O corpo incorrupto de Catarina Parr

Corpo incorrupto de Santa Bernadette (séc. 19)

Para a Igreja Católica Romana, a incorruptibilidade é a crença de que uma intervenção divina permite que alguns corpos humanos, principalmente o de santos e beatos, evitem o processo normal de decomposição após a morte como um sinal de sua santidade. Desse modo, corpos que sofrem com pouca ou nenhuma decomposição são muitas vezes referidos como corpos incorruptos ou incorruptíveis. Esse corpos geralmente mantêm um tom de pele vivo e saudável, mantendo-se flexíveis.

Essa informação nos leva a Catarina Parr. No ano de 1782, um grupo de senhoras turistas literalmente tropeçou em cima do túmulo há muito perdido de Catarina Parr entre as ruínas do Castelo Sudeley (o último lugar de descanso de Catarina Parr estava perdido porque a capela do Castelo de Sudeley havia sido destruída durante a Guerra Civil no século 16). As turistas notaram um painel de mármore na parede da capela em ruínas dentro da propriedade, e persuadiram um fazendeiro local a cavar. Lá, elas encontraram um caixão de chumbo, e a inscrição de que pertencia a Catarina Parr deixou as mulheres com muitas dúvidas. Curiosas, elas decidiram abrir o caixão. Para o espanto de todas, Catarina Parr estava deitada pacificamente, envolta em seu vestido de linho, e incorrupta após 230 anos. As senhoras tiraram o lenço que cobria a cabeça do cadáver, e viram o rosto de Catarina como ela estaria na noite de sua morte, em setembro de 1548.  Sua carne ainda estava branca, firme e úmida.

Catarina Parr feita de cera.Alarmadas por encontrarem o corpo incorruptível, o caixão foi rapidamente fechado e novamente enterrado. No verão de 1783, uma mulher com o sobrenome Bockett, uma amiga do proprietário do Castelo de Sudeley, ordenou que o caixão fosse aberto mais uma vez. Segundo ela, o corpo ainda estava em bom estado, mas estava começando a ficar fétido e a carne estava inciando o estado de putrefação, em consequência do ar que tinha entrado quando foi enterrado pela segunda vez.

Depois disso, os restos da sexta rainha de Henrique VIII não permaneceu em paz. Seu caixão foi aberto repetidamente até que o Reitor de Sudeley ordenasse que seu caixão fosse movido para dentro de um cofre selado em 1817. A experiência não foi útil para o notável estado de conservação do corpo. Em 1861, os restos da rainha foram transferidos para um túmulo na restaurada Igreja de Santa Maria de Sudeley. Mas tudo o que restava lá dentro eram ossos e “um pouco de poeira marrom”. Para os céticos, o corpo precisa ficar em condições de preservações favoráveis para ser incorruptível, com baixa temperatura e ausência de oxigênio. Ou seja, as várias aberturas do caixão e a exposição do corpo contribuíram para sua putrefação. Caso nada disso tivesse acontecido, é provável que ainda tivéssemos o corpo incorrupto de Catarina Parr. Curiosamente, uma coroa de era foi encontrada ao redor do crânio de Catarina Parr, um lembrete de que essa mulher notável, atrativa, inteligente e fiel a Deus tinha sido a última rainha de Henrique VIII.

Bibliografia:
NORTON, Elizabeth. Catherine Parr. Great Britain: Amberley Publishing, 2011.
PORTER, Linda. Katherine the Queen: The Remarkable Life of Katherine Parr. Great Britain: Maqcmillian Publisher, 2010.
Sudeley Castle — Finding Queen Katherine Parr. Acesso em 6 de Setembro de 2014.
Corpo incorrupto. Acesso em 6 de Setembro de 2014.
Incorruptibility. Acesso em 6 de Setembro de 2014.

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6 comentários sobre “O corpo incorrupto de Catarina Parr

  1. O q li sobre a incorruptibilidade, e q só há registro em devotos católicos e q cada corpo tem um tempo determinado para permanecer incorrupto. O de Santa Bernadete tb foi aberto mais de uma vez, e permaneceu bem, só apresentou problemas após as freiras terem dado banho no corpo na última abertura. Padre Paulo Ricardo diz q cada um dura segundo a vontade de Deus. Contudo é certo q os cuidados podem ajudar.

    • Não é só de católicos e nem de devotos. A incorrupção depende de fatores ligados ao enterro da pessoa. Você pode ver mais detalhes sobre esse processo no artigo ;)

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