Catarina Parr e seu relacionamento com Maria Tudor

Provável Catarina Parr, artista desconhecido.Catarina Parr nasceu em 1512,e através dos descendentes dos Beaufort, Holland, e outras famílias, Catarina era uma prima distante da Princesa Maria. Ela era alguns anos mais velha que ela, que nasceu em 1516. A mãe de Catarina, Maud, tornou-se uma dama de companhia de Catarina de Aragão, e logo após seu casamento com Sir Thomas Parr. Acredita-se que Catarina tenha sido sua madrinha. Maud ficaria junto da rainha Catarina até sua morte em 1531.

Tem sido dito que Catarina Parr e a princesa Maria foram educadas juntas. Enquanto a mãe de Catarina ficava com a primeira esposa do rei, Catarina Parr estava em Blackfriars, em Londres. Entretanto, Catarina não foi a corte com sua mãe, e provavelmente, só teve contato com a família real em seu batismo. Ela e outras filhas de nobres eram ensinadas separadamente, enquanto a Princesa Maria, que tinha sua própria casa, era ensinada por professores particulares.

Após a morte de Catarina Howard, Maria estava de volta no favor do rei, seu pai, e presidia as festas da Corte como se fosse a própria Rainha. No Ano Novo, Maria foi regada com caros presentes de seu pai. Entre eles, estavam ‘dois rubis de valores inestimáveis’. No entanto, durante esse tempo Maria sofreu de problemas de saúde associados com ansiedade e depressão, além de menstruação irregular. Essas questões de saúde a acompanhariam até sua morte. Mara se recuperou no Natal de 1542, e foi convocada para ir á Corte nas festividades natalinas. O Embaixador Imperial Chapuys informou que o rei falou com ela ‘nas palavras mais graciosas e amáveis que um pai poderia dizer à sua filha’.

No Natal, Catarina Parr foi convidada a ir à Corte. Henrique viu como ela era dedicada a Maria, como cuidava de Eduardo e cativara Elizabeth. Quando Henrique lhe sorriu e abriu seu coração na primavera de 1543, dizem que Catarina soltara um grito de horror: “Preferiria ser vossa amante a ser vossa mulher!”. Catarina consentiria em desposar Henrique no verão do mesmo ano. As outras mulheres tinham se casado com Henrique para realizar a sua ambição pessoal, política ou monárquica. Catarina se casou com ele porque Deus lhe disse para fazê-lo. Henrique tinha agora 52 anos e estava doente. Ela, por já ter possuído um marido inválido, sabia muito bem como tratá-lo.

Henry VIII and his Six Wives [1972]A história pode não ter visto Henrique como um pai atencioso, mas ele não pode ser julgado por nossos padrões modernos. Henrique não visitava as casas de seus filhos regularmente, mas alegava que amava todos eles. Crianças reais eram criados separadamente. Uma corte separada foi estabelecida para o Príncipe de Gales, Eduardo, enquanto as princesas muitas vezes viviam juntas e tinham pequenos estabelecimentos. Como no tempo de Catarina a corte não era um lugar para crianças pequenas, Maria tinha sua própria casa até o divórcio de seus pais, quando ela foi forçada a viver com sua meia-irmã, Elizabeth.

Enterrado nos legados de seus casamentos fracassados e com os deveres diários de um rei, tempo para ser afetuoso com seus filhos compreensivamente ficava em falta. Catarina estava convencida de que Henrique precisava se envolver mais com seus filhos. A incerteza encheu toda sua vida, especialmente sobre Maria e Elizabeth, e isso precisava ser mudado. Catarina prometeu que enquanto Henrique fosse rei e ela fosse sua consorte as crianças teriam um futuro estável.

O relacionamento de Catarina com Maria era algo mais amigo do que materno. Quando Catarina se tornou rainha, as crianças reais já eram familiarizadas com ela. Não se sabe se foi ela mesma que sugeriu o encontro com os filhos do rei antes do casamento, mas em qualquer caso, ela já tinha uma amizade com eles antes do casamento com o rei. Com Maria, Catarina não queria nada mais além de se tornar uma defensora e amiga dela. Ser mãe para o filho de outra mulher de seu marido era uma responsabilidade que Catarina assumiu com graça e dedicação.

Para Catarina, era um caso de deixar o passado para trás e tirar o melhor do presente. Henrique já havia estabelecido boas relações com seus filhos e Maria e Elizabeth estavam presentes no casamento de Catarina Parr. Catarina, que havia se saído bem com sua enteada do seu segundo casamento, repetiu o sucesso com seus enteados reais. Ele ficou bastante próxima de Elizabeth. O filho do rei, Eduardo, logo estava lhe enviando cartinhas em latim. A nova esposa de Henrique ficou especialmente interessada no aprendizado das crianças.

The TudorsA própria educação juvenil de Catarina foi básica como a da maioria das mulheres de sua classe. Ela aprendeu a escrever em inglês e talvez em francês, enquanto sua leitura ficava limitada à obras religiosas como a vida dos santos. Então, quando se tornou madrasta dos filhos do Rei, ela entrou num novo mundo pois os filhos de Henrique recebiam a educação mais avançada da época, incluindo latim e grego das mãos dos melhores professores. Catarina tinha curiosidade intelectual para se atirar neste novo mundo com gosto e aprender novos estudos junto com seus enteados. O sucesso de Catarina com o Rei e seus filhos aumentava cada vez mais a sua posição na corte.

O casamento de Catarina Parr com o rei deu a Maria o mais longo período de felicidade ininterrupta que ela teve desde a infância, e foi muito bem apreciado depois de décadas turbulentas. Catarina era uma firme defensora da princesa e o seu respeito por Maria certamente ajudou a melhorar suas perspectivas, bem como a enriquecer sua vida. Logo após o casamento, Catarina deu a Maria pulseiras de ouro e ambas iriam trocar bolsas de dinheiro, como feito em toda a aristocracia como um símbolo da amizade feminina. As duas compartilhavam um amor por roupas e jóias, assim como pela música.

Muitos fazem parecer que Catarina e Maria eram definidas pelas suas visões de religião, e que não tinham absolutamente nada em comum. Na verdade, algumas pessoas chegam até a dizer que, se Catarina tivesse sobrevivido até o reinado de Maria, ela provavelmente teria sido queimada na fogueira. Na verdade, sua relação não sofreu nenhum tipo de dano ligado por suas visões de religião. O Embaixador Imperial, Chapuys, conta que as duas estavam quase sempre juntas e que ele viria a agradecer Catarina em nome de Carlos V por tudo o que ela tinha feito e estava fazendo pela Senhora Maria.

Em 1544, um novo Ato de Sucessão foi feito. Desde que se tornou Rainha, Catarina tinha a intenção de reconciliar Henrique e Maria e restaurá-la como uma potencial herdeira do trono. Chapuys ficava cada vez mais impressionado com as tentativas da Rainha de favorecer a princesa e escrevia com frequência a Carlos V sobre isso. Carlos ficava satisfeito com as notícias e encorajava o embaixador a ter cada vez melhores relações com a rainha Catarina.

Wives of Henry VIII.Este ato foi o primeiro na Inglaterra que deu o direito as mulheres de sucederem o trono como rainhas. Lady Maria e Elizabeth foram novamente colocadas na linha de sucessão, depois de seu irmão Eduardo. Apesar de Maria e Elizabeth permanecerem ilegítimas e o título de princesa lhe fossem negadas, ela eram herdeiras oficiais de Henrique. Esta lei significou a reabilitação das crianças reais com seu pai, embora Catherine tivesse mais do que um pouco de crédito. Com base nos relatórios dos Embaixadores, era Catarina o principal instrumento de decisão de Henrique para nomear todos os seus filhos em seu testamento como herdeiros do trono . Foi Catarina que ajudou a garantir sua legitimidade como rainhas.

Em 1544, Maria encomendou um quadro de si mesma. Atribuído ao Master John, Maria é jovem e bonita. Ao longo de seu reinado, Catarina Parr vez vários retratos dela e das duas filhas de Henrique. Pensa-se que talvez esses retratos fossem feitos para compensar o fato de que Henrique tinha encomendado uma pintura da família real, onde a rainha era Jane Seymour. Talvez esse tenha sido o caso, mas este retrato de Maria é memorável e um dos favoritos de seus admiradores até hoje.

Um ano após seu casamento, os ânimos estavam novamente acirrados, Henrique, num último ato de bravata, decidiu liderar o exército inglês contra a França. Durante a sua ausência, ele nomeou Catarina Rainha Regente e deixou seus três filhos aos seus cuidados. A maioria dos historiadores acredita que foi Elizabeth a mais afetada por ver sua madrasta regendo o país. Maria também prestou muita atenção a regência de Catarina. Ambas as filhas viriam que era possível uma rainha lidar com tudo que era esperado de um rei, e que um dia elas também poderiam governar a Inglaterra.  Como regente, Catarina possuía uma quantidade considerável de energia. Durante sua regência, cinco proclamações foram emitidas e ela teve o direito de tirar o dinheiro do Tesouro. Durante seu tempo de Henrique na França, a rainha lhe escreveria informado-o de seu progresso, muitas vezes com seus sentimentos, seu tempo com as crianças e a preocupação com a sua saúde inclusos.

Wives of Henry VIIINo final de seu reinado, Henrique começou a se distanciar não só de Catarina, mas também de seus filhos. O rei sabia que sua saúde estava no final e que ele deveria tomar providências por causa da menoridade de seu filho Eduardo como o próximo rei Tudor. Henrique passou o Natal sozinho em Whitehall, Catarina e Maria ficaram no Palácio de Greenwich. Em 11 de janeiro, os aposentos da rainha estavam preparados parra sua chegada, mas não há certeza de quando Catarina viu seu marido pela última vez. Em 28 de janeiro de 1547, o rei Henrique morreu. Nem Catarina nem seus filhos estavam presentes.

Após a morte do rei, Maria não foi informada de sua morte por vários dias. O Conselho tomava precauções sobre a menoridade do jovem rei, e queriam que todos estivessem em seus lugares antes de um anúncio oficial. Esta ação deixou Maria extremamente irritada, mas ela não podia fazer nada sobre isso. Em compensação, nada que o Conselho fizesse alteraria o fato de que Maria era herdeira do trono. Por enquanto, Maria ficaria com Catarina, viúva pela terceira vez. No momento da morte de seu pai, Maria tinha 31 anos. A sua reação à morte de seu pai não foi registrada, e ela nunca lamentou publicamente a sua morte.  O mais provável é que ela tenha reagido à notícia com tristeza e alívio: com a morte do rei, Maria e Elizabeth eram as mulheres mais ricas da Inglaterra. Ambas tinha rendas, a promessa de um dote, explorações extensivas de propriedades. Maria tinha agora 32 casas e mansões.

Até abril de 1547, Maria permaneceu na casa da rainha viúva. Ela entrou em luto profundo e não foi registrado se ela compareceu ao funeral de seu pai ou até mesmo a coroação de seu irmão. Enquanto Henrique estava vivo, ela não ousou a questionar os seus assessores. Agora, com o Conselho de Eduardo, ela tinha conhecido muito de seus membros por um bom tempo, tinha sua própria opinião e não tinha mais medo de expressá-la.

Joely Richardson, Sarah Bolger © Showtime Networks Inc.Na primavera, Maria deixou a casa de Catarina. Ela já era uma senhora de idade, dona de seus próprios feudos e tinha de viver sua própria vida. Enquanto seu pai era vivo, Maria perdeu muitas propostas de casamento e a possibilidade de ter seus próprios filhos. Antes dele morrer, o rei prometeu muitas coisas a rainha e lhe deu permissão de se casar. Poucos meses depois de sua morte, Maria descobriria que sua madrasta havia renovado sua ligação com seu antigo amor, Thomas Seymour. Como ela não teria nenhum papel político no reinado de Eduardo, ela olhou para esse relacionamento como a possibilidade de uma nova felicidade.

Não havia nada nos desejos de Henrique que diziam que Catarina não poderia se casar novamente, mas alguns viam o casamento como muito prematuro. Na tentativa de ganhar o favor e ter seu casamento aceito, Seymour escreveu a Maria pedindo sua aprovação e consentimento. Maria conhecia a reputação de Seymour e estava chateada por Catarina ter se casado tão logo a morte de seu pai. Embora ela estivesse descontente, ela sabia que ela não mais participaria da vida de sua madrasta, que havia feito tanto pelo seu relacionamento com seu pai e sua restauração no Ato de Sucessão. Catarina tinha sido considerada uma igual por Maria. As duas compartilharam muito tempo juntas, e Maria provavelmente sofreu ao ouvir a notícia da morte de Catarina Parr.

Bibliografia:
MCGath, Meg. ‘The Relationships of Lady Mary Tudor: Henry VIII and his consort Katherine Parr‘. Acesso em 30 de março de 2013.
Documentário ‘The Six Wives of Henry VIII’, escrito por David Starkey, emitido no Channel 4 de 10 de setembro de 2001 a 1 de outubro de 2001.

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