O rei e suas cinco esposas: Os Amores de Henrique VIII (1933)

posterUm dos filmes mais conhecidos sobre o rei Tudor, “The Private Life of Henry VIII” é curioso pois começa com a execução de Ana Bolena, sua segunda esposa. Alexander Korda, o diretor, estava à procura de um projeto que fosse apropriado para o ator Charles Laughton e sua esposa, Elsa Lanchester e originalmente, a história iria se concentrar exclusivamente no quarto casamento do rei com Ana de Cleves, mas o projeto cresceu para incluir as cinco últimas esposas de Henrique: a primeira, Catarina de Aragão, foi omitida porque os envolvidos no projeto não tinham nenhum interesse em mostrá-la, descrevendo-a apenas como uma ‘senhora respeitável’ em um dos interlúdios do filme.

Merle Oberon, que se tornaria uma das atrizes mais belas de Hollywood nas décadas de 1930 e 1940 teve um papel relativamente pequeno no filme como Ana Bolena. No entanto, foi uma aparição memorável, e a atriz tornou-se fascinada pelo seu personagem, pendurando até um retrato de Ana em seu apartamento. Sua frase mais marcante durante o filme foi, “Não é uma pena perder uma cabeça como essa?” Continuar lendo

O Destino das Freiras Tudor

Margaret Beaufort rezando, por artista desconhecido em 1558.Aonde que as freiras foram quando Henrique VIII rompeu com Roma e fechou as casas religiosas? O que sabemos sobre esse aspecto da história Tudor é amplamente focado em homens e o que eles fizeram depois que já não podiam ser sacerdotes.

Cerca de 1.800 freiras, 1.600 frades e 5.000 monges foram expulsos de suas ordens religiosas na década de 1530. Comissários de Henrique VIII investigaram os mosteiros acusados de corrupção e violência onde, surpreendentemente, todos foram considerados culpados. Mais de £ 1.000.000 foi transferido para o tesouro real na dissolução. O rei prometeu que essa riqueza seria usada para fundar ou melhorar estabelecimentos de caridade e educação religiosa. Historiadores afirmam agora que não mais de 15% da riqueza adquirida foi utilizada para esses fins.

Certamente, algumas mulheres fugiram para o continente e continuaram suas vidas religiosas. A maioria, no entanto, não tinha nem os meios nem a oportunidade de deixar a Inglaterra. As pensões que lhes foram prometidas pelo governo eram difíceis de obter, porque elas não só tinham que ir até os centros urbanos, mas tinham que achar a pessoa certa e ter os meios para parar os escribas que transfeririam o dinheiro. Sem seus dotes, que se tornaram propriedades dos conventos, ou membros da família para ajudá-las, essas mulheres de família muitas vezes não eram pagas.

Alguns historiadores que estudaram a dissolução notaram algo: em vários casos, freiras tentaram viver juntas em pequenos grupos depois de terem sido forçadas a sair de seus conventos. Elas estavam determinadas a continuar em suas vocações, da maneira que podiam.

‘Aqueles que tiveram parentes procuraram asilo no seio de sua própria família’, escreveu um historiador do século 19. O casamento não era uma opção. Em 1539 o Duque de Norfolk apresentou ao Parlamento o  ‘Ato de Seis Artigos’, que proibia ex-freiras e monges de se casar. O ato,que teve a aprovação do rei, tornou-se lei. O rei não queria as freiras em um convento, e nem queria que elas se casassem com qualquer um.

A pobreza e miséria foi provavelmente o destino de muitas freiras na Inglaterra. A pobreza pode levar, é claro, ao crime, e suas punições. Roubo poderia levar ao enforcamento, até mesmo para as mulheres. E as mulheres acusadas não poderiam contar com o benefícios do clero, que salvou muitos homens Tudor em suas execuções. O Embaixador Eustace Chapuys escreveu a Carlos:

‘É lamentável ver uma legião de monges e monjas, que foram expulsos de seus mosteiros, vagando miseravelmente de cá para lá, em busca de meios de vida, e vários homens honestos já me disseram que com os monges, freiras e pessoas dependentes dos mosteiros suprimidos, havia mais de 20.000 que não sabiam como viver.’

Bibliografia:
KENNEDY, Sarah. ‘Nuns in Tudor England’, 14/06/2013. Acess: 20 jun 2013.
BILYEAU, Nacy. ‘The fate of Tudor Nuns‘, 20/03/2013. Acess: 20 jun 2013.

Mansão Tudor assombrada está à venda por £4.75 milhões

Uma mansão Tudor ostentando um salão de trinta metros, três esconderijos de padres e seu próprio fantasma está à venda por £4.75 milhões. Sawston Hall, descrita como a melhor casa particular em Cambridgeshire, tem cinco suítes, um fosso e um arboreto com árvores raras, mas a sua verdadeira atração é a sua história.

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A religião de Ana Bolena

Não há dúvidas da contribuição de Ana Bolena para a Reforma na Inglaterra. Para se casar com Ana, Henrique decidiu romper com a Igreja Católica depois que o papa se recusou a conceder o divórcio dele com Catarina de Aragão. Se o papa tivesse concedido a despensa, teria Henrique VIII se separado de Roma mais tarde? Muitos historiadores dizem que não. Mas Henrique não conseguiu o que queria, e como sabemos, não foi fácil para as pessoas depois que ele rompeu com a Igreja Católica, pois a Inglaterra entrou numa nova era, e a chamada nova religião foi se tornando cada vez mais popular. Ana Bolena foi uma reformadora? Ela era religiosa? Como a religião afetou a sua vida? Procurarei responder essas perguntas neste artigo.

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A vida da mulher na era Tudor

Na Inglaterra dos Tudor, como em muitas outras culturas, as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Tanto os homens quanto as mulheres acreditavam nisso, porque a Igreja lhes disse e Deus ordenara. Mesmo com o advento da Reforma, isso não significou qualquer mudança no pensamento. O líder protestante John Knox, uma vez escreveu: “As mulheres em sua maior perfeição nasceram para servir e obedecer os homens”. Se você se lembrar, o tema era familiar ao da terceira esposa de Henrique VIII, Jane Seymour (“Pronta para obedecer e servir”).

Desde o nascimento, as mulheres tinham como dever ser uma boa filha e obedecer ao seu pai sobre tudo. Mesmo os tios, irmãos mais velhos e amigos dos pais de família deveriam esperar obediência imediata das meninas.

Para a maioria das mulheres eram ensinadas a arte de ser uma esposa ideal, por exemplo, como gerenciar uma casa, bordar, costurar, desenvolver soluções, preparar alimentos, os seus deveres com o futuro marido.

Na primeira metade do século XVI, a maioria das pessoas não acreditavam em educação feminina. Eles achavam que ensinar a ler e escrever era um desperdício de tempo. Eles temiam que elas passassem os dias se entretendo com cartas de amor.

Como esperado, a educação era um privilégio das damas de alto status. Seus pais ou chefes de famílias eram responsáveis pela contratação de professores, geralmente clérigos, cuja principal missão era a de transmitir dogmas religiosos. Eles também eram muito importantes nas artes musicais e nas línguas clássicas como latim, grego, além de espanhol, francês e italiano.

Apenas quatro das seis esposas de Henrique VIII receberam uma educação formal: Catarina de Aragão, Ana Bolena, Ana de Cleves e Catarina Parr. Jane Seymour e Catarina Howard mal eram alfabetizadas. Catarina de Aragão era considerada uma senhora virtuosa; Ana Bolena tornou-se conhecida por seu talento musical e sua habilidade de comunicação em francês. Elizabeth I teve uma educação extraordinária e era aficcionada pela leitura.

Os maridos das senhoras bem-nascidas eram escolhidos por seus pais ou outros parentes do sexo masculino da família. Muitos poucos homens e mulheres tinham o privilégio de escolher os seus próprios parceiros. As chances de uma mulher ter um bom casamento dependia muito de sua riqueza e posição social de sua família, de sua beleza ou realizações.

Os casamentos eram arranjados por razões políticas, para cimentar alianças, juntar riquezas, terras, status, forjar laços entre duas famílias. A idéia de se casar por amor era considerada absurda e bizarra. O casamento real era feito em vista de vantagens políticas, militares e comercial. Ás vezes, acontecia do casal só se conhecer no dia do casamento.

Os monarcas faziam casamentos com princesas de outras nações para ampliar seus poderes. Mas nem sempre dominada por interesses, às vezes o amor rompia barreiras. O caso de Eduardo IV, que se casou com Elizabeth Woodville, uma plebéia, por amor, o escândalo se espalhou pela Europa. E quando seu neto Henrique VIII se casou com quatro mulheres que não eram de sangue real, tal ato passou ‘despercebido’. O que chamou mais a atenção é que Henrique se casou com a maioria de suas esposas por amor, completamente fora das regras. Alguém podia dizer que havia motivos políticos no meio de tais uniões. Dentro da corte, havia várias facções tentando se beneficiar através do casamento do seu monarca.

Normalmente, as negociações para os casamentos reais levavam anos para serem finalizados. Geralmente começavam na infância para ambas as partes. O cortejo real era composta por cartas formais, com declarações de amor e presentes simbólicos, geralmente jóias.

Na maioria dos casos, devido à grande distância entre o casal, era impossível saber a aparência antes de se casar. As pessoas tinham que se contentar com descrições e retratos. Ás vezes se tinha uma decepção ocasional, como é conhecido o caso de Ana de Cleves, quarta esposa de Henrique VIII. Quando o rei viu seu retrato, amou, mas não gostou dela ao conhecê-la pessoalmente.

Richard of Shrewsbury and Anne de Mowbray WeddingNão havia idade legal para o noivado. O casamento de crianças não era desconhecido. Este foi o caso de Ricardo de Shrewsbury, duque de York (filho de Eduardo IV), que quando tinha cerca de quatro anos casou-se com Ana de Mowbray, que tinha cinco anos. A idade usual era quatorze anos, pois a mulher já era vista como demasiada velha para se casar e uma boca para alimentar, sem nenhuma renda extra entrando na casa. Ninguém questionava a idade precoce, uma vez que a expectativa de vida de uma mulher naquela época era de trinta anos. As chances de uma mulher ter um bom casamento dependia muito de sua riqueza e posição social de sua família, de sua beleza ou realizações.

Uma vez casadas, a principal função da mulher era produzir um filho para continuar a linhagem da família. Isto era a verdade desde o rei até o camponês comum. Na Inglaterra Tudor, a gravidez e o parto eram especialmente perigosos para uma mulher, e a morte no parto não era incomum. Uma das tradições nessa época era que a esposa preparasse um novo berçário para o bebê e fazer arranjos caso ela morresse no parto. Este ato era assistido por uma ‘parteira’, sendo esta geralmente um parente ou vizinho idoso do sexo feminino, sem conhecimento médico. As complicações eram frequentes, e mesmo se o parto fosse bem sucedido a mãe ainda poderia ser vítima de doenças devido à falta de higiene durante o parto. A mais famosa vítima Tudor de morte pós-parto é Jane Seymour, que morreu após dar à luz a Eduardo VI.

O modo como as mulheres se vestiam também eram estritamente controlados. As mulheres casadas não podiam usar o cabelo solto. Elas tinham que esconder seus cabelos sob um véu ou um capuz. As rainhas podiam usar os cabelos soltos em ocasiões de Estados, mas isso só era tolerado se elas usassem uma coroa. O cabelo de Ana Bolena era longo o suficiente para que ela pudesse se sentar nele – mas apesar de sua natureza forte, ela fez o esperado e escondia o seu cabelo, após o seu casamento com Henrique VIII.

Os vestidos, claro, cobriam quase tudo. As mangas iam até os punhos, e os vestidos de verão iam até o chão. Os espartilhos eram comuns, e um decote era considerado aceitável. Para as rainhas, os vestidos cerimoniais eram bonitos para quem olhasse, mas eram volumosos e pesados, geralmente incrustados com pedras preciosas. Usados em noites quentes, os vestidos deveriam ser bem desconfortáveis. As roupas eram feitas de lã ou de linho. Só as mulheres ricas podiam comprar algodão e seda.

A maioria das mulheres usavam capelos ou chapéus. Foi Ana Bolena que introduziu a moda do capelo francês na Inglaterra. Também era moda para as mulheres terem a pele pálida (se você fosse mais morena isso mostrava que você era pobre, pois tinha que trabalhar no sol quente). As mulheres deixavam seus lábios e bochechas avermelhados com chochonilha, um corante feito a partir de besouros triturados.

A partir do século 14 e até meados do século 17 havia leis para prever o que cada classe poderia ou não usar, de modo que só as pessoas de determinadas categorias pudessem usar determinados tipos de materiais em suas roupas. Isso era para que as pessoas pudessem ser facilmente reconhecidas pelas suas roupas, mas as leis se provaram ineficazes, uma vez que as pessoas simplesmente a ignoravam.

A lei dava ao marido plenos direitos sobre sua esposa. Ela se tornavam efetivamente sua propriedade. Uma mulher que cometesse adultério poderia ser queimada na fogueira, se a rainha/rei concordasse. A mulher que matasse o marido também era queimada na fogueira. Se a esposa apanhasse do marido, a lógica era de que a esposa teria provocado a briga e o marido não a teria agredido se ela não tivesse provocado. Portanto, ela era a responsável. Em teoria, uma mulher podia sair do casamento, mas para quê? Quem ficaria com ela, quem iria se casar com ela? Portanto, as mulheres tinham de permanecer no casamento, mesmo se fosse algo brutal, havia poucas coisas a se fazer.

As profissões eram fechadas para as mulheres (médicos, advogados e professores sempre eram do sexo masculino) e o emprego feminino era muitas vezes braçal e mal pago. No entanto, as mulheres eram autorizadas a participar de algumas guildas (organização de comerciantes e trabalhadores qualificados).
Em 1562, uma lei tornou ilegal empregar um homem ou uma mulher em um comércio a menos que tenha servido de aprendiz por sete anos. No entanto, no caso das mulheres, a lei muitas vezes não era aplicada. Muitas vezes, as guildas permitiam que os membros do sexo masculino empregasse sua esposa ou filhas. Além disso, se um artesão morresse, sua viúva muitas vezes trabalhavam em seu lugar.

Algumas mulheres trabalhavam na preparação de alimentos (na padaria, confeitaria ou fazendo cervejas), ou como chapeleiras, sapateiras, bordadeiras, lavadeiras. Muitas vezes, a esposa de um comerciante fazia suas contas se ele estava viajando e cuidava dos negócios. Se ele morresse, provavelmente deixaria seu negócio para ela – porque ela seria capaz de executá-lo.

No século 16 a maioria das famílias no meio rural eram praticamente auto-suficientes. Uma dona de casa tinha de cozinhar o pão e fermentar a cerveja (pois não era considerado seguro beber água), além de ser responsável pela cura do bacon, salgar a carne, fazer picles, geléias e compotas. Elas também faziam velas e sabão. A esposa de um fazendeiro também ordenhava as vacas, alimentava os animais, cuidava das ervas e legumes. As donas de casa também tinham de ter algum conhecimento sobre medicina e ser capaz de tratar de doenças da sua família, pois só os ricos podiam comprar um médico.

O uso de cosméticos ou maquiagem era desaprovada em alguns pontos da história, mas as mulheres ricas e nobres da era Tudor usavam maquiagem como uma indicação de seu status e classe social. A maquiagem também tinha o senso prático de esconder cicatrizes de várias doenças, como varíola, por isso a maquiagem pesada não era moda durante o reinado de Henrique VIII. Os perfumes eram populares junto com os cremes e pomadas para amaciar a pele.

Embora era dito naquela época que mulheres não tinham alma, muitas mulheres independentes no século 16 tinham firmes convicções sobre a religião. Algumas delas foram martirizadas. No reinado da rainha Maria, que era católica e perseguia os protestantes, 56 mulheres foram queimadas por suas crenças.

Elizabeth I era protestante, e durante o seu reinado você poderia ser enforcado se abrigasse um padre católico. Várias mulheres, como Anne Line, Margaret Clitheroe e Margaret Ward foram enforcadas por ajudar padres católicos ou ajudá-los a fugir da prisão.

Bibliografia:
JOSÉ, Caroline Barrio. ‘La vida de las mujeres en la Inglaterra Tudor‘. Acesso em 7 de maio de 2011.
LAMBERT, Tim. ‘Life for women in Tudor Times‘. Acesso em 7 de maio de 2011.

A Páscoa na Era Tudor

As tradições da Páscoa, incluindo os rituais da Semana Santa continuaram durante os tempos Tudor com vários modos de celebrações como modo de enriquecer os seus costumes.

Os Tudors nunca perdiam uma possível chance de se divertirem, em festivais de igrejas, casamentos, batizados e outras ocasiões, de modo que isso socializava e enriquecia a suas vidas. Muitos dos passatempos das pessoas dessa época eram torneios, teatros, danças, músicas e leitura. A caça e a luta também era considerados agradáveis atividades recreativas.

No entanto, a época da Páscoa religiosa também foi um momento de série consideração dos pecados e as orações, como haviam sido durante os tempos medievais.

O primeiro dia da Semana Santa era o Domingo de Ramos, quando o padre iria ler a história da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém montado num jumento.

A maioria dos fiéis das igrejas medievais eram camponeses sem instrução que não sabiam ler. Naquela época (antes da Reforma) , as escrituras só eram escritas em latim, que era interpretado e traduzido pelos sacerdotes. O ritual da missa poderia ser um mistério para os leigos, que viam os gestos e o coro sem saber do que se estava falando. Eles aprendiam sobre a Bíblia pelos vitrais e desenhos que ilustravam as histórias. Os teatros também eram populares.

Para se preparar para a Páscoa, os fiéis começavam o jejum 40 dias antes, na quarta-feira de cinzas. Cada penitente, rico ou pobre, iam à missa neste dia e permitiam que o padre fizesse o sinal da cruz em sua testa com cinzas. Esta era a declaração pública de seu arrependimento pelos pecados – um ritual muito sério. O jejum começava logo em seguida, e incluía apenas uma refeição por dia, exceto para os muito jovens, idosos ou doentes. Eles não podiam comer  carne, produtos lácteos, consumindo apenas ovos e frutas em sua dieta.  Durante esse período, os ovos eram cozidos e guardados, uma tradição que continua até hoje na pintura de ovos cozidos.

Para os cristãos, a Páscoa era particularmente agradável porque via após as semanas de jejum e abstinência. A partir da quarta-feira, quando os devotos eram marcados, a Quaresma era um tempo e que todos, ricos ou pobres, renunciavam aos prazeres da vida cotidiana.

A Quaresma atingia o seu pico na semana anterior à da Semana Santa e da Páscoa, quando missas especiais eram feitas na igreja. Como a quinta-feira foi o dia da Última Ceia, que era lembrada com a eucaristia ou comunhão na igreja. Entretanto, recentes pesquisas afirmam que a Última Ceia de fato ocorreu na quarta-feira.

Na quarta-feira, o sacerdote lia passagens da Bíblia sobre o véu do Templo em Jerusalém. Posteriormente, o véu da Quaresma era removido e embalado até a celebração do ano seguinte.

Na quinta-feira santa, o clero preparava a igreja para a celebração da Páscoa lavando os altares com água e vinho. Eles também ouviam confissões durante o dia.

Na sexta-feira santa, a tradição medieval “Rastejar à Cruz” ainda era uma prática popular. O clero comemorava o sofrimento e a crucificação rastejando até um crucifixo diante do altar, de joelhos ou descalços. Ao chegar ao crucifixo, eles beijavam os pés de seu salvador. O sepulcro da Páscoa era um nicho de pedra ou madeira, que representava o túmulo selado. O clero enchia-o com hóstia sagrada e um crucifixo. Então eles selavam a entrada com um pano e velas acesas em torno dele. Os membros da congregação, em seguida, se revezavam cuidando dele.Uma velha tradição proibia qualquer pessoa a usar pregos ou ferramentas de ferro na sexta-feira, de modo a comemorar Jesus na cruz.

No sábado de noite, o paroquianos esperavam fora da igreja para assistir ao nascer do sol, enquanto cantavam hinos de alegria. No domingo de Páscoa, o  padre os levava para dentro da igreja, e o clero apagava as velas da igreja e, em seguida, re-acendia-as antes da abertura do sepulcro.

Era dada uma missa especial, para celebrar a ressurreição, juntamente com a boa notícia do evangelho ao anunciar que, através do sacrifício, o  pecado de todos os homens foram perdoados e que eles teriam a vida eterna.

Essa missa marcava o fim da Quaresma, um período onde a dieta das pessoas eram limitadas, de modo que era natural comemorar o domingo com muita comida. Esta era a festa mais especial do ano medieval. Todos aqueles que podiam pagar usavam roupas novas, como sinal de um novo começo. Na verdade, essa poderia ser a única vez em que cada ano que os pobres usavam roupas novas.

O banquete medieval, é claro, não se tratava de apenas alimentar o corpo. Sem internet, televisão ou telefone, as festas eram mega-eventos sociais. A festa tinha várias fases, com músicos, acrobatas e outros divertimentos.

As crianças tinham muito divertimento, com os pais escondendo os ovos cozidos como um símbolo dos apóstolos encontrarem Cristo ressuscitado no túmulo. Elas levavam os ovos para igreja para serem abençoados.

Os reis davam ovos dourados para os seus subalternos favoritos. Os registros sobreviventes da Condessa de Leicester mostra quantos ovos ela distribuiu para os seus inquilinos em 1265. O número varia de 1.000 a quase 4.000. Eduardo I da Inglaterra disse ter distribuído 450 ovos, muitos deles cobertos com folhas de ouro, em sua última Páscoa, em 1307.

Para muitos, a principal coisa a se esperar num domingo de Páscoa era que era um dos poucos dias do ano em que ninguém tinha que trabalhar. Era tradicional para os funcionários darem ao seu senhor um pequeno presente, como um prato de comida ou um animal recém-nascido e, em troca, o senhor dava uma festa para os seus funcionários e suas famílias.

Para as seções mais ricas da sociedade, a corte medieval na páscoa vivia um momento para restabelecer amizades, concretizar relacionamentos e participar em um suntuoso banquete, uma festa que continha todos os alimentos que tinham sidos proibidos durante a quaresma.

Entretanto, a diversão não parava no domingo. A segunda e terça feira eram uma oportunidade para os jovens de uma cidade liberarem seus “espíritos elevados” depois de uma semana de jejum. Na segunda-feira, as meninas “prendiam” os meninos da área, libertando-os somente mediante pagamento, em forma de uma doação para os fundos da igreja. Já na terça-feira, era a vez dos meninos capturarem as meninas.

Bibliografia:
EVANS, Diane. ‘Elizabethan (Tudor) Easter Tradition‘. Acesso em 21 de Abril de 2011.
BELLERBY, Rachel. ‘Medieval Easter Celebrations‘. Acesso em 21 de Abril de 2011.
Medieval Easter‘. Acesso em 21 de Abril de 2011.