18 de Junho de 1529: Catarina de Aragão poderia ter mentido?

Em 1529, um tribunal eclesiástico, presidido por um representante do Papa, foi criado para julgar a validade do casamento entre Henrique VIII e sua primeira esposa, Catarina de Aragão. O julgamento foi realizado no Blackfriars Priory, em 18 de junho, e rei e rainha foram convocados para comparecer perante o tribunal. Continuar lendo

“A 4° temporada tomou muito de nós”: Rachel Skarsten publica fotos de Elizabeth I e Maria Stuart envelhecidas para a última temporada de ‘Reign’

“A 4° temporada tomou muito de nós. Envelhecidas com 54 e 44 anos, respectivamente”, escreveu Rachel Skarsten, que interpreta a rainha Elizabeth I na série ‘Reign’. Em foto publicada em seu Instagram, é possível vê-la ‘envelhecida’ ao lado de uma foto de Adelaide Kane.

Nessa última semana, a atriz publicou ainda três fotos no set de filmagens da última temporada da série, que mostrará a execução de Maria Stuart.  No mês passado, a atriz publicou uma carta curta dando adeus a Elizabeth:

“Foi um grande prazer e uma verdadeira honra fazer parte de Reign nas temporadas passadas e interpretar uma mulher tão icônica, poderosa, complexa e brilhante. Podemos continuar apresentando séries que mostram mulheres como ela. Ser abraçada pelo elenco como uma deles, trazida para a família CW e mais lindamente por vocês, os fãs, é difícil para mim dizer o significado disso. Realmente, não há palavras para experiências tão bonitas quanto essa. Apenas gratidão. Obrigada por amar Reign tanto quanto eu.
Rach”.

 

Fonte: Instagram, Just Jared.

Um poema de Ana Bolena?

Ó morte, me embale enquanto eu durmo
Me leve para um repouso silencioso.
Deixe sair meu fantasma cansado e inocente
Do meu cuidadoso peito.
Toque o sino,
Deixe seu doloroso som ressoar,
Deixe que anuncie o som da minha morte.
A morte se aproxima,
Não há remédio

O que podem expressar minhas dores?
Infelizmente, elas são tão fortes.
Mas a minha tristezá não ficarpa mais forte
Minha por muito se prolongou
Toque o sino,
Deixe seu doloroso som ressoar,
Deixe que anuncie o som da minha morte.
A morte se aproxima,
Não há remédio

Sozinha na prisão
Espero meu destino
Acho que valeu a pena essa saudação cruel que eu
Deva provar desta miséria
Toque o sino,
Deixe seu doloroso som ressoar,
Deixe que anuncie o som da minha morte.
A morte se aproxima,
Não há remédio

Adeus, meus prazeres passados
Bem-vinda, minha dor presente!
Eu sinto que meus tormentos aumentam assim,
Que a vida não possa permanecer.
Cesse agora, você tocará o sino
Deixará seu doloroso som ressoar,
Pelo som, minha morte conta
A morte se aproxima
Não há remédio.

Por cinco séculos, esse poema tem sido atribuído à Ana Bolena, supostamente escrito durante os dias em que ela aguardava sua execução na Torre. É um poema bonito, que transmite uma tremenda riqueza de emoções – tormentos agonizantes, uma angústia mental, dor, mágoa e resignação pelo destino. Com o uso de diversas técnicas como metáforas, símiles e onomatopéia, esse poema é uma descrição mais enfática e viva do que poderíamos ter de Ana Bolena. Diversos historiadores, pesquisadores e leitores de ficção histórica gostam de pensar que Ana Bolena escreveu esse poema na véspera de sua execução em 19 de Maio de 1536.

Martin Pope descobriu um livro da época que contém o poema ‘O death, rock me asleep’.

Mas existe alguma evidência de que o poema foi escrito por Ana? Martin Pope, um pesquisador e historiador, foi a todas as partes da Torre de Londres onde Ana foi presa, pesquisou e analisou alguns fatos conhecidos sobre seus últimos dias e  e descobriu que de fato existe uma versão contemporânea desse poema em um livro de poesia – então sabemos que foi escrito por volta de 1536. Mas ele teria sido escrito pela segunda esposa de Henrique VIII?

Enquanto Ana estava presa na Torre, foram dadas instruções de que cada palavra que Ana dissesse fosse gravada. Para garantir isso, Ana só poderia falar com suas damas na presença de Lady Kingston, a esposa do oficial da Torre.

Relatórios de Kingston para o Conselho sobre as atividades de Ana sobrevivem em cartas e documentos, embora parcialmente pedidos por causa de um incêndio que ocorreu em 1731. Mas Kingston nunca registrou que Ana tenha escrito alguma coisa. Ele faz menção de Ana ter perguntado se ela tinha permissão para escrever para Cromwell – ele disse que não, mas se ela lhe contasse o conteúdo, ele diria para Cromwell palavra por palavra. George Bolena aparentemente tinha as mesmas restrições, pois quando ele recebeu uma carta de Jane Parker, sua esposa, ele teve que responder verbalmente. Por isso, a carta que Ana Bolena supostamente escreveu na Torre também é considerada falsa.

Se Ana era incapaz de escrever cartas implorando por justiça e por sua própria vida, parece improvável que ela poderia escrever poesia. Kingston teria anotado isso em seus relatórios diários, e uma cópia, sem dúvida, teria sido enviada para o Conselho – que não publicaria nada que mostrasse Ana em uma luz simpática. Isso não significa que é impossível que Ana seja a autora do poema, é claro. Está dentro das possibilidades que o relatório de Kingston sobre Ana ter escrito uma poesia pode ter se perdido no incêndio – mas é improvável.

Depois da execução de Ana, o Conselho pegou de Kingston todos os itens pessoais que Ana tinha deixado em seus apartamentos na Torre. O Conselho não queria lembranças da mulher morta – se um poema fosse encontrado entre as coisas dela, teria sido discretamente destruído. Portanto, não podemos dizer com confiança que esse poema possa ter sido escrito por Ana durante seus últimos dias na Torre, embora não seja inteiramente impossível.  Existem outras versões desse poema na internet. Em uma delas, o final termina diferente:

[…] Deixará seu doloroso som ressoar,
Pelo som, minha morte diz:
Senhor, tem piedade da minha alma!
A morte se aproxima
O som,
Pois agora eu morrerei,
morrerei, morrei.

No romance ‘Ana Bolena’, de Norah Lofts, a autora escreve que Ana de fato escreveu um poema na Torre. Provavelmente baseado nesse mito, a passagem é muito emocionante: “Ana cantou […] especialmente a canção, ainda inédita, que compusera dentro da Torre, cheia de tristeza e de cortar o coração:

Maculado está o meu nome, oh tristeza
Por cruéis calúnias e sórdidas mentiras
Assim devo dizer para todo e sempre
Adeus à alegria, adeus à consolação.

[…]

Oh, morte, quando o sono eterno
De mim se apossar,
Deixe que meu imaculado fantasma
Possa além da morte, além do ódio
Dobrar os sinos em finados
Pois terei que morrer
Pois para isto não há remédio
Em meus dias abreviados.

Ana pensava: – Esta é a última vez que tocarei em que eu tocarei um alaúde, a última vez em que cantarei; mas seus pensamentos não possuíam a desesperada descrença […] A medida em que o tempo passava e a hora se aproximava, ela se tornava mais confiante na eternidade”.

Bibliografia:
LYSSA, Brian. “O Death, Rock Me Asleep,” A Poem by Anne Boleyn?. Acesso em 10 de Junho de 2017.
LONGUEVILLE, Olivia. The mystery of the poem “O Death, Rock Me Asleep”. Acesso em 10 de Junho de 2017.
LOFTS, Norah. Ana Bolena – o amor de Henrique VIII. Tradução de C. E. Schleier. – São Paulo: Edições MM, 1976.

Hilary Mantel: escritoras devem parar de empoderar falsamente mulheres na história

Os escritores devem parar de reescrever a história para tornar suas personagens femininas falsamente ‘empoderadas‘, disse Hilary Mantel. Romancista vencedora promênio Man Booker, disse que escrever sobre as mulheres na história tem sido uma dificuldade persistente para seus contemporâneos, que não conseguem resistir em tornar mulheres na história fortes e independentes. “Qualquer um que exagere sobre a diferença entre o papel dos homens e das mulheres em certos períodos históricos deve“, ela disse,“tentar procurar outro emprego”.

Mantel questionou se os escritores devem ‘retrabalhar a história para que as vítimas sejam as vencedoras’:

“Muitos escritores de ficção histórica se sentem atraídas para as ‘histórias não contadas’. Eles querem dar uma voz para aqueles que foram silenciados. A ficção pode fazer isso, porque se concentra no que não está nos registros. Mas devemos ter cuidado quando falamos pelos outros. Se escrevemos sobre as vítimas da história, estamos reforçando seu status ao detalhá-lo? Ou devemos retrabalhar a história para que as vítimas sejam as vencedoras? Esta é uma dificuldade persistente para as mulheres escritoras, que querem escrever sobre as mulheres no passado, mas não conseguem resistir em empoderá-las. O que é falso. Se você fica afrontado pela diferença, então deve tentar outro emprego”

Ela acrescentou: ‘um bom romancista terá seus personagens operando dento do quadro ético de seus dias – mesmo que choque seus leitores‘.

“A outra garota na história”. Uma matéria de jornal conta que Gregory chegou a enviar um e-mail para Mantel, mas não recebeu uma resposta.

Ela não indicou nenhuma escritora nessa crítica – mas é impossível não pensar em Philippa Gregory, reconhecida por suas personagens femininas fortes. Em uma entrevista de 2013, a autora afirmou que quanto mais pesquisa fazia, mais achava que havia ‘história não contada‘ das mulheres na história.

‘Elas eram mulheres fortes e poderosas que lutaram por seus próprios interesses e pelos interesses de sua família. Eu acho que muitas vezes as imaginamos menos poderosas do que foram porque dependemos muito das descrições escritas por homens na época que enfatizavam suas virtudes – que incluiam obediência, dever e sofrimento’.

Essa foi a segunda controvérsia que Mantel se meteu esse ano. Em uma aparição no Festival de Literatura de Oxford, ela criticou romancistas históricas que ‘tentam criar credenciais ao afixiarem a bibliografia’ – ou seja, criar uma história ignorando deliberadamente fatos históricos.

Em sua palestra em Reith, transmitida pela Radio 4 no final de maio, Mantel disse que a ficção pode ficar lado a lado do trabalho de verdadeiros historiadores. Os leitores, ela argumenta, não são ‘vítimas que precisam de proteção’, mas são capazes de lerem romances históricos e sem precisar destruir a história.

Fonte: The Telegraph