David Starkey e Hilary Mantel discutem sobre romances e evidências históricas (2009)

Depois de alguns documentários, decidi começar a trazer algumas discussões entre pesquisadores e historiadores sobre os Tudor. O primeiro vídeo que trouxe é de uma discussão entre Hilary Mantel e David Starkey, em que discutem sobre evidências históricas, invenções e influências pré-concebidas em romances históricos. Embora o vídeo tenha sido publicado em 2015, parece que foi filmado em 2009, quando Mantel havia publicado Wolf Hall e quando, um ano antes, Starkey havia publicado “Henry: Virtuous Prince”. Mantel se refere a um novo livro que Starkey estava escrevendo sobre Henrique, e que provavelmente foi “Henry VIII: Man & Monarch”, publicado ainda em 2009. Originalmente o vídeo tinha 3 partes, mas editei para que ficasse apenas uma :)

Observações:
– Geoffrey Rudolph Elton (1921 – 1994) foi um historiador político e constitucional, nascido na Alemanha e especializado no período Tudor. Elton focava principalmente na vida de Henrique VIII, e ficou famoso por argumentar que Thomas Cromwell que foi o autor do governo burocrático moderno, que subtstituiu o governo medieval – até a década de 1950, historiadores minimizavam o papel der Cromwell no governo, classificando-o como um doutrinário, pouco mais que um agente do despotismo de Henrique. Já Elton retratou Cromwell como responsável pela ruptura legal com Roma, as leis e procedimentos administrativos que tornaram a Reforma Inglesa tão importante, além de ter sido responsável por traduzir a supremacia real em termos parlamentares.
– Antonia Fraser é uma autora britânica de livros de ficção e mais de 15 livros de não-ficção, entre eles “As Seis Esposas de Henrique VIII”, uma das maiores referências sobre as consortes Tudor.
– George Orwell (1903 – 1950) foi um romancista, jornalista e crítico inglês, cujos trabalhos foram marcados pela prosa lúcida, consciência de injustiça social e oposição ao totalitarismo.
– Lacey Baldwin Smith (1922 – 2013) foi uma historiadora e romancista especializada na Inglatera do século 16. O livro a qual Starkey se refere é “Henry VIII: The Mask of Royalty”, publicado em 1973.
– Richard Marius (1933 – 1999) foi um escritor e acadêmico americano especializado na Reforma. Sua dissertação foi “Thomas More and the Heretics”; Marius publicou diversos trabalhos e duas biografias sobre More durante sua vida, sendo bem recebidos pelo público e também um pouco controversos, pois despojava seus personagens das santidades atribuída a eles, apresentando-os como seres humanos lutando com suas crenças, medos e ambições, criticando More por seu fanatismo religiosos e sua intolerância.
– Robert Oxton Bolt (1924 – 1995) foi um escritor de peças inglês, conhecido por ‘O Homem que não vendeu sua alma” e por fazer obras dramáticas que colocavam seus protagonistas em tensão com a sociedade prevalecente.

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Mundos perdidos: Megaestruturas de Henrique VIII (Lost Words, dublado, 2007)

Henrique VIII é conhecido por muitas coisas. No entanto, suas proezas na arquitetura ainda não são muito famosas, até porque a grande maioria já foi destruída ou está em ruínas. Coloquei hoje no nosso canal do youtube o programa ‘MegaEstruturas’, em que vocês podem saber um pouco dos grandes feitos arquitetônicos do segundo rei Tudor. Essa é a versão dublada do documentário “Lost Worlds: Henry VIII’s Mega Structures” que foi exibido em 22 de agosto de 2007 pelo History Channel. O original estava com o volume muito baixo, então aumentei um pouco. Espero que aproveitem.

Vidas Secretas Expostas: Se as Paredes pudessem Falar! – 1 de Março de 2018

No dia 1 de Março de 2018 acontecerá na Royal Geographical Society em Londres o evento “Secret Lives Exposed: If Walls Could Talk”, com a participação das autoras e historiadoras Sarah Dunant, Bettany Hughes e Suzannah Lipscomb. O evento providenciará uma oportunidade unica para descobrir históricas escondidas, desde a poderosa Imperatriz Bizantina Theodora até a vida privada de Henrique VIII, os segredos dos cortesãos do Renascimento, da vida das freiras em mosteiros e da filha do Papa. Depois da conversa, as autoras irão assinar cópias de seus livros.

Sarah Dunant tem publicações voltadas para a Itália Renascentistas; Hughes é uma historiadora que tem dedicado os 25 anos para a história antiga de Tróia e Grécia. Lipscomb, uma velha conhecida para fãs Tudor, tem dedicado diversos livros, artigos e documentários sobre os Tudor.

O preço da entrada é £20 para adultos e £15 para estudantes.

Quantas pessoas foram executadas sob os Tudor?

 

Todos nós sabemos de cor alguns nomes famosos de homens e mulheres executados sobre os Tudor. William Stankey e Perkin Warbeck sobre Henrique VII; Edward Stafford, Ana Bolena e Thomas More sobre Henrique VIII (apenas para citar alguns); Eduardo e Thomas Seymour sobre Eduardo VI; Lady Jane Grey, Thomas Wyatt e Thomas Cranmer sobre Maria I; Robert Devereux e Maria Stuart sobre Elizabeth I. Mas seria possível saber quantas pessoas exatamente foram executados sobre o reinado dos Tudor? Qual monarca, dentre todos os seis foram os mais sanguinários?

 

Henrique VII
É muito difícil ter uma estimativa do primeiro rei Tudor: assim como Eduardo VI, ele não é foco de grandes pesquisas do período. Sabe-se apenas de quatro pessoas famosamente executadas durante seu reinado: Sir William Stanley (1495), Perkin Warbeck (1499), Edward Plantageneta (1499) e três líderes da primeira rebelião córnica em 1497.

Henrique VII foi implacável em assegurar seu trono, e insistia pessoalmente na execução de determinadas pessoas. Ele, assim como Elizabeth I, usavam de seu poder real para se vingar daqueles que levantavam ou apoiavam rebeliões ou conspirações. Suas vítimas eram aquelas que ameaçavam a estabilidade do reino, algo que nenhum monarca poderia ou deveria tolerar. Suas ações foram justificadas, pelo menos nos termos de sua era.

Henrique VIII
É impossível dizer com certeza e historiadores não têm um número definitivo. Estima-se que entre 57 mil e 72 mil pessoas foram executadas durante o reinado de 37 anos do segundo rei Tudor, mas isso provavelmente é um exagero: a ruptura papal do rei e seu segundo casamento não foram sancionados pelo Papa, causando uma fenda entre Henrique e alguns indivíduos da corte, o que gerou diversos rumores e registros falsos. Um dos motivos de se desconfiar desses números é que uma estimativa da população da Inglaterra neste período era de cerca de 2 milhões. Setenta mil pessoas seria quase 5% disso, e não há tantos registros para resguardar esse número. Entre as execuções mais famosas do rei estão duas de suas esposas; aqueles que se recusaram a aderir ao Ato de Sucessão, aqueles considerados hereges, considerados rivais ao trono, os líderes da Peregrinação da Graça e seu conselheiro mais confiável, Thomas Cromwell.

Henrique VIII, ao contrário de seu pai e sua filha Elizabeth, teve um grande número de pessoas executados por conta de seu fracasso em se curvar à sua vontade pessoal, muitas vezes fabricando ou usando evidências escassas para justificar suas ações.

Eduardo VI
Assim como seu avô, Eduardo não é foco de grandes pesquisas do período. Gerard Warner, jornalista e pesquisador partidário de Maria Tudor, aponta que 5.500 rebeldes católicos foram executados durante o reinado de Eduardo VI, que reinou por 6 anos. Se considerarmos apenas eles, a média de pessoas executadas por ano seria 916. No entanto, não estamos levando a execução de rebeldes na Irlanda ou Escócia em relação a Maria I, Elizabeth I e Henrique VIII, que têm dados melhor registrados.

De acordo com Ryrie, apesar de todo seu reinado tivesse sido voltado para a implantação do protestantismo da Inglaterra, ninguém súdito inglês foi executado em função da religião católica duranteo reinado de Eduardo VI, com exceção de rebeldes. Ao contrário de Henrique VIII, Eduardo decidiu manter vivos outros líderes opositores conservadores, como Gardiner, Bonner e Tunstall.

Maria I
Sob a primeira rainha sob seu próprio direito na Inglaterra, 283 ou 284 pessoas foram executadas e queimadas sob acusações de heresia. O número pode parecer pequeno em comparação com outros reis Tudor, mas o fato é que todas essas pessoas foram queimadas em um período de 4 anos e meio. Isso significa que, em comparação, 62,8 pessoas foram executadas por ano durante 4 anos e meio em seu reinado, enquanto no reinado de Elizabeth, 56,8 foram executadas por ano durante 44 anos.

Deve-se levar em consideração, também, que grande parte das execuções foram realizadas com o destino de restaurar e manter a Igreja Católica Romana, e os julgamentos eram feitos por tribunais da Igreja, e não por sua ordem direta – com a notável exceção de dois bispos eduardianos no primeiro ano de seu reinado.

Elizabeth I
Sob Elizabeth I, acredita-se que um total de 2.500 pessoas foram executadas no seu reinado de 44 anos. A grande maioria das pessoas executadas sob Elizabeth eram assassinos, ladrões, caçadores furtivos, etc., de acordo com as regras rigorosas aplicadas. Elizabeth, ao contrário de seus antecessores, preferia que os acusados pagassem uma multa pesada e fossem destituídos de seus títulos e propriedades ao invés de serem executados.

A tolerância que Elizabeth mostrou nos primeiros 11 anos de seu reinado começou a mudar em 1570, quando foi oficialmente excomungada e mais e mais católicos começaram a se envolver em conspirações para assassiná-la. Cerca de 30 católicos foram executados após sua excomunhão, embora documentos papais indicam que o número de martírios tenha sido 300. Entre as mortes mais famosas de seu reinado, estão a de Maria, Rainha da Escócia; Thomas Howard, Francis Throckmorton e Robert Devereux.

Bibliografia:
MASON, Emma. How many executions was Henry VIII responsible for?. Acesso em 12/01/2018.
RIDWAY, Claire. The Myth of Bloody Mary. Acesso em 12/01/2018.
LONGENECKER, Dwight. Bad Queen Bess. Acesso em 12/01/2018.
RYRIE, Alec. The Age of Reformation: The Tudor and Stewart Realms 1485-1603. Routledge, 2017.
Executions under all the Tudors. Acesso em 12/01/2018.
The most “violent” of the Tudors. Acesso em 12/01/2018.

Documentário: Os Tudor Vistos de Cima (Tudors from Above, legendado, 2010)

Uma das séries que mais gosto de assistir em casa é ‘Brasil Visto de Cima’. Navegando pelo youtube, encontrei o incrível ‘Tudors from Above’, um documentário feito pelo National Geographic em 2010 que tem o mesmo conceito: de explorar o país-cidade por visão aérea. Especificamente, esse programa trata dos edifícios da Dinastia Tudor, apesar da maioria ter sido reformada durante o século XIX. Eu gostei e aprendi muito sobre vários castelos e fortificações que nunca tinha ouvido falar.

¹ Os Tudor tomavam banho mais frequentemente do que se imagina, mas havia uma diferença entre imersão total (que era uma vez ao mês mesmo) e um ‘banho’ apenas com toalhas molhadas, que era o mais comum. Henrique VIII, por exemplo, era notório de tomar até 3 banhos por dia.
² Fiquei chocada com a afirmação de que Henrique rompeu com a Igreja ‘simplesmente’ por causa de um rosto bonito e ‘apenas’ por causa de um filho.
³ Mais um roteiro que ignorou completamente o reinado de Eduardo VI e Jane Grey, anteriores ao de Maria I.
– Se o Castelo Deal foi influenciado por qualquer desenho, com certeza teria sido a rosa Tudor e não um trevo.

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Documentário “Henrique VII: O Rei Invernal” (legendado, 2013)

Finalmente consegui trazer para vocês um dos únicos documentários feitos sobre Henrique VII, o primeiro Tudor e pai da monarquia. O documentário foi apresentado por Thomas Penn em 2013, que lançou um livro de mesmo nome (“Henry VII: Winter King”), que não foi traduzido para o português. No geral, gostei bastante: havia muitas coisas que eu não sabia, mas algumas que eu conhecia e que não entraram no roteiro. Não achei legal, por exemplo, ignorar as duas filhas de Henrique VII e sua importância dinástica, assim como faltou qualquer referência à influência de Margaret Beaufort no reinado de seu filho. Senti, também, a completa falta de referência a Edmund Tudor, o terceiro filho de Henrique VII, que também morreu e foi um outro grande golpe para a monarquia, assim como referências à doença do suor, que curiosamente chegou na Inglaterra junto do exército de Henrique VII… Além de qualquer menção às negociações com Isabela de Castela e Fernando de Aragão, que foi uma grande conquista para Henrique ao firmar a Dinastia Tudor no cenário das monarquias importantes na época, isso sem contar as negociações de casamento após a morte de Elizabeth de York.
De qualquer forma, vale a pena conferir.

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