‘Deus salve o rei’: Rodolfo de Monferrato e Henrique VIII

Conhecida no começo como ‘Game of Thrones’ brasileiro, três meses após o início de sua transmissão, iniciada em 9 de Janeiro deste ano, acredito que a novela da Globo, ‘Deus Salve o Rei’, já começou a se estabelecer como uma história ‘própria’, embora com uma trama ‘medieval’ clássica: duas famílias anseiam para tomar o trono, com uma paixão entre uma plebéia e um príncipe como romance principal. Continuar lendo

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As Seis Rainhas de Henrique VIII: Jane Seymour (3/6)

Nessa série, Suzannah Lipscomb e Dan Jones disseram que iriam contar a história das seis ‘Rainhas’ de Henrique VIII: não apenas seis ‘Mulheres’, mas Rainhas com ações, pensamentos e vidas próprias. A idéia era contar suas vidas sobre duas perspectivas: Lipscomb contaria a das mulheres, e Dan a de Henrique. Mas devo dizer que ambas falharam miseravelmente.

Embora a série de Lucy e Dan tenha quatro episódios, decidi cortar os episódios 3 e 4 em dois, para ficar cada esposa restante com pelo menos 20 minutos de episódio separado. Nesse, ficou a história de Jane Seymour, que não tem muitas controvérsias, pois foi um reinado curto e pouco documentado. Mas o que foi documentado é que Henrique se arrependeu logo na primeira semana de ter se casado com ela, pois havia visto outras mulheres na corte que o agradaram mais (lembramos que havia pelo menos 800 homens e mulheres vivendo na corte). Também, Ana teve tanta influência na relação conflituosa de Henrique com Maria, que logo após sua execução Maria escreveu pedindo para voltar à corte – e Henrique permitiu, com a condição que ela reconhecesse que era bastarda e que reconhecesse a sua autoridade como Chefe da Igreja da Inglaterra. Quando Maria se recusou, o Rei ameaçou seus amigos e aliados mais próximos. Ana poderia ter relação com o mal tratamento de Maria durante seu relacionamento com o rei, mas isso não só continuou, como aumentou após sua execução. E ah… a boa índole de Jane! Se era tão boa assim, porque ela não restaurou também Elizabeth? O fato é que Jane era uma apoiadora dos CATÓLICOS, e não da ‘família’ de Henrique.

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As Seis Rainhas de Henrique VIII: Ana Bolena (2/6)

Nessa série, Suzannah Lipscomb e Dan Jones disseram que iriam contar a história das seis ‘Rainhas’ de Henrique VIII: não apenas seis ‘Mulheres’, mas Rainhas com ações, pensamentos e vidas próprias. A idéia era contar suas vidas sobre duas perspectivas: Lipscomb contaria a das mulheres, e Dan a de Henrique. Mas devo dizer que ambas falharam miseravelmente.

Como se o primeiro episódio não fosse ruim o suficiente, o segundo episódio da série de Suzannah Lipscomb e Dan Jones parece desafiar os conhecimentos da história: ainda em relação ao julgamento de Blackfriars, que era um processo PAPAL com enviados do VATICANO, Catarina não interrompeu o processo de divórcio ao sair andando (e nem Henrique gritou com ela na frente de todos – ele, assim como ela, deu seu testemunho e versão dos acontecimentos). Sem Catarina, o processo continuou mas teve que ser interrompido porque era verão em Roma, quando todos os julgamentos eram parados. E não, o Papa não era simpático a Catarina: o Papa era forçosamente simpático ao Imperador Carlos V, que o fazia refém. A consumação do casamento não aconteceu porque estavam ‘confiantes’: Francisco I havia reconhecido Ana como Rainha legítima, e essa foi a confirmação que Henrique queria. E que absurdo Ana não saber que as mulheres em sua companhia na Torre não eram espiãs? Mas isso era mais do que óbvio, já que uma era uma senhora que ela não gostava, apesar de ser de sua família, enquanto outra era a própria esposa de Kingston, o comandante da Torre. Também vamos ignorar toda e qualquer referência a personagens importantíssimos desse período, como Maria Tudor, os embaixadores (principalmente Chapuys), a própria Elizabeth, e até mesmo as damas de Ana que também contribuíram para sua queda.

As Seis Rainhas de Henrique VIII: Catarina de Aragão (1/6)

Nessa série, Suzannah Lipscomb e Dan Jones disseram que iriam contar a história das seis ‘Rainhas’ de Henrique VIII: não apenas seis ‘Mulheres’, mas Rainhas com ações, pensamentos e vidas próprias. A idéia era contar suas vidas sobre duas perspectivas: Lipscomb contaria a das mulheres, e Dan a de Henrique. Mas devo dizer que ambas falharam miseravelmente.

De tudo que gostei na outra série de Lipscomb, ‘Henrique e Ana: os Amantes que mudaram a História’, aqui está tudo infinitamente pior: Catarina foi, sim, muito importante como Rainha de Henrique, mas nem de longe o ‘ensinou’ a ser Rei: essa é uma besteira tão totalizante quanto foi ‘Dentro da Corte de Henrique VIII’, que o mostra como um rei totalmente controlado por Wolsey, depois Cromwell e Ana – note, por exemplo, que em nenhum momento o rei parece pensar por si próprio nas séries, sendo sempre controlado por alguém. De qualquer forma, além de um figurino rivalizando quase com Reign em exatidão histórica, Catarina de Aragão não tinha nem de longe esses traços estereotipados de espanhola, e a série comete diversos erros e anacronismos. Um dos principais (além de Henrique ameaçá-la como uma faca?!) é Catarina ter ‘pedido’ por uma audiência pública. A tal audiência, que na verdade foi o tribunal de Blackfriars, foi um julgamento encomendado pelo próprio Papa em que Catarina e Ana foram pedidos a comparecer para que seu caso fosse julgado. E pelo amor de Deus, em que momento a não consumação do casamento com Arthur foi uma surpresa?! A não consumação foi a BASE do casamento de Catarina com Henrique e um dos motivos pelo qual seu casamento demorou tanto: foram necessárias licenças e vários depoimentos de pessoas que estiveram presentes afirmando que o casamento não tinha sido consumado. A passagem de Leviticus já tinha sido levantada logo no início de seu casamento, pois havia uma outra passagem bíblica que dizia justamente o contrário: que no caso da morte, o irmão do noivo deveria se casar com a viúva. Isso sem contar a falta completa do elemento mais importante de todos: CONTEXTO. Conceder um divórcio não era nem de longe tão inédito nas famílias reais: o problema é que Catarina era tia de Carlos V, Imperador Romano, que tinha o Papa comendo em suas mãos. Como Weir falou tão bem, a causa da Reforma protestante não tinha de longe Ana Bolena como ÚNICO motivo.

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National Gallery of Art em Washington muda identificação de retrato de Catarina de Aragão

Na legenda, lê-se: Mary Rose Tudor (1496 – 1533), Irmã de Henrique VIII da Inglaterra. (Foto: Meg McGath)

Meg McGath, administradora da página Queen Catherine Parr, dedicado a pesquisas sobre a última esposa de Henrique VIII, registrou um grande erro cometido pela National Gallery of Art de Washington, D.C. O retrato, que é identificado há séculos como retratando Catarina de Aragão, a primeira esposa de Henrique VIII, foi identificado pela galeria como sendo Maria Tudor, irmã do rei.

McGath conta que foi Paul G. Matthews que fez a mudança na identificação do retrato que pertence à uma galria de Viena, na Áustria. Ele diz que Maria foi prometida ao Imperador Carlos em 1507, quando tinha 6 anos, e que este retrato seria dela como princesa. No entanto, seu noivadosó aconteceu em 1513. Matthews argumenta que Catarina seria muito velha para ser retratada no período (por volta de 1505).

No entanto, devemos nos lembrar que em 1515 fazia seis anos que Catarina estava casada com Henrique, período do ápice de seu romance, que ainda duraria alguns anos. De acordo com outra descrição feita na galeria, a face da mulher de fato lembra Catarina de Aragão, e por isso têm sido confundida com ela. No entanto, é “mais provável” que o retrato seja de Maria, a irmã mais nova do rei. Ela usa um colar de uma rosa, simbolizando a Casa Tudor alternada com a letra K, que significaria “Karolus”, ou seja, Carlos, o futuro Imperador Romano, a quem havia sido prometida. O casamento nunca aconteceu. Mais obviamente, têm sido registrado também que o “K” signifique “Katherine”.

A identidade do retrato de fato têm sido debatida desde 2008, e embora não existam evidências conclusivas apontando que seja Catarina, já havia algum tempo que uma instituição tomava uma posição firme em relação a uma re-identificação do retrato: em 2012, o Kunsthistorisches Museum também havia identificado o retrato como sendo de Maria Tudor e não Catarina de Aragão.

A idéia de que a identidade da mulher começou em 1915, quando Paul G. Matthews escreveu que a mulher do retrato era muito similar com a do “Madonna and Child”, ambos feitos por Michel Sittow. Sittow era proeminente na corte de Isabela de Casta e, por isso, imaginava-se que a mulher retratada deveria ser alguém da família da Rainha. No entanto, é fato que Maria Tudor recebeu de Carlos diversos presentes, entre eles, uma peça de jóia com a letra K.

Fonte: Página Queen Catherine Parr; The Anne Boleyn Files.