A morte de Elizabeth de York

Elizabeth de YorkEm 1502, Elizabeth de York e Henrique Tudor levaram um duro golpe após saber da morte de seu filho mais velho e herdeiro, Artur, o Príncipe de Gales. O rei foi o primeiro a ser informado da morte de Artur e Elizabeth foi a primeira a confortar-lhe e lhe dar apoio. Ela lhe disse para se conformar com seu segundo filho, Henrique, que era ‘justo e agradável’; e que os dois eram jovens e ainda podiam ter filhos juntos.

Elizabeth tinha trinta e seis anos quando ficou grávida pela oitava vez – uma idade muito avançada para dar à luz naquela época. Uma outra gravidez certamente era bem-vinda e emocionante e Elizabeth provavelmente não tinha nenhuma razão para temê-la – afinal, ela vinha de algumas das famílias mais férteis da Inglaterra.

No dia 26 de Janeiro, Elizabeth foi para seus apartamentos na Torre de Londres. No dia 2 de Feveriero ela deu à luz a uma filha, que recebeu o nome de Catarina. Dentro de alguns dias a rainha ficou doente e um mensageiro foi enviado por Henrique para chamar um médico para atendê-la. Todo o esforço foi inútil e ela morreu no dia do seu aniversário, em 11 de Fevereiro de 1503, tendo completado trinta e sete anos. A criança rapidamente seguiu sua mãe em sua sepultura. As mortes de Artur e Elizabeth, assim como Catarina (a criança que Elizabeth tinha acabado de dar à luz) tiveram um efeito devastador em Henrique VII.

Os sinos da Catedral de São Paulo ecoaram em Londres, mergulhando toda a nação em luto. O rei ordenou que seu Conselho preparasse o funeral da rainha e entrou em reclusão.  Missas solenes foram feitas e o rei ordenou que 636 missas fossem oferecidas para sua alma em Londres no dia após sua morte. Mais de nove mil metros de tecido preto foram encomendados. Seu funeral de Estado seria um dos mais pródigos já vistos. De acordo com o livro ”Antiquarian Repertory’;

‘sua morte foi tão dolorosa e pesarosa e dolorosa a Sua Alteza o Rei como se tem visto ou ouvido falar, e também assim para todas as propriedades deste reino, assim como seus cidadãos, pois ela era uma das Princesas mais graciosas e mais amadas do mundo em seu tempo’.

O cadáver de Elizabeth foi embalsamado imediatamente após sua morte, colocado em um caixão de chumbo com uma inscrição indicando seu nome e posição. Este caixão foi colocado dentro de outro de madeira, cobertos com veludo branco e preto, com uma cruz de damasco. No dia seguinte, o corpo da rainha foi removido do seu quarto para a Capela da Torre, com a presença do decano de Westminster. Quatro cavaleiros seguravam o dossel, e pessoas do mais alto nível colocaram suas mãos no cadáver. Lady Elizabeth Stafford atuou como a principal enlutada da ocasião, sendo seguida por todas as outras damas da Casa de Sua Majestade. Assim que o corpo chegou à capela, foi colocado sob um rico carro funerário, coberto com panos de veludo preto, tendo nela uma ceuz de pano de ouro. O Capelão do Rei em seguida leu o saltério e as comendas, após a qual o Diretor da Capela, os Pares, Oficiais das Armas e outros iam para a grande câmara escoltar as senhoras para a missa de réquiem.

Efígia de Elizabeth de York, com roupas e peruca modernasCatarina, Lady Courtenay, irmã da rainha, era conduzida pelo Conde de Surrey e o Conde de Essex, seguidos por uma longa série de pessoas de distinção, que entravam na capela e assumiam seu posto à frente do cadáver. Feito isso, as ofertas habituais eram feitas e a procissão voltava, deixando apenas alguns senhoras e oficiais para velarem o corpo. Esta cerimônia foi repetida diariamente durente os dez dias em que o cadáver permaneceu na Torre de Londres. No décimo segundo dia, quarta-feira, dia 22 de Fevereiro, a missa foi feita no início da manhã e logo depois o caixão foi colocado em um carro, coberto de veludo preto puxado por seis cavalos. Tochas arderam nas ruas de Londres até o meio-dia, enquanto o cortejo fúnebre abria seu caminho da Torre até Westminster, ao rufar de tambores abafados.

Primeiro seguiram os trezentos soldados da guarda real, depois o carro fúnebre, uma carruagem com cerca de seis metros de altura, toda preta, puxada pelos cavalos, com a efígie da rainha vestida com vestes reais, um cetro na mão e uma coroa na cabeça. oito damas de Honra, montadas em palafréns, selados e com veludo preto, seguiam o cadáver. Cidadãos à cavalo, servos do rei e da nobreza fechavam a procissão, que era acompanhada pelo Conde de Derby, o Prefeito de Londres, vários Pares, juízes, prelados, abades e cavaleiros da Jarreteira.

As ruas estavam cheias de pessoas lavando tochas. Depois seguiram 37 jovens mulheres, uma para cada ano de sua vida. Vestiam-se de branco e carregavam velas brancas. Comerciantes estrangeiros, segurando velas e com bandeiras de suas respectivas nações também estavam presentes. Em Westminster, o cadáver foi recebido por vários prelados e abades, com incensários e água benta, sendo devidamente removido do carro e transportado para a nave da Abadia, onde esperaria a missa de réquiem e panegírico abarem para começarem o enterro. Durante o panegírico, Thomas More leu uma elegia (‘A rueful Lamentation’) que tinha composto para a rainha. Reproduzo aqui uma das estrofes:

‘Adieu meu esposo muito amado e valoroso senhor,
O fiel amor, que nos fez ambos permanecer
No casamento e em pacífica concórdia,
Aqui estou para entregá-lo em tuas mãos,
Para que seja transmitido aos filhos, teus e meus.
Primeiro fostes seu pai, agora deves desempenhar
O papel da mãe também, pois veja, aqui repouso.

Henrique encomendou ropas em azul escuro e preto, e ainda encadernou seus livros em veludo azul. O rei ficou um homem mudado; a Torre de Londres foi abandonada como residência real e todos os anos Henrique marcava o aniversário de sua morte. Em todos os 11 de Fevereiro uma missa se réquiem seria cantada, os sinos seriam suspensos e 100 velas queimariam em sua honra. Ele contratou os serviços dos menestréis de Elizabeth, que tocariam para ele a cada festa de Ano Novo até sua morte.

Elizabeth, mãe de Henrique VIIIElizabeth de York foi a rainha perfeita, uma consorte, mãe e esposa exemplar. Os relatos da época são unânimes em seu louvor e os cronistas posteriores transformaram-na em algo perto de um ídolo, uma Madonna. O amor de Elizabeth de York por seus filhos e sua família tem sido ofuscado pelos casamentos desastrosos de seu filho, Henrique VIII. Seu amor pela música, literatura, arquitetura  e suas constribuições culturais são incessantemente ignoradas. A história tem diminuído a rainha Elizabeth de York. Ela era uma mulher notável, e já está na hora de darmos sua história de volta para ela.

Bibliografia:
GEORGE, Margaret. Autobiografia de Henrique VIII. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
HUGHES, Olga. ‘The Perfect Queen: Elizabeth of York‘. Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.
TRACY, Stephanie. ‘The Birth & Death of Elizabeth of York‘. Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.
Elizabeth of York – February 11th, 1466 – 11th February, 1503.’ Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.
Part VI: Memoir of Elizabeth of York: Discussion of her life as Queen until her death in 1503‘. Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.

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