O Romance de Henrique VII e Elizabeth de York

Foto promocional da série ‘The White Princess’.

Tem sido afirmado que Henrique a tratava Elizabeth com austeridade e crueldade, e que a felicidade dela foi seriamente afetada tanto pela conduta dele em relação a ela quanto pela severidade com sua mãe. Alguns acreditam Henrique tinha tanta aversão a Casa de York que isso refletia em seu quarto e cama. No entanto, parece ser poucas as provas de que Henrique se comportava mal com a sua esposa e sua sogra, Elizabeth Woodville. Continuar lendo

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Alison Weir lançará novo livro sobre Ana Bolena em 18 de Maio

Alison Weir é uma das mais conhecidas historiadoras do Reino Unido, vendendo mais de 2,7 milhões de livros no mundo todo. Mais conhecida por seus livros Tudor; Weir já publicou 17 livros de não-ficção sobre esse período e 5 romances históricos – nenhum deles foi publicado no Brasil até hoje.

No dia 18 de Maio, a autora estará lançando oficialmente seu mais novo livro sobre Ana Bolena: “Anne Boleyn: A king’s Obsession”. O evento acontecerá Hever Castle, casa de infância de Ana Bolena e os ingressos custam 18 libras, com uma recepção com bebidas, conversa e perguntas e autógrafo do livro. O livro já está disponível para compra em pré-venda por U$18,30 dólares na Amazon.

O livro faz parte da série de romances Six Tudor Queens, sendo o segundo volume. O primeiro, “Katherine of Aragon: The True Queen” foi lançado no dia 31 de Maio do ano passado.

Fonte: Hever Castle

Ana Bolena e o universo bruxo de Anne Rice

Vampira“A Hora das Bruxas”, o primeiro romance da saga de uma família de bruxas de Nova Orleans, as Mayfair, foi publicada em 1990, escritos por Anne Rice. Seguio dele foi Lasher (1993) e Taltos (1994). A Hora das Bruxas conta a história de treze gerações de bruxas da família Mayfair – elas são acompanhadas por um espírito, Lasher, cuja natureza nunca é claramente explicada no romance. Apenas no livro ‘Lasher’ é que sabemos de sua origem: ele diz que é filho de Ana Bolena, a segunda esposa de Henrique VIII e mãe de Elizabeth I:

– Não sei o que você está dizendo, não compreendo. Minha mãe era uma grande rainha. Nunca soube seu nome[…].
– Era a Bolena – disse a mulher, Emaleth, minha irmã. – A rainha Ana foi sua mãe e foi condenada à morte por feitiçaria e por gerar monstros.[…]
As palavras me atingiram como tudo: música, beleza, assombro ou medo. Eu sabia. Eu compreendia. Bastava que eu me detivesse por um instante de verdade na velha história. A rainha Ana, acusada de encantar Sua Majestade e de par uma criança deformada no leito real. Henrique, ansioso por provar que não era o pai, acusou-a de adultério e mandou que cinco homens de reconhecida perversidade e falta de moral preparassem o terreno para que ela fosse decapitada.

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O Conto da Gata Borralheira: Jane Seymour e William Dormer

janeNo seu livro “As Seis Esposas de Henrique VIII”, a historiadora Antonia Fraser menciona uma história de que Jane Seymour, a terceira esposa de Henrique VIII, teria se apaixonado, antes de seu relacionamento com o rei, com um homem de família mais nobre do que a dela. A família dele impediu o noivado, e sem nenhuma mancha na reputação de Jane, esse momento de sua vida era contado como um “conto da Gata Borralheira, onde a jovem injustamente desprezada iria alçar-se em triunfo a alturas muito maiores”. Sempre tive muita curiosidade acerca desse relacionamento prévio de Jane, então decidi fazer uma pesquisa um pouco mais aprofundada.

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O romance de Elizabeth de York e Ricardo III

'The White Queen', 2013Na série ‘A Guerra dos Primos’, de Philippa Gregory, Elizabeth de York se apaixona pelo rei Ricardo III enquanto serve de dama de companhia para a rainha Anne Neville. Como acontece em todos os livros de Gregory, os enredos são colhidas aleatoriamente mas são baseadas em alguma coisa que ela interpretou para fazer uma boa história.

É verdade que os rumores de um caso amoroso existiram na época. Após a morte de Anne Neville em março de 1485, surgiram rumores de que o rei pretendia se casar com sua sobrinha, Elizabeth. Apesar de um casamento entre tio e sobrinha não ser estritamente proibido pela Igreja, teria causado muita revolta entre seus conselheiros. Os homens mais confiáveis de Ricardo, Ratcliffe e Catesbury o alertaram de que, se tomasse a decisão de se casar com Elizabeth, ele perderia o apoio dos nortistas e iria parecer que Ricardo causou a morte de sua esposa para se casar com Elizabeth. Doze teólogos foram convocados pelo Parlamento para apresentarem suas objeções e Ricardo negou publicamente a acusação. A Croyland Chronicle (às vezes chamada Crowland Chronicle), uma importante, mas nem sempre precisa fonte primária escrita na Abadia Benedict de Croyland em Lincolnshire diz que Ricardo foi forçado a negar os rumores por seus inimigos, os Woodville, quem ele temia estarem voltando ao poder.

Ricardo declarou na frente do prefeito e todos os senhores poderosos de Londres que nunca teve a intenção de casar com sua sobrinha, escrevendo ainda para outras pessoas falando de sua repulsa sobre esse boato malicioso. Uma negação pública certamente é pouco para estabelecer culpa ou inocência, mas isso é certamente novo vindo de um homem que ficou em silêncio sobre o destino de seus sobrinhos. No entanto, o abismo entre as declarações públicas e o sentimento privado só pode ser imaginado. 

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Os casos de Catarina Howard

Catarina Howard não era uma jovem sem mácula. Embora não tivesse estado exposa, como sua prima Ana Bolena, ás influências licenciosas dos franceses, ela se arranjou muito bem sem eles para adquirir certos conhecimentos da vida.

Desde os 10 anos, Catarina fora criada na casa de sua avó, a Viúva Duquesa de Norfolk. Sua mãe tinha morrido jovem e seu pai, embora um nobre, estava constantemente endividado. Foi uma educação convencional para uma jovem Tudor, mas o comportamento dela era tudo menos convencional.

Como era frequente na Inglaterra dos Tudor, todas as mulheres solteiras da casa da Duquesa dormiam num único dormitório conhecido como o Quarto das Donzelas. Continha várias camas uma das quais Catarina dividia com outra dama-de-companhia. Na teoria, o Quarto das Donzelas ficava terminantemente fora do alcance dos homens da casa, a porta era trancada todas as noites. Mas a prática era bem diferente. A chave era freqüentemente roubada e os jovens cavalheiros preferidos iam e vinham quando queriam. Havia festas à meia-noite e farras na cama.

O primeiro romance de Catarina aconteceu enquanto ela ainda estava no interior, na casa da duquesa Agnes em Chesworth, perto de Horsham, em Sussex. Um vizinho chamado Henry Mannox foi contratado para ensinar música lá, em 1536. O destemido rapaz passou a tentar seduzir a jovem de 15 anos entre as aulas de virginal e de alaúde, embora se formos acreditar nas subsequentes confissões de Catarina sobre o seu primeiro admirador, o sexo pleno não aconteceu: “diante das lisonjeiras e belas persuasões de Mannox e sendo apenas uma menina, permiti que ele por várias vezes mexesse e tocasse nas partes secretas do meu corpo que não ficava bem, com honestidade, eu permitir nem ele exigir”.

Como Catarina iria confessar maiores intimidades com outro homem, é provável que essa descrição seja precisa, com o tom penitente acrescentado mais tarde. O próprio Mannox, embora admitisse “sentir mais do que era conveniente” quando se encontrava com Catarina “no escuro anoitecer” na capela da duquesa, também jurou que nunca a conhecera “carnalmente”. Mannox foi atrás de Catarina em Londres e frequentava a casa da duquesa em Lambeth. Ninguém parece ter levado muito a sério esse comportamento entre os jovens: o problema com Mannox não era a sua moral, mas o fato de que, como simples professor de música, ele não era o tipo de pretendente para Catarina, sobrinha do duque.

O romance seguinte de Catarina, com Francis Dereham, um guarda-costas da equipe da duquesa em Lambeth, foi muito mais sério. Eles trocavam demonstrações de afeto e, certa vez, foram pegos se beijando pela Duquesa, que deu uma boa surra em ambos. Mas parece que isso não os deteve. Há todos os motivos para supor-se que, ao contrário de seu relacionamento com Mannox, ele foi plenamente consumado. Como o casal também tinha o hábito de dirigir-se um ao outro como “mulher” e “marido”, podemos ir mais longe e sugerir que Catarina e Francis Dereham estavam, na verdade, pré-contratados, com os votos secretos reforçados por uma plena união sexual.

Catarina, depois, limitou o caso a três meses no outono e no inverno de 1538 (quando ela estava com mais ou menos 17 anos), o que ela chamou de “toda a verdade”. Pode não ter sido bem assim: porque ela estava suficientemente envolvida com Dereham para ele confiar-lhe 100 libras para guardar, quando partiu para a Irlanda – mais uma prova da seriedade do relacionamento. No entanto, a descrição que ela fez do caso é bem explícita: “Francis Dereham, depois de muita insistência, conseguiu que eu cedesse aos seus maldosos propósitos e obteve a permissão, primeiro, de ficar na minha cama de gibões e calções, e depois deitar-se na cama e, por fim, ele deitou nu comigo e me usou tal como um homem usa a sua esposa muita e várias vezes, mas com que frequencia, eu não sei”.

A essa altura, Mannox ficou enciumado o bastante para avisar a duquesa por meio de um bilhete anônimo. A duqusa descobriu Catarina abraçando Dereham e ficou “muito ofendida”, agredindo todos os que via. Mas Dereham, embora de melhor berço que Mannox, não era um grande partido, e Catarina parece ter esfriado em relação a ele durante o tempo em que ele esteve ausente, na Irlanda, especialmente quando ela se transferiu para mais perto da corte, para a casa de seu tio Norfolk, e ainda mais quando conheceu o galante Thomas Culpeper, na Casa Real. Ele era um dos favoritos de Henrique VIII. Nele, Catarina viu um homem do seu mundo, da sua idade e do seu gosto.Os primeiros sentimentos de Catarina por Culpeper só podem ser avaliados pelo seu comportamento para com ele numa época posterior, mas a julgar pela sua atividade repectiva à ele então, é para se desconfiar que ela estivesse realmente apaixonada por ele no outono de 1539.

Então, aconteceu o fato espetacular que faria sua fortua – e transformaria a de sua família: o rei apaixonou-se por ela. De modo que essa Catarina Howard, sensível, sexualmente atraente para os homens desde tenra idade, parcialmente seduzida por Mannox quando tinha 15 anos, processo completado por Dereham dois anos depois. Quando foi nomeada para trabalhar na equipe da rainha Ana de Cleves, sem dúvida ela já possuía experiência: em outras palavras, aprendera “como as mulheres podiam envolver-se com um homem e, no entanto, não conceber filho algum a menos que ela própria quisesse”.

Bibliografia:
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos Do Nascimento E Silva. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
HACKETT, Fracis. ‘Henrique VIII’. Tradução de Carlos Domingues. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores.
Documentário ‘The Six Wives of Henry VIII’, escrito por David Starkey, emitido no Channel 4 de 10 de setembro de 2001 a 1 de outubro de 2001.