Foto da Semana #348

Geneviève Bujold como Ana Bolena, no filme Anne of Thousand Days em 1969.

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“Agradecida e Obediente”: a misteriosa carta de Ana Bolena para Henrique VIII em 1526

É famosamente escrito que não existem respostas para as cartas amorosas que Henrique VIII escreveu para Ana Bolena. Isso criou um mito de que Ana Bolena estava se fazendo de difícil para o rei, quando na verdade não temos o menor registro de qual eram os seus sentimentos no final da década de 1520. No entanto, no século XIX, um livro foi publicado, contendo uma carta que Ana Bolena supostamente escreveu para Henrique VIII no verão de 1526. Algumas vezes, é dito que a carta foi escrita em 1527.

“Senhor,
Pertence apenas a uma mente augusta de um grande Rei, a quem a Natureza dotou de um coração cheio de generosidade em relação ao gênero, que retribuiu por favores tão extraordinários com curtas conversas com uma garota tão ignorante. Inesgotável como é o tesouro das recompensas de sua majestade, eu lhe rogo que considere que não pode ser suficiente por sua generosidade; pois, se você recompensa uma conversa são curta com presentes tão grandes, oque você poderá fazer or aqueles que estão prontos para consagrar toda a sua obediência aos seus desejos?
Pois mais que sejam grandes as recompensas que recebi, sinto mais alegria em ser amada por um rei que adoro e, com quem com prazer eu gostaria de sacrificar meu coração, se a fortuna o fizesse com que fosse merecedor de ser oferecido à ele, e a ele será infinitamente maior.
A indicação de dama de companhia para a rainha me induz apensar que Sua Majestade tem alguma consieração por mim, uma vez que me dá meios de vê-lo mais frequentemente e de garantir-lhe pelos meus próprios lábios (o que eu farei na primeira oportunidade) que eu sou,
A criada mais agradecida e obediente de Sua Majestade, sem qualquer reserva,
Anne Bulen.”

O livro em questão é “Letters of royal and illustrious ladies of Great Britain”, por Mary Anne Everett Wood, que cita como fonte o volume II do livro de Gregorio Leti “Historia overo Vita di Elisabetta”. Apesar da fonte, é provável que a carta não seja autêntica: Wood traduziu acarta do inglês para o italiano, e o livro original, de Leti, diz que a carta original havia sido perdida ou que não era mais acessível. Como John Guy, estudioso do período Tudor, apontou, Leti era conhecido por inventar histórias.

Tanto quanto existem os registros, não há provas primárias apontando a data que Ana Bolena se tornou dama de companhia de Catarina de Aragão, e a carta faz-se entender que ela foi nomeada para que o rei pudesse vê-la sem suspeitas. No entanto, já em 1522, Ana Bolena estava na corte, interpretando ‘Perseverança’ no “Château Vert”. Por isso, acho extremamente improvável que ela tenha começado como dama de companhia de Catarina de Aragão apenas em 1527.

De acordo com Rebecca Larson, é mais provável que a carta, se for verídica, tivesse sido escrita em 1522 – época em que ela teria iniciado sua vida na corte inglesa. Infelizmente também não existe nenhum especialista no assunto que afirme se era ou não necessário um pedido do Rei para que alguém fosse para a corte. Também é possível que, se a carta fosse posterior, como 1526, ela teria sido escrita como um pedido de Henrique para que Ana voltasse para a corte – depois dela ter sido afastada para Hever Castle por seu compromisso com Henry Percy.

Parte do mistério de Ana Bolena é que temos poucas evidências diretamente relacionadas com ela, de forma que é difícil tirar conclusões sobre como ela era como pessoas. Uma das principais questões que muitas vezes vem em relação a ela era se ela realmente amava o rei? Mais uma vez, não podemos saber (mesmo que tivéssemos centenas de cartas sobreviventes dela preenchidas com declarações de seu carinho, provavelmente ainda não saberíamos). Essa carta, embora seja mais provável que seja falsa, mostraria como ela transmite uma sensação de inocência sobre o fato do rei presenteá-la, ao mesmo tempo que reconhece um afeto mútuo entre eles. Só nos resta imaginar!

Claire Foy fala sobre Ana Bolena e Wolf Hall (2015)

Essa é uma das poucas entrevistas que Claire Foy deu sobre ‘Wolf Hall’ e sua interpretação sobre Ana Bolena. Nesse vídeo, ela deixa um pouco mais claro o porque de ter recusado o papel inicialmente: Claire tinha dito que não conseguia encontrar o ‘tom’ do personagem, e aqui ela explica que a sua dificuldade é que a Ana que vemos é ‘a Ana de Cromwell’, ou seja, ela não poderia interpretar a personagem do seu jeito e dar o seu ‘toque’, como muitos atores fazem quando interpretam personagens históricos.

Estaria a verdadeira face de Ana Bolena em um retrato de Van Cleve?

A verdadeira face de Ana Bolena tem sido um mistério para todos os fãs da Dinastia Tudor há inúmeras décadas. Uma das maiores curiosidades em relação a isso é sobre o conhecido “Retrato Lumley”. Lord Lumley tinha um retrato que foi descrito como sendo de corpo inteiro de Ana Bolena em 1590 – a última notícia que se teve do retrato foi em 1773. Em uma nova pesquisa, o novelista Richard Masefield fez algumas considerações sobre o Retrato Lumley, quem o poderia ter pintado e como ele poderia ter sido – e se poderia ele ser um retrato original de Ana Bolena. Continuar lendo