculose.
Por um curto período de tempo, Elizabeth voltou a para a corte para ser dama de companhia da atual quarta esposa de Henrique, Ana de Cleves. Devido a problemas de saúde, ela saiu da corte ao mesmo tempo em que o casamento real foi dissolvido. Bessie voltou para a fazenda de seu marido, onde logo morreu, provavelmente também de tuberculose, em 1540, com 38 anos. Seu marido não perdeu tempo e logo a substítuiu por Usrula Stourton, que assumiu seu lugar na corte.

Fonte: Los Líos de La Corte

Diário, 17 de Julho de 1526

este dia sinto-me em grande confusão, ao mesmo tempo desconsolada e feliz. O meu bom amigo Thomas Wyatt resolveu exilar-se em Roma, voluntariamente e porque as circunstâncias assim o exigiam. E estou a ser cortejada pelo rei de Inglaterra. Estes dois fatos interligados rodeiam-me como silvas, atordoada por as coisas terem chegado a estes extremos.
Ainda há bem pouco tempo que Wyatt me falou de importantes assuntos da corte e eu, lhe retribui a confiança com uma pequena recordação – um pequeno caderno enfeitado a pedrarias, suspenso de um cordão. Logo a seguir, no Dia de Maio, Henrique roubou-me o anel e enfiou-o, no seu dedo mindinho. É difícil acreditar que estes dois homens tenham chegado quase a vias de facto por causa destes objetos sem importância. Ocorreu o seguinte:
Henrique e os seus favoritos, entre os quais se achava Wyatt, jogavam uma partida de boliche. Encontravam-se em equipas opostas, quando Henrique reclamou como seu, um bom lançamento que tinha sido feito por outro. Wyatt protestou. Depois diz-se que o rei apontou intencionalmente com o dedo mindinho, o mesmo em que usa o meu anel e disse com os olhos fixos em Thomas: “Wyatt, digo-vos que é minha. Digo-vos que é minha!” Apesar da veemência das suas palavras, o rei sorria e Wyatt julgando-o de bom humor, replicou: “Se Vossa Majestade me der permissão para a medir, tenho esperança de que possa ser minha.” Depois, com igual intenção retirou do pescoço o caderninho preso pelo cordão e inclinou-se para medir o lançamento. Henrique vendo a minha prenda nas mãos de Wyatt interpretou a ação como um desafio que punha em questão o objeto dos meus afetos. Como uma criança petulante, o rei deu então um pontapé na bola e disse: “Pode ser que assim seja, mas agora já não me apetece!” – E abandonou o jogo de mau humor.
Antes mesmo de ter ouvido a história e ignorando o papel que nela desempenhara, vieram dizer-me que o rei me queria falar em particular. Se bem que, desde o Dia de Maio tivesse deixado bem claro o seu interesse na minha pessoa, com olhares de soslaio, escolhendo-me para dançar e cantar consigo, sempre estivéramos em público. Entrei, pois, pela primeira vez nos seus aposentos que eram mais suntuosos e belos que alguma vez imaginara. Enormes janelas em arco e de pinázios deixavam entrar o sol por três lados, iluminando arcas e mesas lavradas e douradas, a enorme prateleira da chaminé ornamentada com uma dúzia de jarros de prata, uma tapeçaria de seda, magnífica em tamanho e cores brilhantes representando São Jorge matando o dragão, uma enorme cadeira de dossel e, num canto, vários instrumentos musicais. O rei vestido de veludo branco, bordado de prata encontrava-se também iluminado pelo sol e por um fogo interior que lhe brilhava através dos olhos. Sentia o meu coração acelerado dentro do peito que, tenho de confessar, expusera propositadamente. Mas nesse dia, a generosa visão de uma pele branca e perfumada, pouco fizera para acalmar a ira do rei, semelhante a um ardente vento estival.
– Tomais-me por tolo? – perguntou exaltado, com uma veia a latejar-lhe na testa avermelhada, da qual eu não conseguia afastar os olhos. Não sabia qual fora o meu crime, mas ele haveria de me dizer. – Atreveis-vos a jogar com os afetos do vosso rei no mesmo campo que com Thomas Wyatt? Por acaso não terei erguido vosso pai a tão alta posição…?
Senti as pernas fracas ao ouvi-lo pronunciar o nome de meu pai.
– Não ajudei também a pagar o dote da noiva de vosso irmão, honrando desse modo e mais uma vez a vossa família? É assim que me retribuis?
Sentia os braços e as pernas gelados, o coração batia-me como um tambor, mas conservava a rapidez de raciocínio e a lucidez que me deixavam perceber que o rei me fazia a corte, não por capricho mas com sinceridade. Que pretenderia? Já tivera a minha irmã e havia quem dissesse que também minha mãe fora sua. Meu pai e meu irmão eram seus escravos. Atrever-se-ia a tentar conquistar todos os Bolena? Gostaria de saber quando tinha começado aquilo e apercebi-me imediatamente que o meu amor por Percy poderia ser uma espinha na garganta de Henrique. Deveria humilhar-me como todos faziam ou aceitar aquele jogo? Seria assim tão apetecível como Wyatt me cantara em verso, uma corça fugidia numa floresta encantada? Sim, decidi, serei esquiva como o vento, para que ele me procure, mas nunca me retenha.
– Wyatt roubou-me o caderninho – menti. – Tal como vós haveis feito com o anel – acrescentei com ousadia. – Agem ambos como se também me tivessem roubado o coração. Mas tal não aconteceu, embora ame Vossa Majestade como os súditos leais amam o seu rei.
– Quero-vos, Ana – disse, num grunhido apaixonado.
Percebi que estava a ser sincero, de modo que soltei uma gargalhada, o mais desenvolta possível.
– Se é assim que o rei trata a mulher que deseja, nem quero ver como trata os inimigos.
– Bom eu, eu… – titubeou, desconcertado com a minha impertinência.
– Com permissão de Vossa Majestade – disse eu, desejosa de pôr fim à conversa. Fiz uma profunda reverência e saí apressadamente, deixando-o sozinho, com uma expressão de surpresa no seu belo rosto. Voltei aos aposentos da rainha extremamente agitada.
Que hei-de fazer? Dissera a verdade. Não amo o rei, como uma mulher ama um homem. Mas se bem o conheço, não se deterá enquanto não apanhar o vento com ambas as mãos.
Pedi conselho a minha mãe, que apenas murmurou com ar triste.
– É o rei. É o rei…
A minha irmã foi menos comedida.
– Aceita-o. Deixa que se divirta contigo. Há-de oferecer-te belos vestidos, muitas jóias, um bastardo, se tiveres sorte. Serás a amante do rei de Inglaterra, Ana, um título de honra, para uma jovem magrinha e plebéia.
Fiquei zangada com a resposta desmiolada daquela desmiolada rameira.
Depois fui ter com meu pai que me mandara chamar. Tinha um aspecto imponente, com o seu gibão de cetim negro, enfeitado a ouro, e o elegante gorro francês, sobre os cabelos grisalhos.
– Parece que o rei te distingue com o seu favor – sorriu e passou-me o braço pelos ombros, coisa que não fazia desde que eu era pequena. Contudo não me deixei enganar, pois sabia que não havia afeto naquele gesto.
– Deves condescender, Ana – aconselhou num murmúrio tão baixo, que mais parecia ter o diabo nas costas, a ditar-lhe as palavras. – Ouviste? – ainda não lhe tinha respondido.
– Sim, meu pai, o vosso conselho é muito claro.
– E vais fazê-lo?
Agarrou-me os ombros com força, apertando-mos com os seus dedos ossudos. Meu pai tinha sido durante muito tempo o meu único senhor e amo, porém na minha imaginação via o caminho que ambos seguiríamos num futuro incerto. E, enquanto que outrora, sempre fora ele a indicar-mo parecia agora tropeçar e ficar para trás.
– Vou fazer conforme me aprouver, meu pai – respondi.
Os seus olhos chisparam de fúria, mas ignorei-o com uma nova coragem. Depois, soltei os ombros do aperto dos seus dedos e saí do aposento, sem olhar para trás.

Afetuosamente,
Ana