Foto da Semana #313

Lily Lesser como a princesa Maria Tudor na série Wolf Hall, em 2015.

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O romance de Elizabeth I e Francisco, Duque de Anjou

Elizabeth

“Confesso que não há príncipe nenhum no mundo a quem eu mais de bom grado me entregaria para ser dele, a quem vós, nem a quem eu me veja mais agradecida, nem com quem eu gostaria de passar os anos da minha vida, por vossas raras virtudes e doce natureza”

Carta de Elizabeth, após a partida de Anjou.

Nascido em 1555, com o nome de Herculés, o jovem francês teve varíola aos oito anos, e seu rosto manchado e sua espinha ligeiramente deformada claramente não atendia à expectativa do nome, que foi mudado para Francisco em homenagem ao seu falecido irmão Francsco II da França. Três anos depois, aos vinte e cinco anos, Elizabeth Tudor ascenderia ao trono da Inglaterra. Continuar lendo

O curioso caso de Mary Baynton, a jovem que fingiu ser Maria Tudor

Mary Tudor

Dizem que a imitação é a maior forma de elogio. Mas no século XVI fingir ser uma pessoa, particularmente uma pessoa importante, era perigoso. Em 1533, uma garota de dezoito anos chamada Mary proclamou em público que sua tia, Maria Tudor, filha de Henrique VII e irmã de Henrique VIII, ex-rainha da França e atual esposa de Charles Brandon, tinha dito uma profecia para ela:

“Sobrinha Maria, eu sinto muito por você, pois eu vejo que sua fortuna será muito difícil, e você terá que mendigar uma vez em sua vida, ou na sua juventude ou depois”.

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As Damas de Companhia

As damas de companhia eram assistentes do sexo feminino em uma corte, que atendiam a uma rainha, princesa ou outro nobre. A dama de companhia era muitas vezes nobre e de uma família bem conceituada, mas geralmente de uma classificação mais baixa de quem ela atende. Ela não é considerado um servo, e suas funções variam de corte para corte. A definição de uma dama de companhia é:

“Uma senhora de uma corte real designada a servir ou atender uma princesa,rainha ou uma nobre. A dama de companhia não é um servo. As damas de companhia eram consideradas “nobres companheiras” que, pelo seu estatuto e nobreza, poderiam melhor aconselhar uma mulher de alto status.”

O papel da dama de companhia mudava e evoluía de acordo com o monarca reinante e da rainha. O papel da dama de companhia inglesa é datado no período medieval. Onde havia uma rainha, ela poderia exigir senhoras de alta patente para atendê-las. Delas não era esperado tarefas triviais e servis – estas eram realizados pelos funcionários.

A praxe da corte efetivamente exigia que as damas da Rainha devessem ter boa aparência, ou, se isso não fosse possível, que pelo menos não fossem feias. Os cavalheiros do Rei incluíam os jovens mais atléticos e competitivos do país. Reunir esses dois grupos era o entretenimento da corte.

A dama de companhia era uma importante membro da corte real e desempenhava um papel ativo no entretenimento da corte, tais como mascaradas, danças e jogos. Muitas damas se tornaram amantes do Rei ou ficaram com os altos rankings de nobres da Inglaterra.

Manter um equilíbrio político também era uma preocupação durante os tempos Tudor. Senhoras de todas as famílias importantes eram nomeadas damas de companhia, embora a rainha deixasse seus amigos pessoais com cargos melhores. A Rainha Catarina de Aragão preferia as damas que lhe tinham servido quando ela tinha chegado na Inglaterra, enquanto Ana Bolena contava com as irmãs de Wyatt entre suas damas. Henrique disse a sua esposa, Catarina Parr, que ela podia ‘escolher qualquer mulher cuja companhia ela gostasse de passar o tempo’. Muitas Rainhas, como Elizabeth I, regularmente cercavam-se como membros da família, na esperança de que poderiam confiar neles.

Em seu livro “Ladies in Waiting”, Anne Somerset cita uma dama de espera da rainha Caroline, dizendo “Cortes são lugares misteriosos… Intrigas, ciúmes, corações quebrados, mentiras e dissimulações prosperam na corte como cogumelos em um viveiro”. Este é exatamente o tipo de lugar onde você precisa saber em quem confiar. Somerset continua dizendo que:

“Em uma época em que praticamente todas as profissões eram exclusivamente masculina, a posição de dama de companhia da a rainha era uma ocupação onde só a alta classe inglesa poderia possuir com propriedade”.

Embora o controle direto estava fora de suas mãos, o poder da influência, conhecimento, fofocas e das redes de relacionamento estavam dentro do conhecimento dessas damas.

Na era Elisabetana, era necessário que as damas soubessem tocar instrumentos, conhecer várias danças, acompanhar a rainha em todas as suas procissões pela Inglaterra, assistir ocasiões importantes e atender todas as exigências da rainha. Elas também tinham que saber outras línguas, bordar, ler e escrever.

Uma dama de companhia não era autorizada a se casar sem o consentimento prévio da rainha. Na verdade, era esperado da rainha encontrar um marido apropriado para suas damas, e elas, por sua vez, deveriam ser leais e obedientes. Durante o reinado de Elizabeth I, havia quatro níveis de dama de companhia:

  • A real Dama de companhia: era selecionada a partir das mulheres mais nobres da Inglaterra. Elas não eram pagas, mas ganhavam poder político e status ao invés, e tinham poucas obrigações.
  • As senhoras da Câmara privada: Estas acompanhavam a rainha nos seus quartos particulares, longe do olhar público.
  • As senhoras da Câmara da cama: Estas eram as mais experientes na Casa Real, e eram quatro, que tinham que atender os mais íntimos requisitos da rainha
  • Donzelas de honra: Este nome geralmente empregava as damas de companhia solteiras.

Quanto mais próximo uma mulher fosse da Casa Real, mais damas ela tinha. Em alguns casos, parentes eram escolhidos. Como curiosidade, vale notar que três das esposas de Henrique VIII, Ana Bolena, Jane Seymour e Catarina Howard eram damas de companhia da rainha antecessora. Jane Grey, a rainha de nove dias, também serviu como dama de companhia da rainha Catarina Parr, antes de sua coroação em 1553.

Vários príncipes europeus casaram com damas de companhia de seus parentes, e por causa da diferença de status esse casamento era morgamático, o que significa que ela não poderia ser tratada como um membro da família real e, na maioria dos casos, não receberia todos os direitos e bens como num casamento ordinário.

Bibliografia:
BYRD, Sandra. ‘English Ladies in Waiting‘. Acesso em 9 de Agosto de 2012.
Lady-in-waiting‘. Acesso em 9 de Agosto de 2012.
Lady in Waiting‘. Acesso em 9 de Agosto de 2012.
Documentário ‘The Six Wives of Henry VIII’, escrito por David Starkey, emitido no Channel 4 de 10 de setembro de 2001 a 1 de outubro de 2001.