O rei e suas cinco esposas: Os Amores de Henrique VIII (1933)

posterUm dos filmes mais conhecidos sobre o rei Tudor, “The Private Life of Henry VIII” é curioso pois começa com a execução de Ana Bolena, sua segunda esposa. Alexander Korda, o diretor, estava à procura de um projeto que fosse apropriado para o ator Charles Laughton e sua esposa, Elsa Lanchester e originalmente, a história iria se concentrar exclusivamente no quarto casamento do rei com Ana de Cleves, mas o projeto cresceu para incluir as cinco últimas esposas de Henrique: a primeira, Catarina de Aragão, foi omitida porque os envolvidos no projeto não tinham nenhum interesse em mostrá-la, descrevendo-a apenas como uma ‘senhora respeitável’ em um dos interlúdios do filme.

Merle Oberon, que se tornaria uma das atrizes mais belas de Hollywood nas décadas de 1930 e 1940 teve um papel relativamente pequeno no filme como Ana Bolena. No entanto, foi uma aparição memorável, e a atriz tornou-se fascinada pelo seu personagem, pendurando até um retrato de Ana em seu apartamento. Sua frase mais marcante durante o filme foi, “Não é uma pena perder uma cabeça como essa?” Continuar lendo

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“Elizabeth I: Uma Biografia”: novo livro sobre a última rainha Tudor é lançado pela Editora Zahar (Revisão e crítica)

novoPublicado originalmente em 2014 com o título “Elizabeth: Renaissance Prince”, o livro “Elizabeth: uma biografia” (Editora Zahar, 2016) foi traduzido por Paulo Geiger e tem, em sua capa, um recorte da obra “Old Elizabeth”, de 1610, feito posteriormente após a morte da Rainha. A própria escolha da imagem é uma afirmação da idéia da autora: enquanto viveu, Elizabeth proibiu a publicação e distribuição de imagens suas que a mostravam como uma mulher velha e mortal; enquanto Lisa Hilton explora, em seu livro, que Elizabeth efetivamente governou como um príncipe renascentista, surgindo como uma política talentosa e complexa, rápida em adotar novos princípios para proteger o seu país.

 “Quase toda biografia da rainha começa com a premissa de que seu governo foi cheio de anomalias em virtude de ela ser mulher. Muitas vezes se tem utilizado a feminilidade biológica de Elizabeth como base de interpretação para quase todos os aspectos de sua governança. A meu ver, isso é simplesmente errado”. (HILTON, 2016, pág. 13)

Embora eu não concorde nem um pouco com a legenda que a Editora Zahar deu para o livro em seu site (“Um retrato original e definitivo da Rainha Virgem” – para mim, nada na História é original e muito menos definitivo), o livro explora aspectos menos conhecimentos do reinado de Elizabeth, como seu envolvimento na política da Europa Oriental, sendo uma obra que pode agradar até quem já tem conhecimento sobre o período.  Também adorei a exploração que a autora faz dos retratos de Elizabeth, principalmente do “Elizabeth I e as três deusas” e o seu retrato de coroação. Lisa também inova ao observar que os três homens mais importantes de sua vida eram Robert Cecil, Robert Dudley e Filipe II da Espanha – aparentemente, ela mantinha uma pintura de Filipe em seu quarto.

Eu também fiquei com a impressão, ao ler o livro, que a autora exagera um pouco demais na concepção de que seu livro é o único (ou um dos únicos) a ver que Elizabeth gostava de jogar com as convenções relativas ao seu gênero; e que “quase toda biografia da rainha começa com a premissa de que seu governo foi cheio de anomalias” – é só ler o livro de Mary Dunn, “Elizabeth e Mary: primas, rivais, rainhas” (Rocco, 2004); ou “As Rainhas Tudor – o poder no feminino em Inglaterra (séculos XV – XVII)” de David Loades (Caleidoscópio, 2010), entre diversos outros livros, e podemos perceber que isso não é bem verdade. Outra crítica, publicada por Linda Porter ao HistoryToday, conta que uma das maiores fraquezas do livro é que Hilton precisaria pesquisar um pouco mais sobre as avaliações políticas do período – ela acredita, por exemplo, que Maria Tudor era uma irmã feia que odiava Elizabeth desde o nascimento – uma visão saída direto do século 19. A autora ainda mostra pouca familiaridade com os personagens de Maria Stuart e Francis Walsingham, figuras proeminentes no reinado de Elizabeth.

Porter ficou, então, com uma sensação de “oportunidade perdida” ao ler o livro – possivelmente o mesmo sentimento que Oliver Poole teve ao escrever para o jornal Independent, em que ela menciona que, ao mesmo tempo em que Lisa é convincente ao mostrar como era a mentalidade da época sobre o gênero e sexo, é pouco convincente ao insistir sobre como o Renascimento moldou o reinado de Elizabeth – ela não só criava sua imagem, mas também aprendia e copiava com autoridade os costumes da época.

“Por várias razões, Elizabeth foi muito menos uma figura “do Renascimento” que seu pai […] , ao contrário de Henrique VIII, ela não foi uma inovadora nas artes. Não construiu palácios, patrocinou poucos pintores expressivos, manteve uma corte adequada, mas não extraordinária para os padrões da época. Seu legado artístico não é impactante, mas de forma alguma tão pobre quanto parece à primeira vista. Todavia, Elizabeth realizou seu objetivo primordial, a proteção do Estado […]” (HILTON, 2016, pág. 19).

Apesar disso, o livro de Lisa ainda é uma oportunidade única para os leitores brasileiros, cujos únicos livros acadêmicos publicados sobre Elizabeth são: “Grandes Líderes“, de Catherine Bush (1988); “A vida de Elizabeth I de Inglaterra“, de Jacques Chastenet (1976), “Elizabeth e Mary“, de Jane Dunn (2004) e “Inglaterra, A vida no reino de Elizabeth“, de Norman Jones (2007). Com 416 páginas, um caderno de imagens coloridas e de outras figuras de sua época, o livro está sendo vendido por R$69,90 pela Editora e por R$39,90 se comprada como e-book.

“A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones”: revisão e crítica

GuerraUm mês atrás, a editora brasileira M. Books me contatou perguntando se eu queria uma cópia do livro “A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones”, publicada recentemente pela editora, para fazer uma crítica no meu site. Logicamente aceitei a proposta: esse livro ficou extremamente popular por ser o primeiro livro de História a ser publicado no Brasil inteiramente dedicado à Guerra das Rosas, ao mesmo tempo em que é um dos primeiros livros de história publicados no Brasil a fazer referência as diversas histórias que inspiraram G.G. Martin a escrever sua popular série “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Publicado pela Amber Books em 2015 no estrangeiro, foi lançada em 2016 aqui no Brasil pela editora M. Books, com um total de 224 páginas e mais de 180 imagens. Como observa Dougherty sobre Game of Thrones no último capítulo de seu livro,

“Esta série não é uma tradução direta da Guerra das Rosas num ambiente de fantasia. Não faria sentido; essa história já foi contada em numerosos livros. No entanto, a obra apresenta casas nobres em gierra, com nomes que soam estranhamente familiares, além de personagens que parecem paralelos a pessoas históricas. O conceito básico é bastante simples: a luta pelo controle de um reino divido, na qual traição e dissimulação têm papel tão importante quanto as batalhas campais” (Martin J. Dougherty, pág. 217).

De fato, quem lê o Boullan já deve ter visto os artigos publicados aqui que fazem paralelo da história Tudor com os personagens de Game of Thrones: Elizabeth de York e sua influência em Sansa Stark, Ana Bolena e sua influência em Margaery Tyrell e Cersei Lannister e a influência de Elizabeth I e Henrique VII em Daenerys Targaryen. Mas não são só os personagens que são parecidos. Quem conhece o enredo da série e do livro também deve ter percebido a similaridade com esse evento histórico – embora a Guerra das Rosas não inclua nenhum dragão gigantes, zumbis ou pessoas que voltam da morte, mas sim seus rivais ao trono, uma sucessão de monarcas fracos ou maus, príncipes e princesas cujas vidas foram interrompidas antes do momento e diversos ‘protetores do reino’.

Mas se Game of Thrones também chama a atenção por sua fotografia e efeitos especiais, o livro de Dougherty chama a atenção por ser um dos livros sobre os Tudor que li que mais tem imagens (o que explica seu preço de quase R$80 reais): são figuras da casa de Lancaster e York, mapas de batalhas, xilogravuras, personagens importantes, fotografias de crânios, castelos, armas e diversas outras – praticamente todas as páginas do livro contém imagens.

livro

Algumas fotografias do livro.

O título do livro de Martin J. Dougherty claramente foi escrito com o intuito de capitalizar o interesse da série ‘Game of Thrones’, uma vez que R.R. Martin disse diversas vezes, em entrevistas, que sua série de livros foram baseadas em histórias reais. No entanto, o leitor que quer ler um livro sobre Game of Thrones provavelmente ficará desapontado com o livro de Dougherty, pois apesar da referência ao título, o autor só escreve mesmo sobre a série de livros ou sobre R.R. Martin no 9º e último capítulo. Antes de tudo, “A Guerra das Rosas: a história que inspirou Game of Thrones” é um livro sobre a Guerra das Rosas, e mais ainda, sobre a história militar. Além disso, para quem está acostumado a ler sobre esse período, a tradução dos nomes pode ser um pouco confusa – confesso que levei alguns segundos para lembrar quem era “João de Gante”, por exemplo, mas felizmente não há aquela confusão que sempre há entre William e Guilherme – para quem não sabe, a tradução portuguesa do nome William é Guilherme, por isso é muito comum vermos em livros Tudor um dos homens que foram condenados à morte por conta de Ana Bolena ser chamado de Guilherme Brereton ao invés de William Brereton; ou William o Conquistador ser chamado de Guilherme, o Conquistador. Tendo sido publicado no exterior recentemente, o livro ainda conta com uma inédita (no Brasil) análise da Guerra das Rosas em conjunto com a análise do esqueleto de Ricardo III, que foi descoberto em um estacionamento em 2012. Embora na Inglaterra tenha chovido livros sobre Ricardo III após essa excitante descoberta, pouco ou nada foi publicado aqui no Brasil.

Certamente o livro não é tedioso. Martin J. Dougherty é um autor freelancer, e é especializado em assuntos militares e históricos – procure fotos dele no Google, e encontrará diversas fotografias dele como esgrimista. Ele é, inclusive, faixa preta em Ju-Jutsu e outras três cateogiras de luta – ou seja, é muito diferente de qualquer outro autor que já tenha publicado livros sobre os Tudor ou sobre a Guerra das Rosas no Brasil, trazendo uma perspectiva muito diferente para o livro. No entanto, para quem já conhece a história da Guerra das Rosas de trás para a frente, eu não recomendo o livro: seu foco é, principalmente, aqueles que não tem nenhum conhecimento sobre esse período histórico, e embora trate de tudo com detalhes (principalmente quando as batalhas são discutidas), e quem conhece essa história pode achar o livro de pouco interesse.  Ainda sim, para quem gosta de colecionar livros sobre os Tudor ou gosta de ler sobre a Guerra das Rosas, essa obra é sem dúvida um item que todos precisam ter em suas prateleiras.

Helen Mirren é uma rainha virgem em “Elizabeth I” (2005)

posterHelen Mirren está majestosa no papel de uma mulher que ainda cativa a imaginação do público, uma mulher que tinha tudo mas que deixou o casamento e a criação de uma família de lado a fim de cumprir seu dever como líder de uma nação. Ou seria porque todos os homens ao seu lado eram duas caras, com os olhos na coroa? É difícil dizer.

Cheio de paixão e pompa, a série da HBO ‘Elizabeth I’ narra os vários namoros, intrigas e escândalos que cercaram os grandes amoras da vida da Rainha Elizabeth: Robert Dudley, Conde de Leicester, Robert Devereux e, em menor medida, François, Duque de Anjou. A produção foca a mulher Elizabeth e não a rainha, e suas tentativas de conciliar sua vida privada com sua imagem pública. Elizabeth I começa em 1578, quando Elizabeth (Helen Mirren) governa um país onde católicos e protestantes se tornaram inimigos ferrenhos. Este é um elemento muito tratado no filme, um componente geralmente esquecido em outros filmes sobre Elizabeth.

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Entrevista com Claire Foy e sua interpretação de Ana Bolena em “Wolf Hall”

De Janeiro à Fevereiro de 2015 a atriz Claire Foy interpretou Ana Bolena, a segunda esposa de Henrique VIII, na adaptação dos livros de Hilary Mantel: Wolf Hall e o Livro de Henrique. De acordo com rumores, mais de 7 milhões de euros foram gastos na série de seis episódios, com roupas historicamente corretas feitas sobre medida e costuradas à mão, além de filmagens em quase 15 castelos diferentes. Embora tenha sido criticada em suas primeiras fotos promocionais por ser “muito branca” e ter olhos azuis, sua interpretação cativou muitos fãs da rainha Ana Bolena.

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O quanto você sabia sobre Ana Bolena antes de conseguir o papel?

Eu sabia tanto quanto qualquer pessoa, especialmente uma pessoa que tenha feito o ensino primário na Inglaterra, onde você aprende a rima “divorciada, decapitada, morreu”. Ela sempre foi, obviamente, a mais interessante. Mas nós temos todas essas idéias de como ela era, que ela tinha seis dedos e muitos casos, que ela uma bruxa uma esposa muito terrível. Essa foi a impressão que eu tive aos sete anos de idade. É surpreendente que uma propaganda dure tanto tempo. Continuar lendo

The White Queen – Episódio 10 [Final da Temporada]

‘O compromisso da Princesa Elizabeth com Henrique Tudor divide a lealdade da Corte. Ricardo sabe que não pode mais evitar a batalha que irá decidir seu destino como rei. Margaret não sabe qual partido seu marido irá tomar, e teme por seu filho. Como a batalha pela coroa se aproxima, Elizabeth continua a planejar para colocar sua filha no trono, independente de quem seja o vencedor.’

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