Havia um relacionamento entre Jane Grey e Eduardo VI?

Jane Grey e o mendigo

Eduardo, contando agora com nove anos, era um bonito menino, de cabelos louros e sedosos. Não queria ficar noivo de uma criança, preferindo já que teria que escolher uma prima, casar-se com Lady Jane Grey, um ano mais velha que ele, embora bem mais baixa, e que o auxiliava sempre nas lições. Jane, por sua vez, achava-o mais indicado para uma de suas irmãzinhas… Jane era sobrinha-neta do rei Henrique, no mesmo parentesco que a filha da Rainha da Escóssia.

(IRWIN, pág. 41).

Em seu livro “A Alvorada do Amor de Elizabeth”,  Margaret Irwin cita um possível casamento entre Jane Grey e o príncipe Eduardo, dizendo até que ele mesmo a preferiria acima de suas outras parentes. O filme “Lady Jane”, de 1986, podemos ver uma relação quase íntima entre Jane Grey e Eduardo VI, pouco antes de seu casamento com Guildford Dudley, ou seja, em 1553; e o filme “Crossed Swords” de 1977 vai além a mostrar um relacionamento amoroso entre Jane Grey e Eduardo Tudor, mas que na realidade era um mendigo se passando por ele. Outras adaptações do livro “O Príncipe e o Mendigo” trazem Jane Grey e Eduardo como realmente próximos, mas como amigos, com Jane ajudando-o em suas lições.

No entanto, enquanto era vivo, Henrique VIII nunca expressou qualquer interesse em um potencial casamento entre Jane Grey e seu filho e único herdeiro Eduardo. Uma vez que ele, ao contrário de boatos, tinha uma boa saúde quando jovem, era mais do que provável, na visão de todos, que Eduardo fosse se casar e ter muitos filhos. Jane Grey era a quinta na linha de sucessão para a coroa, e embora os primos possam ter sido próximos devido à sua educação calvinista, é extremamente improvável que o filho do rei fosse se casar apenas com uma prima.

Acredita-se que os pais de Jane haviam passado sua tutela para Thomas Seymour para que ele pudesse tentar um casamento entre Jane e Eduardo. Sabe-se que Thomas invejava seu irmão Eduardo, que era Lorde Protetor do rei e tinha maior controle sobre ele. Talvez ele pensasse que, se conseguisse um casamento entre o rei e Jane, ele poderia ter mais controle sobre o rei, tendo consequentemente mais poder e riquezas. Existem dúvidas se  tal plano existiu, mas é fato que John ab Ulmis (também conhecido como John Ulmer, era um estudioso da Universidade de Oxford mantido pelo pai de Jane), escrevendo da  casa de Jane, Bradgate, em 29 de Maio de 1551, acreditava que Jane estava para “ser dada em casamento para a Majestade o Rei”. Infelizmente para a família de Jane, tal plano não deu certo pois ela acabou se casando com Guildford, filho de John Dudley, Duque de Northumberland.

Além do mais, não havia motivos para que Eduardo se casasse tão jovem, pois ninguém esperava que ele morresse cedo. Se casar com Jane Grey seria excluir a opção de fazer uma aliança externa mais prestigiada e favorável em algum momento mais tarde em sua vida. Se houve, em algum momento, a visão favorável de um casamento entre Jane e Eduardo com certeza foi quando ele já era Rei, mais possivelmente quando estava com 15 anos, uma idade que mesmo naquela época era considerada como muito cedo para se casar. Apesar disso, precisamos nos lembrar que a Inglaterra havia falhado na negociação de um casamento entre Eduardo e Maria Stuart, rainha da Escócia, quando esta ainda era bebê, e outros países católicos como a Espanha, a França, a Itália ou Portugal nunca iriam concordar que suas herdeiras se casassem com um rei protestante. O máximo que sobraria para Eduardo seria uma mulher da Alemanha, Saxônia ou Dinamarca; países conhecidamente protestantes. Ou seja, não havia, de fato, muitos casamentos estrangeiros fabulosos disponíveis para o jovem Eduardo.

Dessa forma, podemos pensar que havia um certo desespero para encontrar uma esposa protestante para um rei protestante que gerasse herdeiros protestantes. Ele, sem dúvida, poderia ter se casado com Jane Grey, mas entre uma prima e uma Duquesa ou Condessa estrangeira protestante, que poderia lhe dar uma aliança, mais terras e dinheiro, certamente a escolha seria para a mulher estrangeira.

Bibliografia:
IRWIN, Margaret. A Alvorada do Amor de Elizabeth. Tradução de Inah Ribeiro e Oliveira Ribeiro Neto. São Paulo: Editora do Brasil S/A.
Henry VIII’s interest in marriage potential of Jane Grey. Acesso em 8 de Junho de 2015.
Edward VI and Jane Grey. Acesso em 8 de Junho de 2015.

Anúncios

O relacionamento de Margaret Beaufort e Elizabeth de York

Elizabeth de York e Margaret Beaufort

Mesmo após o casamento de seu filho, Henrique Tudor, Margaret Beaufort continuou exercendo influência considerável sobre ele. Henrique permitiu que sua mãe mantesse funcionários em seu nome e casos judiciais fossem delegados a ela.  Margaret gostava de independência jurídica e social, o que mulheres casadas não poderiam ter. Além de receber títulos, o primeiro parlamento de seu filho reconheceu seu direito de manter suas propriedades independente de seu marido, como se ela fosse solteira. Continuar lendo

Catarina Parr e seu relacionamento com Maria Tudor

Provável Catarina Parr, artista desconhecido.Catarina Parr nasceu em 1512,e através dos descendentes dos Beaufort, Holland, e outras famílias, Catarina era uma prima distante da Princesa Maria. Ela era alguns anos mais velha que ela, que nasceu em 1516. A mãe de Catarina, Maud, tornou-se uma dama de companhia de Catarina de Aragão, e logo após seu casamento com Sir Thomas Parr. Acredita-se que Catarina tenha sido sua madrinha. Maud ficaria junto da rainha Catarina até sua morte em 1531.

Continuar lendo

O amor de Jane Grey e Guildford Dudley

Helena Bonham Carter como Lady Jane e Cary Elwes como Guilford Dudley no filme 'Lady Jane' em 1986.

Detestava Guildford- ele era de fato um rapaz mimado vaidoso e desagradável – e ela disse a seu pai que não se casaria com ele. Sua obediência foi forçada com uma surra e… Guilford não fez segredo de sua antipatia por sua noiva. (Chapman, 1963)

Apesar de expressar uma opinião generalizada, esta descrição do casamento de Lady Jane Grey e Lord Guildford Dudley tem, com exceção do espancamento, nenhuma base em fontes da época. Nenhum dos embaixadores que fizeram relatórios sobre o noivado comentou sobre quaisquer cenas domésticas ou detalhes pessoais, e se a Jane foi realmente espancada para o casamento ou não, os visitantes italianos à corte da rainha Maria alegaram que ela não queria casar não disseram que isso foi por causa da pessoa ou personalidade de Guildford. 

Continuar lendo

O relacionamento de Lady Jane Grey e Catarina Parr

Nine Days Queen fin by Gordon NapierJane Lady Grey, a filha mais velha do Duque e da Duquesa de Suffolk, nasceu em outubro de 1537, pouco tempo depois que seu primo, Eduardo VI. Jane passou a maior parte de sua infância na casa de sua família em Leicestershire, aprendendo grego, latim, francês e hebraico com seus tutores.

Quando fez nove anos, Jane foi enviada para a Corte de Catarina Parr, a sexta e última esposa de Henrique VIII. Era normal para uma pessoa de posição mais elevada ter uma educação longe de casa, e já que Jane Grey era nobre, a casa da rainha viúva seria um dos poucos lugares considerados adequados para ela.Catarina era uma figura materna para Jane do mesmo jeito que ela era para com suas primas Elizabeth, Maria e Eduardo. Conta-se que quando Jane passou a viver com Catarina Parr, esta deu o carinho maternal que Jane sempre foi privada, e seria ali que ela contraria a aceitação de seus dons intelectuais. Sua estadia com Catarina Parr teve mais importância do que um casamento real. Sob a orientação de Catarina, Jane encontrou sua educação e a fé protestante ainda mais moldadas pelas simpatias humanistas e protestantes de Catarina.

Continuar lendo

O relacionamento de Ana de Cleves e Maria Tudor

Retrato póstumo de Ana de Cleves.Ana de Cleves foi a terceira madrasta de Maria e, posteriormente, uma boa amiga. Ana, que é sempre percebia como a mulher de Henrique VIII que manteve sua cabeça no lugar, também foi a última de suas esposas ao morrer. Quando ela morreu, em 1557, Maria, que era então rainha, garantiu que ela fosse enterrada como todas as honras na Abadia de Westiminster. No entanto, sua relação teve um começo difícil.

Ana chegou à Inglaterra em 27 de dezembro de 1539 e se casou com Henrique em 6 de janeiro de 1540. David Loades em ‘Mary Tudor: The Tragical history of the first Queen of England’ (2006) e Linda Porter em ‘Mary Tudor: the First Queen’ (2007) afirmam que Maria estava presente no casamento do seu pai, embora nenhuma fonte primária tenha sido citada para confirmar esta história. Desse modo, não se sabe quando as duas mulheres se encontraram pela primeira vez, mas o assunto de seu encontro provocou um ponto de controvérsias.
Continuar lendo